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Ela quer que Igreja aceite ordenação de mulheres

Por Maya Santana

Irmã Priscila:  A Igreja é “uma das instituições mais machistas dos tempos de hoje"

Irmã Priscila: A Igreja é “uma das instituições mais machistas dos tempos de hoje”

Até agora, a gente tem ouvido poucas, muito poucas vozes em favor da abertura da Igreja Católica para permitir a ordenação de mulheres. A própria Igreja tem repetido que esse é um território ao qual a mulher definitivamente não tem acesso. Aos olhos de muita gente é um anacronismo. A Igreja está atrasada, não conseguiu acompanhar o mundo. Entre os que pensam assim estão a irmã Priscila Dutra Moreira, uma mineira, da Ordem Franciscana, diretora pedagógica do Instituto Francisca Paula de Jesus, no Méier, Zona Norte do Rio. Eu concordo com as ideias da irmã, expostas nesta entrevista do blog de ruth, da revista Época.

Leia a entrevista:

“O papa Francisco é muito fofo”, disse uma pequena peregrina no Centro do Rio. Mas, se a menina de cabelos castanhos e ondulados tiver vocação religiosa e quiser ordenar-se sacerdote, será barrada. “Essa porta está fechada”, afirmou Francisco em seu voo de volta do Rio. O papa tachou de “definitiva” a formulação feita por João Paulo II, que veta o sacerdócio feminino. Apesar de enaltecer Nossa Senhora (“Maria foi mais importante do que os apóstolos”) e comparar a Igreja a uma mãe que acalenta, o papa rejeitou a possibilidade de as mulheres assumirem funções mais altas na hierarquia. Não digo nem chegar a bispo ou papa, mas o Vaticano sequer cogita que uma mulher reze missa e consagre a hóstia. Mesmo assim, Francisco pregou um papel feminino mais ativo na Igreja e reconheceu ser necessário construir “uma teologia da mulher”.

Como o papa se mostra moderno e tolerante ao dizer que “a Igreja precisa sempre ser reformada” e se adaptar aos tempos, muitas religiosas mantêm a esperança de que, um dia, as mulheres tenham acesso ao exercício da eucaristia – e não apenas à evangelização das comunidades. Entre elas, está Priscilla Dutra Moreira, ou Irmã Priscilla, mineira, formada em Ciências Religiosas na Itália e com trabalho de campo em comunidades carentes na Bolívia. Atualmente diretora pedagógica do Instituto Francisca Paula de Jesus, localizado no Méier, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, ela acha a Igreja “uma das instituições mais machistas dos tempos de hoje”. Ligada à Ordem Franciscana, Irmã Priscilla, aos 50 anos de idade, espera que não sejam precisos mais 50 anos para que a Igreja abra essa porta para as freiras: “Ninguém vai dar isso a nós. Esses avanços não nos serão concedidos pelos homens ou pela Igreja. As mulheres terão que lutar para poder ampliar o seu trabalho religioso”.

– Como a senhora encara o papel das mulheres na Igreja e a proibição de rezar missas?
Irmã Priscilla – É uma lei de uma instituição, como tantas, originada na História. O papel da mulher na Igreja Católica fica meio escondido por ser uma instituição machista. Uma das mais machistas nos tempos de hoje. A questão não é apenas se uma freira pode ou não rezar missa. É mais ampla. Refere-se ao trabalho em si dentro da Igreja. Vários setores são assumidos apenas pelos homens: as tomadas de decisão, os postos dentro do Vaticano, os próprios vicariatos dentro das dioceses. Poder celebrar a missa seria o resultado de uma mudança geral, de fundo.

– Como trabalham as religiosas?
Irmã Priscilla – Nas periferias do mundo vemos muitas religiosas e poucos padres trabalhando. A mulher leva a palavra de Deus às pessoas, às comunidades. Ou seja, como vemos hoje, a prática do Evangelho pode ser feminina, mas a Eucaristia é vetada à mulher. A Igreja proíbe a mulher de consagrar a hóstia porque, para isso, ela dependeria do sacerdócio, um terreno reservado aos homens. A Igreja precisa acordar para mudar. Jesus pregava que a fé se realiza através da convivência, da promoção humana, e as mulheres já fazem isso com extrema dedicação e ternura.

– Religiosas podem celebrar casamentos?
Irmã Priscilla – Onde não há padres, o bispo autoriza a freira a celebrar casamentos e batizados. Porque esse é um serviço religioso que deve ser prestado à sociedade, não pode ser negado às pessoas.

– Por que, na sua opinião, a Eucaristia deveria ser aberta às mulheres?
Irmã Priscilla – A Eucaristia está relacionada com o pão, o alimento, a mesa. E é a mulher que serve a mesa. O papa já reconhece o papel da mulher. Foi Maria quem manteve unida a comunidade dos apóstolos. Os apóstolos se dissolveram, cada um foi para um lado, foi Maria que os juntou de novo. Clique aqui para ler mais.

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