Ela faz roupas personalizadas para os mortos

Por Maya Santana
A estilista australiana Pia Interlandi trabalhando num de seus modelos

A estilista australiana Pia Interlandi trabalhando num de seus modelos


Ana Maria Cavalcanti

Pode parecer mórbido, mas a “moda dos caixões” é a especialidade da estilista australiana de 27 anos, Pia Interlandi. Por incrível que pareça, ela desenha roupas personalizadas para os mortos. O trabalho de Pia já foi até exposto no Museu de Ciência de Londres. É uma coisa tão diferente , tão incomum que prefiro deixar que Pia explique como e porque faz este tipo de trabalho

“ Não se trata apenas de uma estratégia comercial para explorar o mercado da moda no outro mundo. Minha roupa é para pessoas que estejam pensando no final da vida e naquilo que valorizam. Os vivos precisam sentir que a pessoa que morreu está protegida, que é amada, que está coberta, que não está nua.

Um dos modelos criados pela estilista para servir de mortalha

Um dos modelos criados pela estilista para servir de mortalha

Já para os mortos, a roupa representa a segunda pele com a qual se apresentar no final de sua passagem pela terra. Minhas peças são feitas para promover a decomposição, em vez da preservação. De certa maneira, apresentam o corpo à terra. Em alguns casos, as vestes são uma espécie de “mortalhas”, feitas de seda e linho, que envolvem o corpo e a cabeça dos mortos e que têm como finalidade oferecer-lhes conforto no descanso final”.

Para criar roupas nesta ocasião tão triste da vida, Pia pesquisou o processo de decomposição dos tecidos, em Perth, Austrália, em uma instituição voltada para ciência e arte e onde artistas e cientistas trabalham juntos. Ela usou porcos na pesquisa, previamente sacrificados. Neste processo, chegou a enterrar 20 cadáveres de porcos vestidos com suas criações, a fim de testar a degradação dos materiais.

Veja detalhes, como o protetor das mãos, de tecido bem fino

Veja detalhes, como o protetor das mãos, de tecido bem fino

Depois de um ano, ela os desenterrou. As pesquisas mostraram que a seda e o linho se decompõem mais rapidamente, são biodegradáveis. Já o poliéster não se decompõe nunca, mas é muito útil quando as pessoas querem algo que fique com o morto para sempre como o nome dele ou um poema.

Para Pia,vestir um ser amado é um processo imensamente poderoso, e embora não seja para todos, ela recomenda às famílias que participem. Com ela, tudo começou quando o avô querido morreu e queriam enterra-lo com sapatos. A partir daí foi desenvolvendo a idéia do que as pessoas deveriam usar em sua derradeira viagem.


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6 Comentários

Nanci 26 de julho de 2018 - 19:37

Quero deixar guardado o vestido q usarei p meu enterro.Quero q seja c mangas compridas e gola fechada.Como faço p encontrar onde comprar.

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lene 14 de agosto de 2019 - 19:29

legal naci também pensó nisso estou organizando tudo só vai ser chato se for acidente e houveé de formação nesse caso o caixão será lacradissimo kkkkk

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solani 5 de janeiro de 2018 - 17:15

Eu queria ja comprar uma roupa pra mim assim escolher aquilo que eu goste sabe .
Como faço pra comprar ?

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lisa santana 6 de março de 2014 - 22:23

Eu tbém acho que a gente deveria conversar mais sobre a morte, Déa. O ocidente teima em correr demais dela – esta visita insuportável – e aí a gente acaba maltratando a vida. E sim a matéria é super interessante Ana, me faz lembrar que no Egito antigo o morto passava por estas considerações porque se acreditava na vida depois dela. Eu pessoalmente acho que o corpo – aquele que recebeu a nossa energia divina – deve ser tratado com respeito e carinho pós vida. Mas creio que não acho tão importante uma roupa personalizada. Mas vai de cada um, não é?

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Giovanna 27 de dezembro de 2019 - 20:39

Materia muito interessante Anna….
Pensar na roupas ou seja vestes para o fim de uma pessoa…Perfeito trabalho

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Déa Januzzi 6 de março de 2014 - 22:00

Sensacional esta matéria. Aa gente deveria conversar mais sobre a morte, né, Maya? E também sobre esses detalhes que deveriam ser discutidos em vida.

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