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Esse filme, A Bela Vida, chama a atenção não só por ter sido dirigido pelo lendário diretor grego Costa Gavras aos 90 anos como também pela escolha do tema.
Como descreveu um crítico, o filme do nonagenário diretor grego é um drama comovente sobre finitude, a nossa finitude. Sobre como o tempo passa e chega um momento em que a vida simplesmente acaba.
“Em diálogos entre um escritor e um médico de cuidados paliativos, o longa reflete sobre vida, morte e os laços que nos sustentam até o fim” – resume texto de divulgação do filme, que acaba de entrar em cartaz nos cinemas brasileiros.
Leia o que escreveu Marcelo Janot, crítico de arte de O Globo:
Um dos maiores nomes do cinema político e social de todos os tempos, o diretor grego Costa-Gavras chegou aos 90 anos refletindo serenamente sobre a proximidade da morte. “Uma bela vida” (“Le dernier souffle”, em francês “O último suspiro”), dialoga diretamente com a abordagem poética de Almodóvar sobre a eutanásia em “O quarto ao lado”.
O filme começa com a imagem da pintura “Morte e vida”, de Gustav Klimt, cortando para a de um aparelho de ressonância magnética em que o filósofo Fabrice Toussaint (Denis Podalydès) faz um exame de rotina. A aparição de uma mancha suspeita no pulmão leva o médico a sugerir uma biópsia, e isso desperta nele ansiedade e inquietações que culminam com o interesse sobre medicina paliativa. Ao conhecer o Dr. Augustin Masset (Kad Merad), autoridade no assunto, decide que esse será o tema de seu próximo livro.
Ao acompanhar o médico em sua rotina e ouvir histórias sobre os pacientes, Fabrice compreende que, ao contrário da medicina curativa, “aquela em que a morte significa fracasso”, a arte de ouvir é o melhor cuidado com os que não têm tratamento nem cura. Como filosofa uma produtora de TV interessada em um programa sobre a dupla, não se trata de “reparar os vivos”, mas de “acompanhar até o fim os que vão deixar de viver”.
As pequenas histórias de vida e morte que se sucedem, de uma jovem que ainda sonhava em viajar com o irmão à de uma cigana (Angela Molina) que quer se despedir com música, junto às reações de inconformismo das famílias frente à interrupção do tratamento, compõem um mosaico que indica que a melhor receita para oferecer conforto e paz aos pacientes terminais é respeitar individualidades.
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O que Costa-Gavras propõe com o filme, baseado em livro do filósofo Regis Debray e do médico Claude Grange, não é responder se existe uma melhor forma de morrer, mas sim estimular reflexão sobre o que isso significa. Se morrer pode ser uma arte, o diretor nos lega um belíssimo testamento cinematográfico sobre o tema.
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