Eles e elas estão adoencendo de tanto estresse

Por Maya Santana
Após uma cirurgia cardíaca, Luiz Afonso Romano começa os dias nadando

Após cirurgia cardíaca, o consultor Luiz Romano, 72, começa o dia nadando

Este excelente artigo de Viviane Nogueira, publicado em O Globo, fala dos executivos e executivas brasileiros que, segundo estudo, estão se alimentando de maneira mais adequada, mas enfrentam hoje uma carga de estresse bem maior do que anos atrás. Tanto o homem como a mulher estão sofrendo a consequência disso: “Em 1990, uma em cada nove mulheres tinha infarto ou fazia angioplastia (cirurgia de desobstrução de artérias) após os 50 anos. Hoje, uma em cada três passa por isso. Entre os homens, o problema aparece mais cedo: em vez de aos 50 anos, como em 1990, vem aos 35 anos”, afirma o estudo. Os números são impressionantes.

Leia o artigo:

De 1990 para cá, hábitos como ter uma boa alimentação, não negligenciar o sono e evitar o cigarro entraram na vida dos executivos brasileiros. Mas não compensaram o estresse, que segue como vilão implacável da saúde desses homens e mulheres. Dados de 50 mil check-ups apresentados na Academia Nacional de Medicina pelo médico Gilberto Ururahy, diretor médico da clínica Med Rio, mostram que, no intervalo de 24 anos, o que dependia tão-só de controle pessoal melhorou muito. Já doenças com algum fundo emocional, como hipertensão, depressão, gastrite e úlcera, pioraram.

A alimentação desregrada, comum entre 80% dos executivos em 1990, recuou para 60% em 2014, o que se refletiu diretamente no sobrepeso, que baixou de 60% para 45% no mesmo período. A insônia passou de 26% a 25%, e o tabagismo caiu de 35% para 5%, em homens, e de 40% para 12%, em mulheres. Com uma participação cada vez maior no mercado de trabalho, elas são as mais afetadas pelo nível de estresse, que, de 40%, passou a atingir 60% nestes últimos 24 anos, enquanto o dos homens permaneceu em 70% — maior, mas estável. Eles também conseguiram manter o consumo de bebida alcoólica num mesmo patamar, mas o delas subiu de 25% para 50%.

A hipertensão foi de 19% para 22%, neles, e de 12% para 20%, nelas

A hipertensão foi de 19% para 22%, neles, e de 12% para 20%, nelas

— No passado acreditava-se que os hormônios femininos protegiam as mulheres de doenças coronarianas, mas bastou elas se consolidarem no mercado de trabalho para que as doenças aparecessem — observa Ururahy.

De fato. Em 1990, uma em cada nove mulheres tinha infarto ou fazia angioplastia (cirurgia de desobstrução de artérias) após os 50 anos. Hoje, uma em cada três passa por isso. Entre os homens o problema aparece mais cedo: em vez de aos 50 anos, como em 1990, vem aos 35 anos.

MAIS DEPRESSÃO E HIPERTENSÃO

Diretora do Instituto de Psicologia e Controle do Estresse, em São Paulo, Marilda Novaes Lipp elenca depressão, pânico e ansiedade como males que também aumentam, já que as pessoas cuidam da saúde mas deixam de lado a carga emocional que a sociedade moderna impõe. Dados da pesquisa da Med Rio mostram aumento de 7% para 8% de depressão em executivos e executivas. E a hipertensão — que também tem a ver com fatores externos — foi de 19% para 22%, neles, e de 12% para 20%, nelas.

— O que hoje é considerado bom amanhã já não é. Isso exige prontidão 24 horas — constata. — Toda vez que o organismo tem que se adaptar a uma situação, isso gera estresse, e, como hoje o mundo é muito rápido e as adaptações são cada vez mais constantes, o estresse é maior. Clique aqui para ler mais.


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