Erveiras passam conhecimento através de gerações de mulheres

Por Maya Santana
Beth Cheirosa ou Cheirosinha é uma das erveiras mais conhecidas de Belém

Beth Cheirosa ou Cheirosinha é uma das erveiras mais conhecidas de Belém

Luana Laboissiere, G1

No mercado Ver-o-Peso, em Belém, turistas de todo lugar chegam atraídos pelas cores, perfumes e sabores das frutas, peixes, pimentas e ervas que vêm da Amazônia. Figuras populares, as vendedoras de ervas conquistaram seu espaço no mercado e na cultura paraense comercializando os segredos da floresta, sob forma de pomadas, banhos, “garrafadas” e atrativos que garantem o amor e a boa sorte.

O conhecimento tradicional que tem como laboratório os quintais das casas é marcante entre as populações indígenas, caboclas e quilombolas da região, e tem nas mulheres as figuras centrais na permanência desse legado.

“O trabalho com as ervas é considerado uma atividade essencialmente, em sua maioria feminina até porque isso se dá no espaço doméstico, nos quintais agroflorestais, ambiente que elas dominam e onde fazem o cultivo e a coleta. Na Amazônia, assim como em outras culturas, historicamente, às mulheres não é delegada a pesca ou caça; a elas cabe a função coletora”, pontua a professora Denise Cardoso, do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA) e uma das coordenadoras do “NósMulheres”, grupo de pesquisa que se dedica a estudos de gênero.

De acordo com a pesquisadora, embora os homens também exerçam o trabalho, seja como erveiros ou benzedores, as mulheres acabam agregando um diferencial em suas vendas: a sensibilidade.

“Muitas clientes procuram as erveiras porque buscam ser ouvidas, buscam a empatia, sabem que quem as ouve é capaz de se colocar no lugar delas e assim ajudá-las a solucionar um problema, através dos banhos, das poções. Elas têm ‘entrada’ para relatar suas questões físicas íntimas, da sua sexualidade, da sua afetividade, o que normalmente não encontram no consultório do médico, que apenas compreende o corpo físico dessa mulher”, explica a professora.

Tradição que se aprende em casa
Aos 27 anos, Simone Souza é uma das mais jovens vendedoras de ervas do mercado do Ver-o-Peso. A barraca estampa o nome da mãe, Sueli, com quem aprendeu os nomes de cada uma ervas, assim como os seus usos.

“Desde mocinha me interessei pelo trabalho da minha mãe, via como ela fazia as misturas, o que usava, e tudo a gente vai aprendendo de boca, assim como ela aprendeu com a minha vó, que já entendia e mexia com as ervas quando ainda morava no interior. Às vezes eu vinha acompanhar minha mãe no Ver-o-Peso, porque também estudava, mas há quatro anos estou exclusivamente atendendo a freguesia”, conta.

Além da barraca, Simone também herdou da mãe a clientela, que garante confiar nos conhecimentos da erveira que convida o público para o seu ponto com um sorriso tão farto quanto os itens à venda no pequeno espaço. Clique aqui para ler mais.


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