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Mulheres que vivem sozinhas, mas não são nada solitárias

Por Maya Santana

Dona Neuza confecciona os brinquedos para crianças carentes

Neuza,74, viúva, vive sozinha há 10 anos

O exemplo de dona Carolina e dona Neuza, mostrados neste artigo de Carolina Samorano para o Correio Braziliense, é muito importante para todas nós que levamos uma vida independente e queremos continuar morando sozinhas depois dos 70 anos. As duas ficaram viúvas e desde então são donas absolutas de seu próprio espaço, que costumam dividir apenas com alguém que auxilia nos serviços da casa. O mais importante: elas se viram muitíssimo bem.

Leia o artigo:

Não há ninguém com quem dona Neuza Lamego divida o apartamento de dois quartos onde mora no Sudoeste se não com ela mesma. Não que uma companhia ande fazendo falta. No raro tempo em que passa em casa, é a empregada, com quem a aposentada conta há 14 anos, e as dezenas de palhacinhos coloridos feitos de sucata que moram no quarto de visitas — dona Neuza confecciona os brinquedos e distribui com crianças carentes — que lhe fazem companhia. Pode parecer solitário, mas não é. Morar sozinha foi opção de dona Neuza depois que o marido morreu, há 10 anos.

“Meu filho tem uma empresa e quatro filhos para cuidar. Você acha que eu vou pedir alguma coisa a ele?”, afirma, categórica. A família, no entanto, vive por perto. Os retratos dos dois filhos, oito netos e da primeira bisnetinha, de 1 ano, que dona Neuza exibe com orgulho, ocupam álbuns de fotografia e porta-retratos por toda a casa.

O apartamento em que mora hoje, na verdade, pertencia ao filho mais velho. Com a morte do pai, a família decidiu que seria mais confortável para Neuza se ela trocasse a antiga morada, maior e cheia de lembranças, por uma menor e mais aconchegante. Dona Neuza se instalou no apartamento do filho, e ele foi para um na Asa Norte, perto o suficiente para matar a saudade sempre que necessário, mas longe o suficiente para que cada um preservasse o seu espaço. “Não me senti sozinha com tudo o que aconteceu, até porque meu filho assumiu muito o lugar do pai depois da morte dele. Hoje, é ele quem cuida de mim.”

Castelo Branco

Carolina Castelo Branco, 84, vive só há mais de 30 anos

Mas só de vez em quando, porque na maior parte do tempo é a própria dona Neuza quem dá conta da sua rotina cheia de atividades. Aos 74 anos, ela é, como costuma dizer, uma “refém do carro”. É ele quem a leva e traz dos compromissos nas casas de caridade em que trabalha duas vezes por semana — hábito que mantém desde os tempos em que se mudou do Rio de Janeiro para Brasília, em 1977 — e nos encontros com as amigas durante a semana ou nas visitas aos médicos para cuidar dos exames periódicos de saúde. Uma vez ao ano, religiosamente, a aposentada se submete a um checape para se certificar de que tudo continua em ordem. E, até agora, vai tudo muito bem. “Peço a Deus que me dê muita saúde para que eu consiga continuar me virando”, torce.

Mas, se a família não precisa se preocupar com a saúde de dona Neuza, é ela quem se preocupa com a dos familiares. A aposentada deixou no Rio uma irmã, dois anos mais velha, que hoje também mora sozinha, em Saquarema, interior do estado, e não tem a mesma atenção com a saúde. “Ela tem pressão alta e, se eu ligo e ela não atende, quase morro de preocupação, mas ela também se recusa a ir morar com qualquer pessoa”, continua.

Teimosia que Neuza não pretende ter no futuro, se um dia precisar de atenção e cuidados extras. Embora ainda desnecessária, a preocupação com o que pode vir pela frente existe — e longe de tabus e preconceitos. “Eu vejo algumas das minhas amigas, já mais velhas, ficando dependentes, e começo a fazer minha cabeça. Se um dia precisar, devo colocar uma cuidadora no quarto de hóspedes”, planeja. “Iria também para uma casa de repouso. Mas não qualquer casa! Uma boa casa”, finaliza, com humor.

Uma cidadã do mundo

Aos 84 anos, Carolina Castello Branco tem mais carimbos no passaporte que a maioria das pessoas que se julgam viajantes assíduas. Pelo menos uma vez por ano, sai pelo mundo rumo a um novo destino com um grupo de amigas de uma agência de viagens para a terceira idade. Só nos últimos anos, Carol, como é chamada pelos amigos, esteve na Itália, nos Estados Unidos, na Rússia, na França, na Turquia e na Escandinávia. Fora os destinos em terras brasileiras: de vez em quando, visita os familiares em São Luís, no Maranhão, terra natal, ou a sobrinha em Salvador. No aniversário de 80 anos, um mapa múndi com os dizeres “Os caminhos por onde andei” e alfinetes por todos os lugares por onde já havia pisado enfeitavam a parede. Clique aqui para ler mais.

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3 Comentários

Regina 11 de janeiro de 2018 - 02:02

Moro só a 8 anos desde que meu marido morreu e me sinto muito bem

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Laudelina 10 de janeiro de 2018 - 13:33

Moro só a 17 anos, desde minha separação do pai do meu filho e avo do meu neto. Nunca senti vontade de morar com outra pessoa, seja como cônjuge ou simples amizade. Adoro ser dona do meu nariz e do meu controle remoto! Já tenho 70 anos, tenho minha religião, minhas leituras. ..Acima de tudo tenho a proteção de Jesus e dos protetores de luz! Nunca sinto solidão! Sou fã da liberdade e do Respeito. X.x.z

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Regina Sales 14 de dezembro de 2017 - 16:06

Que beleza…quando crescer, quero ser como a Carol. Viajar o mundo inteiro!!! Rsss…

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