Ela abriu o caminho para a revolução das mulheres

Por Maya Santana
Ela proporcionou o nascimento de uma mulher livre, senhora de si

Rose Marie Muraro proporcionou o nascimento de uma mulher livre

Achei que não poderia deixar de publicar no 50emais esse primor de homenagem da Revista Ecológico à escritora Rose Marie Muraro, morta há pouco mais de um mês, em 21 de junho. O artigo foi escrito pela jornalista e escritora Déa Januzzi. Foi Déa também quem selecionou as frases incríveis desta que tornou-se o símbolo maior do feminismo no Brasil. Uma linda e mais que justa homenagem a uma brasileira que viveu muito, muito além do seu tempo.

Leia o artigo:

Vocês, mulheres brasileiras contemporâneas, acham que direitos como carreira, estudo, ter ou não filhos, prazer e sexualidade, separação, casar duas, três, quantas vezes quiser, sentar com as amigas numa mesa de bar e beber, rir e conversar sozinhas, sem uma companhia masculina, e tantas outras conquistas sempre existiram? Pois fiquem sabendo que não. Por trás dessa liberdade atual, há a ousadia de mulheres que abriram as portas para todas nós.

Uma delas, a escritora, física e economista Rose Marie Muraro, que morreu no dia 21 de junho, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, onde morava. Vítima de um câncer de medula, a pioneira do feminismo no Brasil foi uma verdadeira revolucionária, pois proporcionou o nascimento de uma mulher livre, senhora de si mesma e do próprio corpo.

Considerada uma mulher impossível – nome de um dos seus mais de 40 livros –, Rose fez tudo o que lhe disseram para não fazer. Inclusive, gestou um novo mundo, onde mulheres e homens são cúmplices, parceiros e não adversários. Rose garantia que a revolução das mulheres jamais poderia existir “sem o gesto de amor do homem. Pois a revolução do homem é tão importante quanto a da mulher. Se no primeiro ano de vida, um bebê, independentemente do sexo, é cuidado pelo pai na troca de fraldas, na hora da mamadeira, vai viver numa sociedade democrática e plural, muito diferente da patriarcal, onde a violência e o machismo predominavam”.

Ela atuou como diretora da Editora Vozes, ao lado do teólogo e escritor Leonardo Boff, publicando mais de 1.600 títulos. Os dois trabalharam juntos por 17 anos. Ao lado dele, lutou pela Teologia da Libertação, com opção preferencial pelos pobres e que, anos depois, seria expurgada e condenada pelo Vaticano. Rose e Boff foram expulsos da editora, mas continuaram a lutar pelas mudanças sociais urgentes e necessárias. Com cinco filhos, 12 netos e seis bisnetos, a escritora ficou casada por 23 anos e se separou com opiniões polêmicas e ousadas sobre o relacionamento a dois – principalmente sobre o casamento.

Na década de 1990, Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez, afirmando: “Sei hoje que sou uma mulher muito bonita”. Em 2009, criou o Instituto Cultural Rose Marie Muraro (ICRM) com o objetivo de salvaguardar seu acervo, que conta com mais de quatro mil publicações.

Sem dúvida, uma mulher que deixa um legado libertário para as futuras gerações. E que mostramos a seguir, ao relembrarmos alguns trechos de seus livros e pensamentos. Confira!

Linguagem corporal

“A política do corpo tem uma importância revolucionária muito maior do que qualquer reforma agrária ou a luta pela Constituinte.”

Mergulho interior

“Eu sou cega, não posso ler. Então, eu tenho que me voltar para dentro. Ou eu me volto para dentro ou eu morro.”

“Onde começa o casamento acaba a relação homem /mulher, porque aí entra dinheiro, filho e um cotidiano burguês horroroso, desgastante. E entra sempre a relação sadomasoquista: tem sempre um bonzinho e um filho da puta. Essa relação não é homem/mulher, não é do profundo. É a relação convencional, dominante-dominado, que é passada de geração em geração, de pai para filho, de mãe para filha. Isso eu não quero, muito obrigada!” Clique aqui para ler mais.


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