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Em busca do filho, Zuzu enfrentou os militares

Por Maya Santana

Zuzu Angel lutou com todas as forças de mãe para encontrar o corpo do filho

“Uma Tiradentes de saia”. É como a filha, Hildegard, define Zuzu Angel


Esta é uma história das mais dramáticas dos tempos em que o Brasil era governado por militares, a partir da década de 1960 – 1964/1985: a peregrinação da estilista Zuzu Angel em busca do filho, Stuart, dirigente da organização de esquerda MR-8, preso, torturado e assassinado pelos órgãos de repressão em 1971, aos 26 anos de idade. Para escrever esta excelente reportagem, publicada pelo Estado de Minas, o jornalista Gustavo Werneck ouviu, entre outros, a filha de Zuzu, a colunista Hildegard Angel, para quem, “Minha mãe foi uma Tiradentes de saias, e Minas deve se orgulhar dela, pois foi a única, naqueles tempos de medo congelante, a levantar o queixo e apontar o dedo. Intimidava os poderosos.”

Leia a reportagem:

Ela não pôde segurar o filho morto nos braços, enxugar o suor e o sangue de seus poros e dar o beijo da despedida. Não jogou flores sobre o caixão, nem teve uma sepultura para visitar quando a saudade doeu fundo na alma. Até o fim de seus dias, a mineira de Curvelo Zuleika Angel Jones (921-1976), que entrou para a história e o mundo da moda como Zuzu Angel, foi guerreira e lutou com todas as forças de mãe para encontrar o corpo de Stuart Edgar Angel Jones, assassinado aos 26 anos, em maio de 1971, pelos órgãos de repressão, no auge da ditadura militar.

Stuart Angel era dirigente do MR-8

Stuart Edgar Angel Jones, assassinado aos 26 anos, em maio de 1971

No cinquentenário do golpe de 1964, que se completará na próxima segunda-feira, as lembranças se tornam mais doloridas para a jornalista Hildegard Angel, residente no Rio de Janeiro (RJ): “Minha mãe foi uma Tiradentes de saias, e Minas deve se orgulhar dela, pois foi a única, naqueles tempos de medo congelante, a levantar o queixo e apontar o dedo. Intimidava os poderosos. Isso foi notável. Meu irmão não deu a vida de brincadeira, nunca foi festivo. Era um legítimo”.

A estilista que trouxe para o país o termo fashion designer fez moda genuinamente brasileira e ganhou reconhecimento internacional, com matérias publicadas no New York Times e Le Monde. “Mas ela sempre dizia que preferia ser citada no Curvelo Notícias (CN) da terra natal do que em qualquer outro jornal do mundo”, recorda-se Hildegard, que no próximo dia 1º participará em São Paulo da abertura da mostra Ocupação Zuzu, inteiramente dedicada a todas as facetas da vida e obra da mineira ilustre. O conterrâneo, diretor-presidente do CN, Raimundo Martins dos Santos, de 84 anos, também lembra dessa declaração. “Zuzu era uma pessoa de bem com a vida, mas o fato de não encontrar o corpo do filho a deixava louca de tristeza.”

A família de Zuzu Angel, nascida Zuleika de Souza Netto, se mudou de Curvelo, quando ela ainda era criança, para Belo Horizonte, onde ocorreram fatos que agora são lembrados e divertem Hildegard. “No início da adolescência, foi expulsa pelas freiras do Sagrado Coração de Jesus por malcriação. Mais tarde, se sagrou campeã de natação e ‘nadou de braçada’ em tudo o que fazia. Mamãe sempre foi revolucionária, acho que de origem, e fazia questão de dizer que, em Curvelo, havia um lugar chamado Revólver Clube, isso bem antes de os Beatles lançarem um disco chamado Revolver e do surgimento da banda Guns N’ Roses.” Clique aqui para ler mais. Clique aqui para ler mais. Antes, ouça Angélica, a música que Chico Buarque e Miltinho, do MPB-4, fizeram para Zuzu Angel:

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