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A esplêndida Travessia, na voz de Milton Nascimento, faz 50 anos

Por Maya Santana

Nascido no Rio e criado em Mnas, o cantor vai completar 75 anos em outubro

Nascido no Rio e criado em Mnas, o cantor vai completar 75 anos em outubro

Maya Santana, 50emais

Quem não se recorda da voz clara e profunda de Milton Nascimento cantando Travessia no Festival Internacional da Canção (FIC), em 1967? Eu, lá com os meus 16 anos, me lembro muito bem. A música, composta pelo próprio Milton e Fernando Brandt, ficou em segundo lugar do FIC e entrou na lista das mais bonitas do nosso cancioneiro. Gravada apenas três anos depois do golpe militar de 1964, Travessia faz leve menção à ditadura que se instalou no país – “Minha casa não é minha e nem é meu este lugar…” Foi gravada por grandes nomes da música: além de Milton, Elis Regina e Sarah Vaugnham, entre outros. E permanece um monumento musical.

Leia o artigo do jornal El Pais:

Em abril de 1972, os membros do Weather Report viajaram para o Rio de Janeiro para tocar no Teatro Municipal. Wayne Shorter, que havia comprado em uma loja de discos de Los Angeles o LP Courage, tinha muita vontade de conhecer seu autor: Milton Nascimento. Shorter soube por um jornal que o músico brasileiro estava apresentando um disco intitulado Clube da Esquina no Teatro Fonte da Saudade e foi até lá com seus colegas da banda.

Voltou outras noites, assim que terminou seus compromissos no Municipal. Caetano Veloso, recém-chegado do exílio, foi levado ao teatro por Gal Costa, que repetia porque tinha achado o show genial. Caetano diz que, embora impressionado com sua beleza nobríssima de máscara africana, sua atmosfera celestial e triste, e sua aura mística e sexual, nesse dia não foi capaz de detectar a grandeza de sua música. Nos camarins, Shorter disse a Milton: “Quero fazer um disco com você”. Native Dancer levaria quase três anos para ser gravado, mas em sua capa, sob o nome do saxofonista, se pode ler, em caracteres um pouco menores. “Participação especial de Milton Nascimento”.

Completam-se agora cinquenta anos do primeiro disco de Milton. Foi impresso no pequeno selo Codil e contou com a participação do Tamba Trio, do pianista e arranjador Luiz Eça e dos arranjos de Eumir Deodato. O título de Travessia, canção com letra de seu amigo Fernando Brant, foi extraído do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa: é a última palavra do livro. Com ela Milton Nascimento se apresentou no Festival Internacional da Canção (FIC) e se tornou conhecido no Brasil. Existem gravações de Travessia –em inglês, Bridges, de Sarah Vaughan, Tony Bennett ou Björk. Também foi cantada por Elis Regina, que chegou a dizer que, se Deus tivesse voz, era a de Milton.

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1 Comentários

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ana 14 de julho de 2017 - 20:29

linda matéria!

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