
50emais
“As pessoas não se conformam que uma mulher da minha idade ainda trabalhe, se divirta, tenha vaidade. Como se a vida tivesse prazo de validade”.
É assim que a atriz Suzana Vieira, 82, reage ao etarismo, o preconceito de idade, manifestado principalmente contra mulheres que passaram dos 50 anos. Mesmo pessoas mais jovens, como Samara Felippo, com 47 anos, já são vítimas desse tipo de preconceito. No caso dela, porque resolveu assumir os cabelos grisalhos.
A discussão ganha ainda mais relevância em setembro, mês da campanha Setembro Amarelo, voltada à prevenção do suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida anualmente. A pressão estética, especialmente no ambiente digital, pode ser um dos fatores que intensificam o sofrimento psíquico.
Leia o artigo completo publicado por O Globo:
Eliana, de 52 anos, gerou repercussão nas redes sociais ao publicar um vídeo reunindo críticas que recebe com frequência sobre sua idade, corpo e aparência. No material, aparecem comentários como “engordou muito”, “tá velha”, “olha a barriga” e “está parecendo uma caveira”, frases que, segundo a apresentadora, ilustram a cobrança contraditória enfrentada por mulheres públicas em diferentes fases da vida. A publicação viralizou e reacendeu o debate sobre os padrões estéticos impostos às mulheres, o envelhecimento feminino e os impactos da violência verbal na saúde mental.
A discussão ganha ainda mais relevância em setembro, mês da campanha Setembro Amarelo, voltada à prevenção do suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida anualmente. A pressão estética, especialmente no ambiente digital, pode ser um dos fatores que intensificam o sofrimento psíquico, sobretudo quando acompanhada de críticas frequentes e exposição nas redes.
Leia também: A supermodelo que virou voz do envelhecimento natural
Para a psicanalista Jhulie Campello, o caso de Eliana evidencia uma questão social mais ampla: a dificuldade em lidar com a passagem do tempo, especialmente no corpo feminino.
— Na psicanálise, o corpo é entendido como o primeiro lugar de identidade. O envelhecimento da mulher toca em feridas coletivas, já que historicamente ela foi associada a ideais de beleza, juventude e fertilidade. Quando esse corpo envelhece, ele confronta a sociedade com a própria finitude e rompe um padrão ilusório de perfeição. Em vez de enxergar maturidade como potência, a mulher acaba reduzida à aparência, o que revela mais sobre o olhar social do que sobre ela mesma — explica.
Leia também: Preconceito de idade está por toda parte
Eliana não é a única figura pública a lidar com esse tipo de julgamento. Celebridades como Samara Felippo, aos 47 anos, que se orgulha dos fios grisalhos e declara: “Envelhecer é bom, é preciso ir encontrando novos prazeres”; Claudia Ohana, com 62, que diz com firmeza: “Você tem 60 anos e é sexy, faz sexo e paquera, sim”; e Xuxa Meneghel, aos 62, que defende uma imagem autêntica ao declarar “Minha imagem é minha imagem e faço dela o que eu quiser”, já passaram por ataques semelhantes e tornaram-se vozes ativas no combate ao estigma do envelhecimento feminino.

Susana Vieira, aos 82 anos, também tem se pronunciado contra o etarismo. Em entrevista, desabafou: “As pessoas não se conformam que uma mulher da minha idade ainda trabalhe, se divirta, tenha vaidade. Como se a vida tivesse prazo de validade”. Já Angélica, aos 51, refletindo sobre o amadurecimento, revelou: “Hoje me sinto segura, com histórias e aprendizados que me trouxeram até aqui.”





