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Editora relança Wander Pirolli, o grande contista

Por Maya Santana

Wander foi um dos grandes contistas do Brasil (Crédito: Wanderpiroli.com.br/Divulgação)

Wander foi um dos grandes contistas do Brasil (Crédito: Wanderpiroli.com.br/Divulgação)

Tive a honra de trabalhar com Wander Pirolli no jornal Estado de Minas, no início da década de 70. Eu era repórter cobrindo os problemas de BH, e ele comandava a Editoria de Polícia. Já era, então, o guru de muitos de nós da redação. Sempre me lembro dele como homem bonito, grandão e extremamente gentil. Embora pouco conhecido, Wander está entre os grandes contistas do Brasil. Morreu em 2006. Agora, segundo esse artigo do portal G1, sua obra está sendo reeditada. Palmas para a Editora Cosac Naify, responsável por esta brilhante iniciativa.

Leia o artigo:

O lirismo do mineiro Wander Piroli (1931-2006) era áspero. Como autor de obras adultas e famosos livros infantis, era uma figura entre a casa e a rua. Suas páginas eram frequentadas por bêbados, prostitutas e malandros – daí a alcunha de “João Antônio mineiro”, até por ser amigo do escritor paulistano morto em 1996 –, mas também pelas histórias que viveu no seio da família. Nos anos 1970, foi visto como um dos grandes do conto nacional e da literatura para crianças. E, embora alguns de seus livros tenham continuado a receber edições aqui e ali, Wander Piroli acabou caindo no ostracismo.

Agora, porém, sua obra começa a ser resgatada. A editora Cosac Naify acaba de comprar os direitos de publicação de Wander Piroli e começa a relançar seus livros, com inéditos a caminho. As duas primeiras obras escolhidas foram o póstumo O Matador (publicado pela primeira vez em 2008), com ilustrações de Odilon Moraes, e o inédito Três Menos um É Igual a Sete, com ilustrações de Lelis. Também estão no projeto os livros mais cultuados de Piroli: Os Rios Morrem de Sede e O Menino e o Pinto do Menino.

“Wander tem um lirismo brutal. Quando lançou Os Rios… e O Menino… foi um estrondo. Ele é representante do realismo na literatura infantil. Mas os realistas que vieram depois dele tinham uma coisa da realidade social. Já ele explora mais a crueza do cotidiano – afirma Odilon Moraes. “Além de ele ter um texto muito generoso com a imagem. Como no cinema, em que o texto precisa da imagem para existir.”

O Matador é um bom exemplo do lirismo brutal de Piroli, que costuma ser admirado mesmo por adultos por sua subversão. No livro, meninos de uma rua matam passarinhos com estilingues, mas um deles, o protagonista, não consegue acertar os animais. Por isso, ele fala da raiva e da vergonha que sente perante os amigos. A tensão da narrativa cresce, até que ela termina de forma triste, num jogo de clímax e anticlímax.

Os Rios Morrem de Sede, baseado numa história pessoal, também tem seu momento subversivo: a obra, infantil, termina com um palavrão. Amante da natureza, Piroli já falava em ecologia antes de virar moda. O Menino e o Pinto do Menino, por sua vez, parte de um título dúbio para contar a história de um garoto e seu pintinho.

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2 Comentários

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Marciléa Serrão 15 de fevereiro de 2016 - 17:22

Li a crônica Festa, para mim “pão no molho de almondega”, ainda na infância, nos livros didáticos do meus irmãos. Cresci pensando que era de Fernando Sabino e depois pesquisando soube que era de Wander Pirolli. Sabe, até hoje quando tem almondega em casa como com pão e conto sempre esta história para os meus filhos que marcou minha vida pela simplicidade e beleza, como uma boa crônica deve ser.

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lisa santana 28 de outubro de 2014 - 16:12

Que maravilha! Os rios morrem de sede é lindo! Que bela iniciativa.

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