Diário

Empresário e professora universitária falam de sua quarentena

No isolamento, ele trocou a vida de empresário pela de “dono de casa”

O novo coronavírus segue mobilizando o mundo inteiro. É o assunto. E o que mais se fala é da necessidade da população se recolher em casa, pois não há medida mais eficaz no combate ao vírus, que já matou no Brasil 1.124 pessoas e infectou outras quase 21 mil.

Há uma parcela considerável da população cumprindo as orientações Ministério da Saúde e permanecendo em casa. Mas há uma outra que ignora totalmente a ordem para sair de circulação e não quer nem ouvir falar de luvas e máscaras.

Nesta manhã de sábado de aleluia, saí de carro pelas ruas de Santa Luzia, onde vim me esconder do virus. Fiquei perplexa: nem uma única pessoa de máscara e muita gente aglomerada nas portas, principalmente, das casas lotéricas e padarias.

O mesmo está se verificando em outras cidades, grandes e pequenas do país. É visível que cada vez mais pessoas estão abandonando o isolamento social.

Fila em padaria de Santa Luzia, nesta manhã, para comprar ovos de Páscoa: juntos e sem máscara. Foto: Cristiano Massara

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a reforçar neste sábado a sua recomendação para que todos fiquem em casa. Pouco antes, o Presidente Jair Bolsonaro havia voltado a dar um “rolezinho” em Brasília, provocando aglomeração. Retirou a máscara que usava e apertou a mão das pessoas.

Visivelmente, a população está confusa. Sair ou não sair? Na dúvida, muitos optam por burlar as regras de proteção contra o vírus. É por isso que tem tanta gente, na minha cidade e no resto do Brasil, de costas para o que o resto do mundo está fazendo.

Como ele e ela estão vivendo a quarentena

Luzia Werneck: “Vamos caminhando. Um passo de cada vez. Prudência e sabedoria”

Venho recebendo muitas histórias de como as pessoas, homens e mulheres, estão levando a vida nesse isolamento social que o coronavírus nos impôs e parece não terminar.

Hoje, escolhi dois relatos, ambos instigantes, mas completamente diferentes um dos outro. O primeiro, de Luzia Werneck, 61, professora universitária, é mais lírico, nostálgico, filosófico até. Leia:

“Primeira estrela que vejo dai-me tudo o que desejo”

“Maya, li a sua Odisséia e fiquei a pensar nos tantos e tantos quintais que criei no meu pequeno apartamento.

Rego e podo as plantas, tomo sol nas janelas, vejo as estrelas se achegarem ao anoitecer – e sempre digo: primeira estrela que vejo dai-me tudo o que desejo – frase declamada por tantas vezes na minha infância e adolescência. Recupero-a agora, nessa estrada desafiadora.

Vamos caminhando. Um passo de cada vez. Prudência e sabedoria. Solidariedade com todos do planeta. A hora é adequada para as andarilhagens internas e aprendizado.

“Vamos caminhando. Um passo de cada vez. Prudência e sabedoria”

Esperanço que Carlinhos e São se recuperem logo e possam andar pelos quintais, por enquanto somente a Alma vagueia pelos pés de mangas e canaviais.

Daqui um cadinho – todos nós vamos pular as pinguelas e cantar livres sobre os muros.

Quanta saudade!! Tanta felicidade nos nossos quintais!

Que Deus cuide de nós e os Anjos nos emprestem as suas asas para os devidos voos e pousos. “

Amanhã, acordar, levantar, começar tudo de novo… Socorrooooo!

Ze Maria de rodo e pano de chão: Vamos valorizar nossas domésticas

Já José Maria Scaldini Garcia, 70, empresário, descreve, com humor, o seu dia-a-dia, transformado inteiramente pela ameaça do novo coronavírus. Em casa, com a mulher, ele teve que aprender rapidamente a fazer um pouco de tudo. Leia:

“Está completando três semanas que : levanto, faço o café, parto dois pães, coloco mussarela dentro, ligo a torradeira, aguardo assar, coloco na mesa, minha esposa toma café, vou lavar as vasilhas, arrumo a cama de casal, passo pano (balde com água+água sanitária), limpo os banheiros, pego um pano e enxáguo na água sanitária, passo nas tomadas, interruptores, etc.).

Lavar diariamente os pratos do almoço e do jantar é uma tarefa que ele assumiu

Ajudo a esposa fazer o almoço, arrumo a cozinha. Aproxima-se o horário do café da tarde. Vou novamente fazer café. Obedecendo o rito da manhã, lavo os objetos sujos usados no café, guardo as vasilhas do almoço que secaram, suspiro, ufaaaaa.

Preparo o mexido da noite, arrumo a cozinha, coloco as vasilhas para secar, passo um pano na cozinha……. ahhhhh…..sento, dou uma olhada no WhatsApp. Dali a pouco, arrumo a cama para dormir. Rezar e 💤💤💤💤💤

Amanhã, acordar, levantar, começar tudo de novo… Socorrooooo! kkkkk

Vamos valorizar nossas domésticas”

Isolamento social com arte

Uma imagem que reflete bem os tempos que estamos atravessando

Olha que ideia teve esse artista: reuniu em um vídeo algumas das grandes obras da pintura universal que retratam à perfeição esses tempos estranhos de agora, quando vivemos nos escondendo de um vírus que não respeita fronteiras e obriga o mundo inteiro a viver numa espécie de prisão domiciliar. As pinturas, de outras épocas, parecem ter sido criadas para mostrar o que estamos vivendo. Veja:

https://youtu.be/nll5LTemjyQ
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