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Escritor dá receita para ser feliz em 2015

Por Maya Santana
Alguém poderia indagar, o que é felicidade? Eu respondo, citando e adaptando Santo Agostinho: “Quando não me perguntam, eu sei; mas se me perguntam, e quero explicar, não sei mais nada”

Alguém poderia indagar, o que é felicidade? Eu respondo, citando e adaptando Santo Agostinho: “Quando não me perguntam, eu sei; mas se me perguntam, e quero explicar, não sei mais nada”

Uma crônica do premiado escritor mineiro Luiz Ruffato, publicada pelo jornal El País, muito própria para esta época, quando estamos todos mais propensos à reflexão: um ano acabou de findar e outro se abre em seus primeiros dias. Ótima leitura!

Leia:

Por uma questão de hábito, os últimos suspiros de um ano e os inaugurais de outro são momentos destinados à reflexão, mesmo que as conclusões a que cheguemos explodam nos céus junto com os fogos de artifício. Não me quero diferente: portanto, nesta derradeira coluna de 2014 e primeira de 2015, gostaria de oferecer algumas considerações a respeito de nossa estadia no mundo, provisória, precária, fugaz, baseadas numa constatação inicial, óbvia, mas quase sempre ignorada, de que o objetivo final de todos nós é alcançar a felicidade. (Mas, alguém poderia indagar, o que é felicidade? Eu respondo, citando e adaptando Santo Agostinho, cujas palavras referem-se na verdade ao conceito de tempo: “Quando não me perguntam, eu sei; mas se me perguntam, e quero explicar, não sei mais nada”).

Nascemos para a morte – eis uma verdade indiscutível. Nosso vagido preliminar não deixa de ser um grito de angústia: obrigados a deixar o conforto de uma relação literalmente umbilical com nossa mãe, que nos proporciona alimento, segurança e afeto sem que tenhamos de nos esforçar quase nada, somos violentamente jogados num mundo adverso ao qual demoramos a nos ajustar, sendo que muitos não se ajustam nunca. Cada dia vivido é uma marca que imprimimos na parede da nossa existência. Se admitimos que só contamos com essa oportunidade – eu pelo menos não creio em vida após a morte, nem em reencarnação –, então temos que tornar nossa passagem pela Terra a mais suave possível.

Portanto, nosso corpo é sagrado, o invólucro de que se reveste nossa essência. E, a rigor, trata-se do único bem material que possuímos de maneira efetiva. Todos as coisas que acumulamos são acessórias e acidentais: podem até nos proporcionar momentos de intensa alegria, mas não satisfazem nossa indigência espiritual. A felicidade que almejamos ultrapassa as necessidades comezinhas, embora não as despreze, pois apenas um corpo saudável, física e intelectualmente, resiste para subsistir no tempo, quando nos transformamos em memória. E se nosso corpo é sagrado, todos os corpos que nos cercam também o são. Segue daí que é na interseção entre eu e o outro que legitima-se o mundo: no ato de reconhecer o outro como igual a mim mesmo, de compadecer com a dor alheia, de regozijar com a conquista alheia. É o outro, enfim, que nos concede o estatuto de ser humano em plenitude. (“Nenhum homem é uma ilha isolada”, escreveu o poeta e ensaísta inglês John Donne, no século XVII). Clique aqui para ler mais.

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