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Ele só pisca os olhos, mas dá aulas na universidade

Por Maya Santana

Dr. Vanderlei Corradini Lima, 53, sofre de esclerose lateral amiotrófica

Dr. Vanderlei Corradini Lima, 53, com a professora Carla Malaguti. Ele sofre de esclerose lateral amiotrófica

Veja como a tecnologia aliada à criatividade pode gerar histórias maravilhosas como essa do médico Vanderlei corradini Lima, 53. Vítima de uma doença que foi limitando seus movimentos a partir de 2010, ele chegou ao ponto de mexer apenas com os olhos. Mesmo nestas condições, tornou-se professor convidado da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas. E está conseguindo interagir com os alunos.

Leia os detalhes nesse artigo publicado no site da UFJF:

Doença rara e degenerativa dos neurônios motores, a esclerose lateral amiotrófica tem ganhado atenção nas redes sociais, nas últimas semanas, com a campanha na qual celebridades tomam um banho de balde de água fria e fazem doações para chamar a atenção para a doença. Na Faculdade de Medicina da UFJF, o professor colaborador Vanderlei Corradini Simões de Lima convive com a doença desde 2010 e relata como superou os limites impostos por ela, dando aula por meio dos movimentos dos olhos com o auxílio da tecnologia. Alunos do curso destacam não somente o conteúdo abordado pelo professor nas aulas como os valores humanistas transmitidos.

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa que destrói neurônios motores responsáveis pela atividade de todo músculo voluntário, afetando desde a locomoção, até a respiração e a deglutição. Essa doença rara, que afeta 1,5 em cada cem mil pessoas, ainda não tem cura.

Depois de quatro anos de diagnóstico, convivendo com os efeitos irreversíveis e progressivos da doença, o professor Vanderlei de Lima já estava com todos os músculos voluntários paralisados, ficando restrito à cama e tendo preservados somente a visão e a audição. Mas, contrariando as probabilidades e se recusando ao título de “ex-médico”, buscou uma maneira de se manter ativo. Por meio de um equipamento ligado ao computador que permite ao usuário acessar todos os comandos e escrever somente com o movimento dos olhos, o médico redigiu o livro, intitulado “Eu e elas”. O plural feminino no título refere-se à música, à medicina e à própria doença.

Bem humorado, ele  mandou essa foto para o Uol, para ilustrar o artigo

O médico pos o chapéu para fazer uma brincadeira

“Sentir-se útil e partilhar experiências”

Em seu terceiro período como professor colaborador na Faculdade de Medicina, Lima ministra módulos a distância da disciplina Fisiologia Médica I. “Quando fui convidado para participar desse modelo de ensino fiquei muito feliz, pois me senti reintegrado à comunidade científica, com a qual sempre fiz questão de contribuir. A questão foi definir de que forma eu seria mais útil. Optei pelo enfoque psicossocial e por uma abordagem prática dos casos clínicos, para aproveitar minha experiência de 27 anos de medicina assistencialista. Assim, sentindo-me útil, me peguei gostando da vida novamente. Foi um verdadeiro renascer”, afirmou ele por e-mail.

O convite para que ele atuasse na UFJF veio da professora Carla Malaguti, responsável pela disciplina Fisiologia Médica I. “Vi as crônicas e depoimentos postados pelo Dr. Vanderlei nas redes sociais e logo pensei como poderia ser produtivo para ele e para os alunos compartilhar esse conhecimento. Ele respondeu prontamente minhas mensagens, afirmando que o fato de novamente se sentir útil e partilhar suas experiências seria muito bom e que assim ele se sentiria médico novamente”.

De São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, onde mora, o professor participa dos fóruns de discussão on-line através da plataforma Moodle do Siga UFJF, abordando aspectos psicobiossociais dos casos discutidos e respondendo as questões dos alunos. “Ele trouxe a riqueza das suas experiências profissionais, argumentando, apimentando e desafiando os acadêmicos a buscarem respostas”, explica a responsável pela disciplina. Clique aqui para ler mais.

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