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Dr. Dario Darafiore: Vida sexual não acaba quando envelhecemos

Por Maya Santana

Sim, somos avós e temos vida sexual ativa

Maya Santana, 50emais

Tenho uma amiga que se irrita quando vai ao ginecologista e ele começa a fazer perguntas sobre a vida sexual dela. Ela é professora universitária. Diz que não precisa ser incentivada a falar de sexo: quer falar na hora que houver realmente um problema. E não quando o médico quer. O caso dessa minha amiga é comum. Boa parte das mulheres tem dificuldade de discutir a vida sexual até com o parceiro, por pura timidez. Como o mundo está envelhecendo – nunca houve tanto velho no planeta como agora -, as pessoas estão mantendo relações sexuais até mais tarde na vida. Os estudos comprovam isso.

Leia o artigo de Antía G. M., do jornal El País:

Dizer que as pessoas com mais idade não se interessam por sexo é um mito instigado pelo tabu que socialmente restringe as relações carnais a determinadas idades. Se hoje perguntarmos a qualquer adolescente se seus avós têm uma vida sexual ativa, provavelmente afirmará que não, que eles já não desfrutam das artes do amor. Nada mais longe da realidade. De fato, de acordo com um estudo publicado no The Journal of Sexual Medicine, cerca de 37,4% das mulheres com mais de 65 anos e 62,3% dos homens com essa idade mantêm uma vida amorosa ativa, o que significa mais de um relação sexual no último ano. Então, por que ainda há tanto desconhecimento sobre o ars amandi dos idosos? Raquel García Romeral, do consultório de psicologia e sexologia RgR, é muito clara: “Aquilo que não perguntamos não existe, e sobre a sexualidade erótica e amorosa dos idosos não temos o costume de perguntar”, por isso o estudo citado é um dos mais recentes, embora seja de 2013.

“A vida sexual não termina quando envelhecemos, longe disso”, destaca Dario Calafiore, urologista do Hospital Universitário Lucus Augusti e especialista em andrologia. Apesar dessa contundente afirmação, Calafiore está ciente do quão complicado pode ser falar sobre sexualidade em uma consulta. “Apenas um em cada quatro homens procura um especialista para discutir essas questões. Além disso, não costumam falar sobre seus problemas sexuais por pudor, timidez ou porque o machismo presente na sociedade ensinou-lhes que, se seu pênis não funciona, já não podem ter relações sexuais, algo que não é real.” Mas não só os homens demonstram relutância na hora de falar sobre esse tipo de problemas. A ginecologista e sexóloga Marta Recio Rodríguez, da Policlínica Nuestra Señora del Rosário, de Ibiza, observa o mesmo padrão em mulheres. “Quando vão à consulta, para elas é muito difícil comentar esse tipo de coisa. Normalmente, no final da consulta, tendem a revelar suas dúvidas como se não quisessem, porque não sabem como dizê-lo. Às vezes, dá a sensação de que ainda precisam que sejam questionadas”, diz.

Superar essa relutância ao falar sobre problemas sexuais é muito importante, já que é o ponto de partida para solucioná-los e alcançar relacionamentos satisfatórios. A primeira coisa que deve ser levada em conta e destacada por todos os médicos especialistas é a mais óbvia: aos 65 anos, o corpo não é o mesmo e não responde da mesma maneira como quando somos jovens e, portanto, as práticas também têm que variar . Por exemplo: o início da menopausa nas mulheres e as alterações hormonais resultantes produzem mudanças na vagina e na resposta desse órgão aos estímulos sexuais. Uma das mais comuns é a secura, que pode causar numerosos incômodos, prurido e até dor. “Quando um casal vem à minha consulta para falar desses problemas, sempre sai com um pote de lubrificante farmacêutico”, afirma Calafiore. A lubrificação é um dos pontos mais importantes a serem considerados nas relações depois dos 65 anos, uma vez que a secura da vagina no momento da penetração pode causar fricção e pequenas feridas, tornando a relação não só desconfortável para a mulher, mas também dolorosa.

Mas não são apenas as mulheres que experimentam alterações hormonais com a idade. Embora muitas pessoas não saibam, os homens também sofrem com a conhecida andropausa, uma fase em que a queda da testosterona produz alterações em todo o corpo que afetam a resposta sexual. “A andropausa é um período na vida do homem em que a produção de testosterona diminui, o que afeta o crescimento dos pelos, tanto faciais quanto pubianos, e que produz mudanças na musculatura”, diz Calafiore. Todas essas transformações provocam alterações nos músculos que favorecem a ereção, tornando-a menos intensa e com menos prazer. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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Lucineide Santos 24 de maio de 2018 - 15:41

Parabéns pela matéria, muito boa e esclarecedora, eu agora com 55 anos, gostei muito tirei algumas dúvidas. Obrigada

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