É preciso reinventar profissão após aposentadoria

Por Maya Santana
Você tem que saber responder esta pergunta: O que vou ser quando me aposentar?

Você se faz esta pergunta: O que vou ser quando me aposentar?

Neste excelente artigo da jornalista Marinella Castro para o jornal Estado de Minas, ela entrevista um dos grandes especialistas em envelhecimento no Brasil, o jornalista, escritor e professor Jorge Félix, para quem é necessário se preparar para a vida profissional depois da aposentadoria. “Pensar na segunda ou terceira profissão aos 60 anos é tarde demais. É preciso começar planejar aos 40. Esse é um projeto que depende de tempo, educação e investimento financeiro”, diz ele. Planejamento é, portanto, a palavra que não se pode perder de vista.

Leia o artigo:

O tempo está a galope para o Brasil, incluído entre os países que mais rápido envelhecem ao redor da Terra. Nos próximos 20 anos, os cabelos grisalhos vão crescer sua participação na economia e na pirâmide etária. Apesar da boa notícia de que estamos a caminho dos 80, o país ainda insiste em viver como se não estivesse envelhecendo. Sonha com uma população que fique por mais tempo no mercado de trabalho, que se reinvente para ter, depois dos 60, uma segunda ou terceira profissão, mas não há no país políticas ou uma legislação que incentive o exercício de trabalhar mais, atrasando a resposta para uma pergunta urgente, e que deve ser feita não na porta da aposentadoria, mas perto dos 40 anos: o que vou ser quando me aposentar? Viver de bicos para complementar a renda da aposentadoria, ou me planejar para uma nova carreira? Me planejar como?

Jornalista Jorge Félix

Jornalista Jorge Félix

Para Jorge Felix, professor do Centro Interdisciplinar de Assistência e Pesquisa em Envelhecimento (Ciape) e pesquisador da PUC/SP, o Brasil, como Estado, ainda não tem a resposta para a pergunta angustiante que já é perseguida por uma população a caminho da terceira idade e que planeja viver muito, chegar –  e ultrapassar – os 90. “Pensar na segunda ou terceira profissão aos 60 anos é tarde demais. É preciso começar planejar aos 40. Esse é um projeto que depende de tempo, educação e investimento financeiro”, afirma Felix. Especialista no envelhecimento populacional, ele criou em 2006 o termo economia da longevidade e defende que se reinventar tem sido tarefa para uma minoria, embora seja uma exigência do capitalismo contemporâneo. “É uma contradição. Não há políticas para incentivar a permanência dos mais velhos no mercado de trabalho, não existe legislação para isso, o que transforma essa propagada reinvenção em um mito, ou realidade de uma minoria.”

Na últimas duas décadas, em número, os maiores de 60 anos cresceram 70% entre a População Economicamente Ativa (PEA – que trabalha ou está em busca de uma ocupação). O percentual ultrapassa o crescimento da população mais jovem (25 a 29 anos), que avançou 40% no mesmo período, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A renda da segunda, ou terceira profissão, que começa na terceira idade, é importante para garantir não só custos que crescem, como gastos com medicação e plano de saúde, mas ajuda também a renda familiar, garantindo a independência dos mais velhos e o bem-estar como retorno da ocupação.

Para Felix, a questão conjuntural do aquecimento do mercado de trabalho não deve frear políticas que incentivem as empresas a manterem por mais tempo em seus quadros maiores de 50 anos, como flexibilização de jornada para investimento dos funcionários em educação, requalificação, preparação da pré-aposentadoria e educação financeira. “São medidas urgentes em um país que envelhece e que poderiam contribuir de fato para a reinvenção. Caso contrário, no mundo de precarização do trabalho já começando aos 40 anos, idosos do futuro podem se consolidar como mão de obra vulnerável e de baixo custo.

Quem conseguiu vencer desafios do tempo e da dificuldade financeira, embarcando na maturidade em uma segunda profissão, abriu as portas para um mercado novo e recebe agora em duas moedas, a do prazer e aquela que complementa a renda. Difícil saber qual vale mais. No país, incluído pela Organização das Nações Unidos (ONU) em estágio avançado/acelerado de envelhecimento, viver com qualidade de vida parece ser o próximo desafio.

Nívea Freitas, 68 anos: depois dos 50 investiu em astrologia

Nívea Freitas, 68 anos: depois dos 50 investiu em astrologia

Escrito nos astros

“Quando escolhe sua segunda profissão, o aposentado deve buscar trabalhar com o que gosta, o que nem sempre é possível na primeira. Pensar não só no retorno financeiro, mas no que pode fazer pelo outro. A segunda profissão também exige preparo e investimento”, considera a astróloga Nívea Freitas. Antes de se aposentar como jornalista, profissão de que sempre gostou muito, Nívea foi impulsionada por sua curiosidade a estudar astrologia. Logo que começou a estudar os astros e o universo, percebeu que a ciência era um caminho para o autoconhecimento. Concluiu que sua trajetória como autodidata precisaria de um fôlego extra. Antes de completar 50 anos, ela, que está com 68 hoje, estudou como complementares à astrologia, cálculo, astronomia, geografia, psicologia, com bom investimento de tempo e também de recursos financeiros. “Boa parte do material era importada. Os professores também eram poucos.”

Há 18 anos, Nívea continua sua jornada pelo conhecimento. “Sou apaixonada pela astrologia.” Com clientes em Minas e em outros estados do país, como Rio de Janeiro e São Paulo, ela atende presencialmente, em consultório, e via Skype; alguns, ela já acompanha há 15 anos, com mapa astral anual. “A astrologia é um campo riquíssimo e com inúmeras áreas. Não nos permite parar de estudar, porque ela é mutável. Temos diversos grupos de estudos em Belo Horizonte, e cada fato novo na história é um novo mergulho.” Para Nívea Freitas, sua escolha lhe faz bem porque, além de retorno financeiro, a faz sentir-se útil ao outro. Nívea gosta tanto de sua segunda profissão que pensa em introduzir a neta de 11 anos à astrologia. Se ela pretende se aposentar outra vez? “Nunca! Jamais vou me aposentar como astróloga. É uma atividade muito envolvente.”


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4 Comentários

Terezinha 1 de maio de 2018 - 14:05

Olá, boa tarde! Tenho 60 anos e comecei a fazer a faculdade de medicina veterinária, mas sempre fico com esta pergunta em minha mente: será que vou conseguir , já que é uma carreira para jovens e é preciso muita energia? Gostaria de sua opinião. Obrigada !

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Everton Cruz 9 de setembro de 2016 - 23:10

Antes da aposentadoria é preciso se preparar e quando ela acontece, é importante e necessário se reinventar senão caímos no ostracismo. Em junho 1998, me aposentei; e em abril de 1999, já estava trabalhando novamente. Em 2005, parei novamente; e em junho de 2007, ingressei na faculdade de direito. Formado em 2014, comecei a praticar atividades jurídicas em escritório de advocacia de amigos. Atualmente, com mais experiência na área, consigo exercitar as teorias adquiridas durante o curso, com antiga colega de faculdade, e concomitantemente, juntamente com ex-colegas (eles estão na ativa) de judiciário, estamos em pré-campanha eleitoral da nossa entidade de classe, porém de forma agradável para não deixar o cérebro enferrujar.

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Ana 6 de novembro de 2015 - 22:35

Tenho 44 anos e me aposento aos 49,, quero muito fazer algo que me mantenha viva mas não me deixe louca, pois sou Policial, então preciso de algo normal, que complemente as finanças e não me estresse tanto.
Obrigada

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Déa Januzzi 14 de abril de 2014 - 14:14

Pena que eu já tenho 61 anos e não me planejei, mas ainda tenho sonhos e projetos. Adoro os temas do Jorge Félix, que criou a Economia da Longevidade. Parabéns à Marinella e à Maya. Preciamos de muitas matérias como essa.

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