Envelhecimento no Brasil está mais rápido

Por Maya Santana
Mais de 60 eram 15,5 milhões em 2001; passaram para 23,5 milhões em 2011

Mais de 60 eram 15,5 milhões em 2001; passaram para 23,5 milhões em 2011

O bônus demográfico, período em que a população ativa é mais numerosa, é visto como um grande desafio para governos e empresas brasileiras. Ao contrário da Europa ou Japão, países considerados maduros, com uma população idosa significativa, o Brasil tem muitos jovens para contribuírem com a previdência oficial e assim garantir o pagamento dos benefícios dos idosos. No entanto, até isso está mudando. “O tão falado bônus demográfico brasileiro já acabou”, afirma o jornalista Jorge Felix, especializado no tema longevidade e autor do livro “Viver Mais”.

Entre tantas estatísticas sobre o tema, uma comprova que o Brasil está envelhecendo num ritmo acima da média global. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as condições de vida da população brasileira, divulgada no fim de novembro, o crescimento no número de idosos no país é preocupante. Passou de 15,5 milhões de pessoas em 2001 para 23,5 milhões em 2011. A fatia de pessoas nessa faixa etária, dentro da população brasileira, passou de 9% para 12,1% no período.

Para os leigos no assunto, o pequeno movimento pode não significar grandes mudanças. Mas para os especialistas, significa problemas no futuro se nada for feito para preparar o país para lidar com uma população de pessoas acima de 60 anos mais numerosa do que pessoas jovens. David Bloom, professor de economia da Universidade de Harvard, diz que o Brasil terá 64 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2050, enquanto aqueles acima de 80 anos serão 14 milhões. “Ou seja, a pirâmide brasileira estará como a da Grécia, que hoje enfrenta o problema de sustentar os mais velhos, diante do alto déficit público.”

Os números do IBGE mostram que o índice de envelhecimento é calculado por meio da relação entre o número de pessoas de 60 anos ou mais de idade para cada cem pessoas de menos de 15 anos de idade. E aqui está a preocupação dos especialistas. O estudo mostrou que o índice no Brasil em 2011 chegou a 51,8, acima dos 48,2 da média mundial. Como ilustração, o número significa dizer que no Brasil em 2011 havia cerca de uma pessoa de 60 anos ou mais de idade para cada duas de menos de 15 anos de idade. “O Brasil não fez o dever de casa. Não tem uma taxa de poupança suficiente, não tem nível de educação esperado e um ritmo muito acelerado do envelhecimento populacional. Então, o bônus demográfico já passou. A janela de oportunidade já passou”, diz Félix. Leia mais em www.valor.com.br


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