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Setsuko Saito: aos 68 anos, o convite para ser modelo chegou de forma inesperada

Por Maya Santana

O convite para ser modelo chegou de forma inesperada

Setsuko Saito, 70, diz que, para ser uma boa modelo, “tem que colocar alma em cada trabalho. Tem que incorporar uma personagem, como se fosse atriz, para transmitir a mensagem que a marca quer”

Mais uma prova incontestável de que o mercado para modelos mais velhas vai se abrindo e absorvendo mulheres lindas, elegantes, que já passaram dos 50, 60, 70 anos. A modelo de quem falamos hoje está nessa faixa etária, 70 anos de vida, Setsuko Saito foi descoberta na rua há pouco mais de dois anos. Ela confessa que antes, tinha uma visão romântica do que é ser uma boa modelo. À medida em que foi se consolidando na carreira, sentiu na pele que a realidade era outra bem diferente. Isso não quer dizer que a profissão não seja fascinante. Depois de ter participado de boas campanhas de moda, hoje, o grande sonho de Setsuko é “desfilar na Europa.”

Veja o depoimento que ela deu a Mariana Toledo, para o Uol:

“Há dois anos eu estava passeando na Avenida Paulista, em São Paulo, quando fui abordada por um profissional de uma agência de modelos perguntando se eu já tinha pensado em seguir carreira no mundo da moda. Eu tinha 68 anos na época e achei aquilo surreal. Nem levei muito a sério.

Mas a mesma situação aconteceu outras duas vezes, na mesma avenida, por outras agências e pro fotógrafos. Foi aí que comecei a questionar: será que eu levo jeito?

Nunca me imaginei modelando. Nasci em Araçatuba, no interior, e me mudei para São Paulo ainda criança, com cinco anos. Quando adulta, me casei e tive três filhos, que hoje têm 41, 39 e 37 anos. Fui dona de casa a vida toda e, assim que fiquei viúva, comecei a fazer artesanato com plantas.

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O convite para ser modelo chegou de forma inesperada. Não aceitei de primeira, mas, depois, comecei a pensar a respeito. Não queria dizer sim sem antes pesquisar sobre a área e a agência que tinha me chamado, a Mega. Sabia que, se topasse, teria que levar a sério — fazer um book de fotos, o que demandaria um investimento da minha parte. Quando me senti preparada, demos início ao trabalho.

Durante um ano, fiz alguns trabalhos pequenos. Aí aprendi que a carreira de modelo demanda paciência. Tem que ter persistência e certeza de que você realmente quer fazer isso.

Meu primeiro trabalho grande foi com a Natura. Lembro de chegar ao estúdio me sentindo tão leve que isso se refletiu no resultado final. Elogiaram a minha naturalidade e perguntaram onde eu estava escondida esse tempo todo.

Com o meu primeiro cachê, comprei um celular novo. Fazia tempo que queria trocar de aparelho e fiquei feliz de ter conseguido comprar sozinha. Depois, também investi em cremes para o rosto.

“Ser modelo me tornou mais vaidosa”

Entrei na carreira de modelo pensando que era só fazer caras e bocas e não é assim — tem que colocar alma em cada trabalho. Tem que incorporar uma personagem, como se fosse atriz, para transmitir a mensagem que a marca quer. Por isso, fiz curso de atuação, de passarela e aprendi passos básicos de dança. Isso tudo tem sido muito motivador — são coisas que eu jamais iria fazer. Agora quero estudar inglês. Meu sonho é desfilar na Europa.

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Ser modelo me tornou mais vaidosa. Antes, eu passava um batom e olhe lá. Nunca tive esse tipo de vaidade — havia feito as unhas só para o meu casamento, não sou fã de salão de beleza e não ligo muito para roupa e sapato.

Minha vaidade é outra. Gosto de cuidar da minha saúde e da minha alimentação. Minha família é japonesa e minha criação foi baseada nos costumes orientais. Se ficasse doente, não me davam remédios, e sim chás. Sempre foi tudo muito natural. Não digo que por conta da carreira me sinto pressionada a me cuidar mais. É uma responsabilidade que eu me exijo.

Hoje, me cuido do dedão do pé até o último fio de cabelo — que, aliás, eu nunca pintei ou fiz qualquer tipo de química. Dá trabalho, é um ritual diário. Passei a tomar vitaminas para fortalecer as unhas, a prestar mais atenção nos produtos para o cabelo e comecei a fazer academia. Nunca tinha feito e peguei gosto. Passei a me sentir muito mais disposta e flexível. Faço aulas de abdominal, alongamento e pilates, que eu amo.

Com a chegada da pandemia eu parei de ir à academia diariamente e, claro, os trabalhos também desapareceram por um tempo. Fiquei literalmente trancada em casa — meus filhos não me deixavam ir nem até o portão. Voltei a trabalhar em agosto do ano passado tomando todos os cuidados. Afinal, estou com 70 anos e sou do grupo de risco para a Covid-19.

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Quando voltei a trabalhar, percebi como gosto de ser modelo. Parece que você se reinventa a cada dia, que vivo vidas diferentes. Modelar me traz a sensação de que estou viva, de que posso fazer acontecer.

Com cachê ou sem, sempre dou minha alma por cada trabalho. Uma vez que aceito, me comprometo a dar o meu melhor. Já desfilei na São Paulo Fashion Week e trabalhei com marcas muito legais, como a Natura, C6 Bank, Motorola, iFood, Authentic Feet. Ser modelo ampliou minha visão de mundo e minha aceitação com o outro.

O mundo da moda hoje está bem diferente. A única vez que senti olhares desconfiados foi no meu primeiro desfile e por parte de modelos adolescentes. Hoje vejo que tem muito mais espaço, que há trabalho para todos. Mas quem quer ser modelo não pode ir na ilusão, achando que as coisas vão acontecer de uma hora pra outra. Tem que ir com fé, mas com responsabilidade antes de tudo”.

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