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Eu assedio, tu assedias e brindamos com o uiscão da canalhice

Por Maya Santana

(Da esquerda para a direita): Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Cara Delevingne, Lea Seydoux, Rosanna Arquette, Mira Sorvino são algumas das atrizes que acusam o produtor de Hollywood Harvey Weinstein de assédio sexual

Maya Santana, 50emais

Muito bom ver um homem escrever sobre machismo, não para defender, mas para denunciar esse comportamento retrógrado. É o que faz neste artigo o jornalista Xico Sá, tomando como exemplo o caso do poderoso produtor de Hollywood Harvey Weinstein. O brutamontes vive os piores momentos de sua vida desde que foi desmascarado publicamente, através de reportagens de jornais, como abusador doentio de mulheres. Desde que o escândalo ganhou o mundo, com inúmeras atrizes famosas apontando o dedo para o produtor, além de ser demitido da empresa que ele próprio ajudou a fundar, Harvey foi abandonado pela mulher e está sendo processado por assédio e abuso sexual. “É preciso desmantelar essa ciranda de malungo, uma dança na qual eu assedio, tu assedias, nós assediamos e juntos brindamos com o uiscão da canalhice, diz Xico Sá, acrescentando: ” Sabemos que não é missão fácil. Somente assim, meu velho, começamos a ver o efeito da demolição da cafajestagem”.

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Passe 45 minutos em um boteco -o tempo de uma partida de futebol- e você verá como a tal da desconstrução do macho é uma obra lenta nas mãos de um pedreiro relapso, do tipo que falta sempre ao serviço e não dá satisfação no dia seguinte. Nem carece chegar à quinta rodada de chope para a testosterona do atraso empestear o ambiente. Não escapa sequer o mais metido a consciente dos esquerdomachos. Garçom, mais uma!

É, amiga, cada vez que você pensar que estamos avançando na marcha da história, plante um gravador na mesa dos distintos cavalheiros. Escute depois a delação premiada. Vale por um tratado acadêmico de psicologia masculina.

O poderoso produtor de Hollywood, Harvey Weinstein. Abusivo, cavou a própria cova

Desculpa, querida, esta não é a crônica das ilusões perdidas. Sigamos acreditando, mesmo em câmera lenta, na evolução da macharada. Repare no exemplo do cineasta Quentin Tarantino e suas confissões fumegantes sobre o amigo Harvey Weinstein, acusado de assediar sexualmente várias atrizes de Hollywood. Num mundo macho onde a gente costuma silenciar ou passar o pano para os bons companheiros, o cara do Pulp Fiction deixou, no mínimo, um mea-culpa de responsa: “Quem dera eu tivesse assumido a responsabilidade pelo que havia escutado”.

Até então tudo era silêncio dos nada inocentes rapazes do cinema. Um bom sinal, embora a gente careça muito mais. O que não falta é caso do gênero na firma, com ou sem o falso glamour artístico. É preciso desmantelar essa ciranda de malungo, uma dança na qual eu assedio, tu assedias, nós assediamos e juntos brindamos com o uiscão da canalhice. Sabemos que não é missão fácil. Somente assim, meu velho, começamos a ver o efeito da demolição da cafajestagem.

No ritmo de jogo de hoje, chega o apocalipse e não saímos do canto. Que fracasso coletivo. O momento não é de testosterona, no sentido de bater o pau na mesa, caro Ciro Gomes, o momento é de não se omitir diante dos Harvey Weinstein que arrotam suas pabulagens pelos corredores da firma. Caso contrário, voltamos ao botequim de sempre e, assim como a plaquinha do fiado, está lá escrito, eternamente, “macho em desconstrução só amanhã”.

Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de “Os machões dançaram -crônicas de amor & sexo em tempos de homens vacilões” (editora Record). Comentarista dos programas “Papo de Segunda” (GNT) e “Redação Sportv”.

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1 Comentários

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Cristiane Oliveira Santos 26 de outubro de 2017 - 08:48

Infelizmente esse tipo, está longe de acabar, pois conheço homens que não bebem e não fumam,porém dançam direitinho essa ciranda por trás dos bastidores, se fingindo de Santo, pra não levantar suspeita, nesta ciranda maligna, cafajestes sempre procura um jeitinho de alimentar seus instintos selvagens trazendo a tona seus sentimentos mais sujos enganando todos ao seu redor, já ouvi muitos relatos de mulheres que já passaram por situações semelhantes, mais sempre eles vão deixar um rastro e cheiro da sua alma podre e suja, deixando sua máscara cair em qualquer lugar, ñ sou feminista mais por experiência de vários relatos cheguei a essa conclusão, pau que nasce errado é muito difícil concertar, a escolha é pessoal e individual, a decadência humana já chegou no seu limite, não existe hora nem lugar pros cafajestes agirem, muito vergonhoso, a carne o material estão destruindo muitas vidas por conta de controle dos instintos animais de muitos, a humanidade voltou ao seu declínio de caráter, dando lugar ao que existe de pior dentro de si.

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