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Está tudo ficando velho. Cada vez mais cedo, tudo fica obsoleto

Por Maya Santana

“tempos líquidos. Nada é feito para durar”

Maya Santana, 50emais


Este artigo de Luiz Henrique Matos, do Estadão, fala de um assunto bem atual: como tudo à nossa volta está ficando obsoleto, fora de moda, parou de ser fabricado. A justificativa é que ficou velho e precisa de renovação. Essa filosofia está sendo levada às últimas consequências. Por isso, o autor nos convida a uma reflexão: “Fabricamos produtos para que fiquem velhos o quanto antes. E fazemos isso de propósito. Nunca falamos tanto em sustentabilidade e em salvar o planeta, mas na contramão dessa discussão, nunca produzimos tanto lixo. Tudo é materialista e imediato.” Vivemos “tempos líquidos. Nada é feito para durar”, já lembrava o sociólogo polonês, zygmunt Bauman, morto em janeiro de 2017.

Leia o artigo:

Já percebeu? O DVD, que tanto celebramos e comprávamos em caixas bacanas para dar de presente ou assistir em nossos home theaters, já ficou velho (“home-o-quê?” pergunta minha filha enquanto me embanano em pronunciar “theater” apropriadamente). O CD também ninguém usa mais. Fitas cassete são objetos de análise em vídeos na internet em que se mostram coisas para crianças que elas nunca viram na vida. O vinil sempre foi velho e continua sendo velho hoje. E o Blu-Ray, já viu? Tenho pena do Blu-Ray, porque, no fundo, nunca foi novo. O Blu-Ray é o Benjamin Button das mídias e pode até ser que um dia, de tão velho, fique novo.

Eu estou ficando velho. Quando comecei a escrever o primeiro rascunho deste texto, uma ideia solta num papel, lá em 2015, eu tinha feito aniversário há dois dias. Estava ficando mais velho e essa questão me ocorria então. Hoje, estou mais. As costas doem se não durmo na posição certa e com um travesseiro entre os joelhos, minha barba tem vários fios prateados, voltei a usar óculos em tempo integral e pessoas de 18 anos, que durante a minha infância eram o ponto alto da vida adulta antes de alguém se tornar definitivamente velho, agora me chamam de tio.

O leite de hoje é longa vida mas dura cada vez menos, um centroavante se aposenta com menos anos do que eu tenho de idade, os aparelhos de TV só duram o intervalo entre uma Copa do Mundo e outra (antes, eram vendidos com garantia estendida por três edições), nossos celulares cheios de recursos que adoramos ostentar mas nem chegamos a usar ficam ultrapassados em poucos meses, o pãozinho já sai da padaria vencido, nossas amizades duram a eternidade de um clique, uma curtida e acabam ao primeiro comentário mal interpretado.

A verdade é que nada mais é feito para durar. Fabricamos produtos para que fiquem velhos o quanto antes. E fazemos isso de propósito. Estamos em uma sociedade de consumo. Nunca falamos tanto em sustentabilidade e em salvar o planeta, mas na contramão dessa discussão, nunca produzimos tanto lixo. Tudo é materialista e imediato.

A Cinira, que trabalhou aqui em casa por alguns meses, quando me via descartando um produto com prazo de validade vencido, costumava dizer: “Sêo Henrique, joga fora isso não. O que vence é a embalagem, não o produto”. Mas infelizmente a gente vive numa sociedade em que a embalagem vale mais do que a essência.

Vivemos a era da obsolescência.

Tudo precisa ficar velho logo para que possamos nos preocupar em consumir o item de série mais novo. Porque vendemos a juventude como ideal. Note que essa é a única época na história da humanidade em que envelhecer é ruim. Até pouquíssimo tempo, velhice era sinônimo de sabedoria e maturidade. Pessoas viviam menos anos do que hoje, mas compreendiam e desfrutavam das etapas e ciclos que a vida lhes impunha. Objetos e itens de alto valor eram os que duravam muitos anos. Geladeiras, carros, calças jeans, relógios… o que tinha valor era o que se mantinha funcionando por 20 ou 30 anos. Clique aqui para ler mais.

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