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Envelhecer não é o fim da vida, mas o início de um novo ciclo

Por Maya Santana

Integrante do grupo de divas dance da academia Vip Training, no Lago Sul, Maria Helena Muniz, de 74 anos, quase não para quieta: "Não temos de ficar sentados esperando a morte chegar", diz

Integrante do grupo de divas dance da academia Vip Training, no Lago Sul, Maria Helena Muniz, de 74 anos, quase não para quieta: “Não temos de ficar sentados esperando a morte chegar”, diz

Maya Santana, 50emais

Quem quiser ter uma visão geral da situação em que vivem as pessoas que já passaram dos 60 anos no Brasil precisa ler esta série de reportagens publicada pelo Correio Brasiliense. As reportagens mostram que o país não está sabendo lidar com os problemas apresentados pelo número cada vez maior de brasileiros que ultrapassam a sexta década de vida, como depressão, dependência química, demência e outras complicações psiquiátricas. Mas, se o retrato da assistência à saúde mental na velhice no Brasil parece sombrio, idosos ouvidos pelo jornal mostram que essa fase da vida pode ser plena. Para que seja assim, antes de qualquer coisa, é preciso que o idoso tenha uma vida ativa.

Leia:

A agenda de Marlene Cerqueira, 82 anos, é tão apertada quanto a de um executivo. Da hora em que acorda à que vai dormir, ela está sempre envolvida com atividades da Associação dos Idosos Paz e Amor do Cruzeiro Velho, centro de convivência que preside. Railda Cândido Azevedo, 79, também não gosta de ficar parada. De segunda a sexta-feira, passa as manhãs na academia. Pela tarde, supervisiona as obras do apartamento em que mora, encontra os amigos, faz palestras motivacionais e planeja seu hobby favorito: viajar. Já o casal Vanilda e Jorge Dias, 70 e 66 anos, respectivamente, valoriza o encontro com a família, o trabalho voluntário na igreja e as noites de dança, uma paixão que os dois nutrem. Para todos eles, envelhecer não é o fim da vida, mas o início de um novo ciclo.

Nesta série de reportagens, o Correio revela os desafios de ser idoso em um mundo que, embora cada vez mais longevo, ainda supervaloriza a juventude, voltando as costas a uma parcela significativa da população. Na opinião de especialistas, pouco se faz pela saúde mental de homens e mulheres que passaram dos 60 anos — problemas como depressão, dependência química e suicídio crescem nas faixas etárias mais avançadas, e as políticas públicas não acompanham essa escalada.

Se o retrato da assistência à saúde mental na velhice parece sombrio — não à toa, optou-se por publicar as páginas da série de reportagens Esquecida mente em preto e branco —, os idosos mostram que essa fase da vida pode ser colorida. O envelhecimento ativo, um conceito cunhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e ainda desconhecido da população brasileira, parte do princípio de que a idade não deve excluir o indivíduo da sociedade. Ser ativo, nesse caso, é mais do que fazer caminhadas matinais. É manter a autonomia, fugir do isolamento, desafiar a mente, mesmo que existam limitações físicas e cognitivas.

Marlene Cerqueira, 82, tem uma vida ativa: vestida a caráter numa festa junina

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Prevenção de doenças

“O envelhecimento ativo ou saudável é um processo que envolve prevenção e controle de doenças, o cuidado com comportamentos de saúde, estar em atividade, produtividade e participação social, exercitar a memória e o raciocínio, ter objetivos e metas”, enumera a pedagoga e mestre em gerontologia Wanda Patrocinio, autora do artigo Atividades práticas para o envelhecimento ativo, publicado na Revista Kairós Gerontologia, da Universidade de São Paulo (USP). “Deve-se romper com o preconceito de ‘ser coitadinho’ e aceitar o idoso na qualidade de cidadão com necessidade de acolhimento, compreensão, liberdade para realizar seus desejos, participar de decisões familiares, proteção de riscos e promoção da saúde”, ensina Raimunda Magalhães da Silva, coordenadora do doutorado em saúde coletiva da Universidade de Fortaleza.

Pesquisas mostram que estimular o cérebro com atividades sociais evita ou retarda o declínio da mente (leia entrevista abaixo). Além disso, pode prevenir a depressão, um mal que, no Brasil, afeta principalmente a faixa dos 60 aos 64 anos e que está associado a problemas como demência, dependência química e suicídio. Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com 264 idosos que se dedicavam a tarefas como trabalho voluntário em igrejas, escolas ou associações, jardinagem e cuidados com animais mostrou que 69,3% deles estavam satisfeitos com a vida, mesmo no caso de sofrerem de algum problema de saúde. Outro estudo recente, da Universidade do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, indicou que a prevalência de sintomas depressivos é menor em idosos que trabalham, participam de grupos, fazem trabalhos manuais, leem e costumam conversar com amigos.

Marlene Cerqueira sabe a importância desses hábitos. Ela começou a frequentar a Associação dos Idosos Paz e Amor do Cruzeiro Velho na década de 1980 para acompanhar a mãe. De lá para cá, vivenciou muitas perdas, incluindo a de um filho, que morreu aos 34 anos, do marido e da irmã, de quem era muito próxima. “As perdas são todas dolorosas, mas de um filho não tem igual. O apoio do grupo foi o que me deu força. Eu tinha de preencher meu tempo com alguma coisa para não sofrer tanto”, conta. Depois de viúva, Marlene resolveu que já passava da hora de aproveitar mais a vida. “Eu cuidava de casa, marido e filho, e esquecia de mim. Agora, minha agenda é cheia”, diz. De acordo com ela, o estereótipo da velhice está ultrapassado. “Já foi o tempo em que a pessoa envelhecia, pegava um terço e ia fazer crochê. Hoje, a terceira idade quer se divertir, aproveitar o resto da vida.” Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

Envelhecer não é o fim da vida, mas o início de um novo ciclo | JETSS – SITES & BLOGS 27 de março de 2017 - 19:34

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