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Durante muito tempo, a saúde da boca foi vista apenas como uma questão de estética. Ter dentes bonitos e um sorriso agradável parecia ser o principal objetivo. Hoje, porém, a ciência já demonstrou que cuidar da higiene bucal é uma medida essencial para preservar a saúde de todo o organismo, especialmente após os 50 anos.
Com o avanço da idade, o corpo passa por mudanças naturais que tornam a boca mais vulnerável. A produção de saliva diminui, muitas pessoas começam a usar próteses, implantes ou dentaduras, e o uso contínuo de medicamentos para pressão alta, diabetes, depressão ou outras doenças pode provocar ressecamento da boca. Esse ambiente favorece o crescimento de bactérias.
Quando a higiene bucal é inadequada, milhões de microrganismos se acumulam sobre dentes, gengivas e língua, formando a chamada placa bacteriana. Se não for removida diariamente, ela endurece, transforma-se em tártaro e desencadeia inflamações.
Sangramento das gengivas
O primeiro problema costuma ser a gengivite, caracterizada por sangramento, vermelhidão e inchaço das gengivas. Sem tratamento, ela pode evoluir para periodontite, uma doença que destrói os tecidos de sustentação dos dentes e representa uma das principais causas de perda dentária entre adultos e idosos.
Mas os riscos vão muito além da boca. Estudos mostram que bactérias presentes em infecções gengivais podem entrar na corrente sanguínea e aumentar a inflamação em todo o organismo. Essa inflamação está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Embora a má higiene bucal não seja a única causa desses problemas, ela pode contribuir para agravá-los.
Pessoas com diabetes também merecem atenção especial. A doença dificulta a cicatrização e favorece infecções, enquanto a inflamação da gengiva pode dificultar o controle dos níveis de glicose no sangue, criando um ciclo prejudicial.
Infecção respiratória
Outro problema frequente é a pneumonia por aspiração. Em idosos, principalmente aqueles com dificuldades para engolir ou acamados, bactérias acumuladas na boca podem ser aspiradas para os pulmões, provocando infecções respiratórias potencialmente graves.
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Quando a mastigação fica prejudicada, muitas pessoas passam a evitar frutas, verduras, carnes e outros alimentos mais consistentes, optando por alimentos ultraprocessados ou mais macios, geralmente menos nutritivos.
Maior risco de demência
Há ainda evidências de que a doença periodontal esteja associada a um maior risco de declínio cognitivo e demência. Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para estabelecer uma relação causal, a inflamação crônica é considerada um dos mecanismos que podem contribuir para esses processos.
Quem usa dentadura também precisa manter cuidados rigorosos. A prótese deve ser higienizada diariamente, retirada durante o sono, quando indicado pelo dentista, e substituída sempre que estiver mal ajustada.
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A língua merece atenção especial. Ela acumula bactérias, restos de alimentos e células mortas, sendo uma das principais responsáveis pelo mau hálito. Sua limpeza deve fazer parte da rotina diária. Os especialistas recomendam escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia com creme dental fluoretado, utilizar fio dental diariamente e limpar a língua com raspador ou escova apropriada.
Cuidar do coração
Também é importante manter boa hidratação, evitar o tabagismo, reduzir o consumo excessivo de açúcar e realizar consultas periódicas ao dentista, mesmo quando não há dor. Muitas doenças bucais evoluem silenciosamente e só apresentam sintomas quando já estão em estágio avançado. Por isso, a prevenção é sempre o melhor tratamento.
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