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É difícil, todos nós sabemos, mas vamos falar sobre a morte?

Por Maya Santana

São grupos que se reúnem para conversar sobre a morte

É o que propõe o Death Cafe, grupos que se reúnem para conversar sobre a morte

Não conheço uma pessoa sequer que goste de conversar sobre a morte. A única certeza que temos desde que nascemos é que vamos morrer. Mesmo assim, passamos a vida fingindo que somos eternos. Se alguém insiste em trazer o assunto morte a baila é logo taxado de “baixo astral” e há sempre quem pede com insistência: “Vamos mudar de assunto?” Agora, estão surgindo grupos que se reúnem somente para conversar sobre o nosso destino final. O primeiro grupo surgiu a partir das ideias do sociólogo e antropólogo suíço Bernard Crettaz, com o nome de ‘Death Cafe”. Ganhou muitos adeptos e a ideia se espalhou pelo mundo. Em São Paulo, já foram realizados seis desses cafés.

Leia mais detalhes neste artigo do El País:

É verdade que muitas pessoas preferem não falar sobre a morte e se sentem mais confortáveis fazendo de conta que ela não existe. Também é verdade que outras tantas precisam conversar sobre ela, encará-la como algo concreto e então seguir vivendo. Se for um bate-papo acompanhado de bolo e café, melhor ainda.

Para os adeptos dessa postura, o Death Café promove “um jeito fácil de falar sobre coisas difíceis”, com o objetivo de “aumentar a consciência sobre a finitude e a ajudar as pessoas a aproveitarem melhor suas vidas (finitas)”. O formato propõe um encontro para um bate-papo livre e surgiu em 2011, a partir das ideias do sociólogo e antropólogo suíço Bernard Crettaz – o primeiro defensor famoso dos espaços para falar sobre o morrer e crítico ferrenho do que ele chama de “tyrannical secrecy” (sigilo tirânico). Pode ser organizado em qualquer lugar, e cada vez mais lugares o organizam.

Já aconteceram quase 2.000 Death Cafés – definidos pelos organizadores centrais como uma “franquia social” – em cidades do mundo inteiro, incluindo São Paulo. Aqui, a estreia do Death Café Sampa aconteceu em 2014 depois que a economista formada pela USP Elca Rubinstein, que viveu 18 anos em Washington trabalhando no Banco Mundial, participou em 2014 de sua primeira conversa organizada sobre a morte. “A experiência de viver em um país em que a longevidade e o envelhecimento foram assimilados me permitiu pensar mais sobre a morte. Não é o caso do Brasil, onde as pessoas ainda morrem jovens e não dá nem tempo de falar sobre o assunto”, diz Elca.

Segundo ela, que já organizou seis cafés paulistanos ao lado do psiquiatra Bernardo Gregorio, algumas pessoas preferem não revelar aos familiares que vão a um Death Café. “Elas inventam que vão passear, porque se contam o que de fato farão vão ser chamadas de malucas. Aqui, não temos espaço para falar de questões de morte nem dentro de casa”, conta. Ela acredita que a geração de brasileiros que nasceu nos anos 40 e 50 é a primeira a pensar na finitude: “Eles dizem: ‘Tenho 50, 60 anos e vou viver mais 20, 30. O que vai acontecer? Vou ter grana? Minha família vai cuidar de mim?’”. Nos cafés, fala-se sobre essas questões práticas e outras filosóficas. “As pessoas que frequentam não estão morrendo, não estão na crise. Querem simplesmente conversar a respeito”, garante a organizadora, que prepara mais um encontro paulistano, dia 22 de agosto, na pousada Ziláh. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

Leila A Cheachire 2 de agosto de 2015 - 21:52

Como participar do próximo death café?

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