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Aos 65, ela vai à Índia estudar yoga e se apaixona pelo país de Gandhi

Por Maya Santana

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Veja na galeria de fotos acima 20 imagens do álbum de viagem da professora de yoga

Marcy Barsi

Vim à India fazer um curso de yoga. Perto do encerramento das aulas, meu marido e meu filho se juntaram a mim. Nós três passamos momentos inesquecíveis no país. Agora, estamos na última etapa da viagem. Acabando de atravessar o deserto de Thar, a caminho de Nova Delhi, a capital. De lá embarcaremos para o Rio. Serão quase 40 horas , entre carro e aviões, para chegar do outro lado desse nosso planeta.

Quando olho pra trás, o que aconteceu nessa viagem, as coisas que vi e vivi, me vêm muitos sentimentos conflitantes. A riqueza e a mais profunda pobreza andam lado a lado.

A grandeza dos palácios e templos, que os guias indianos mostram com orgulho, retratam a história e a riqueza deste país tão diverso. Muito ouro, pedras preciosas e uma arquitetura sofisticada, refletindo a qualidade do trabalho dos artesãos, criadores dessas maravilhas, e o gosto refinado dos marajás e sultões, que dominaram a Índia durante cerca de 600 anos.

Ao longo da história, o território indiano foi invadido por vários povos. No século 19, os ingleses vieram selar o fim dos grandes impérios na região. Incorporada ao império britânico em 1858, a Índia permaneceu assim durante 89 anos. A independência só veio o século 20, em 1947, através de um movimento liderado por Mahatma Gandhi.
Viajando pelo país, vi a herança deixada pela história de tantas guerras. Em contraste com seu lado fascinante e com a grandeza dos palácios, dos templos e monumentos que visitamos, encontramos, espalhadas pelas ruas, uma miséria e uma falta de higiene inimagináveis. Um retrato da vida de mais de um terço dos um bilhão e 300 milhões de habitantes do país.

As pessoas dormem nas ruas, as vacas, animais sagrados e símbolo de abundância, passeiam entre elas. Adolescentes pobres e lindas, com crianças sujas no colo, pedem dinheiro em cada esquina. A gente fica com vontade de distribuir o que tem, para curar a miséria do mundo. Mas como?…
Meu objetivo, como disse, era fazer um curso de yoga. Tive um mês de aulas diárias no Centro de Iyengar Yoga, em Pune, capital do estado de Maharashtra, para aperfeiçoar uma prática de muitos anos.

Hospedada num quarto de estudante, me vesti com uma típica túnica indiana, conhecida como kurta. No meio do caos do tráfego, dos centenas de Rickshaws, taxis de três rodas muito comuns no país, saí me aventurando pelas ruas.

As mulheres com seus saris coloridos marcam a paisagem. A que arranjamos para nos ajudar varria a casa vestida com um sari. Atrapalha? Não, pois a limpeza dela era muito simples. Tão simples que eu ia atrás varrendo de novo. Isso é a India!

Marcy Barci (de óculos escuros) cercada pelas amigas indianas

Professora Marcy Barci (óculos escuros), 65, cercada pelas amigas

Aos poucos, fui descobrindo Pune, – cidade moderna, com muitos centros de yoga, uma ótima cozinha vegetariana, spas com tratamentos Ayurvedicos e lojas para turistas – encontrando yogis do mundo inteiro, me aproximando das pessoas. Uma semana depois, já me sentia em casa. Os indianos são tímidos, mas acolhedores. Têm aquele sorriso lindo quando falam com você.

Depois de um mês de prática de yoga e pranayama com meus professores, que ensinam o Yoga criado pelo pai, Gurujy BKS Iyengar, que faleceu em 2014 aos 95 anos, me senti parte da família. Uma família que se estende hoje por mais de 52 países e milhões de praticantes.

Concluído o curso, vim com minha família conhecer o Rajastão, berço da parte mais vibrante da cultura Indu. “Esta é a verdadeira India!”, garantem amigos.

Não existem palavras para definir a beleza do que vi. O Taj Mahal, todo em mármore, uma história de amor. O mausoléu com o túmulo da mulher amada, construído pelo Shah Jahan, parece estar flutuando entre o céu e a terra. Foi cumprida a promessa de erguer o mais lindo de todos os mausoléus, para que os povos futuros nunca se esqueçam deste grande amor. Jaipur, Jodhpur e Jaisalmer, no deserto de Thar, completaram esta viagem extraordinária.

Da minha passagem pelo Rajastão, com seus palácios grandiosos e bazares populares, pessoas dormindo nas ruas entre vacas, verdureiros e vendedores de temperos, ficou no meu coração uma última imagem – aquele garoto de 13 anos, chamado Putish, condutor do nosso camelo no passeio pelo deserto.

Quando lhe dei duas bolachas, ele partiu em quatro e dividiu com os outros três condutores de camelos. Entre eles, um idoso de mais de 70 anos.

A India é assim: mesmo quem não tem divide.

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10 Comentários

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José Carlos de Oliveira 6 de março de 2017 - 19:22

Puxa, me deixou com vontade de ir ‘praquelas’ bandas, moça!!

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Maria Inês Alves da Rocha e Silva 23 de janeiro de 2015 - 11:18

Marcy querida amiga

Que experiência linda !. Na simplicidade de 2 bolachas estão os templos mais lindos construidos com a compaixão e amor.
Olhar a magnitude destas edificações lhe trouxe conhecimento, viver a yoga lhe trouxe a sabedoria.
Saudades
Maria Inês

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lisa santana 23 de janeiro de 2015 - 00:09

Sim, Marcy, fiquei enlevadíssima com seu relato, pois a Índia me encanta. Seja pela sua riqueza, sua pobreza, seus contrastes e principalmente pela sua espiritualdade que, ao meu ver, nada mais é que a valorização do humano e do divino que há em nós e que a prática das várias yogas enaltecem. Namastê.

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Claudia de Lamare 22 de janeiro de 2015 - 22:18

Adorei! Deve ter sido uma experiência incrível! Parabéns pelo lindo relato e imagens!
Beijos, minha querida!

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Angela 22 de janeiro de 2015 - 19:41

Marcy,querida que relato emocionante,senti até vontade de conhecer esse país ,quem sabe !
Abraços é um beijo no coração.Angela

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Graça Salgado 22 de janeiro de 2015 - 17:05

Oi, Marcy
Seu comovente relato de viagem dá vontade de visitar esse país maravilhoso. Um dia, quando eu estiver merecendo, ainda vou lá. E o blog está muito bonito. Namaste.

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Cristina Barbosa 22 de janeiro de 2015 - 16:29

Estou muito feliz pela experiência tão enriquecedora que foi essa viagem para voce !
Uma maravilha !

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Claudio Marcondes Machado 22 de janeiro de 2015 - 16:03

Lindo relato, bela experiência.
Saudades de voces.

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Ana 22 de janeiro de 2015 - 09:03

Um relato surpreendente. Não se trata apenas de uma viagem a um país mas tb uma verdadeira viagem emocional que coloca todos os nossos sentidos em alerta.

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Elza Cataldo
Elza Cataldo 22 de janeiro de 2015 - 08:47

Marcy, que delícia de relato! Suas palavras, associadas às lindas imagens, me trouxeram de volta a Índia que também conheci e amei. Abraços carinhosos.

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