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Eu redescobri o gosto por sexo quando já tinha 60 anos

Por Maya Santana

Isabel Dias: Quando é que uma mulher perde o interesse sexual, o desejo, o tesão? Aos 60? Aos 70?

Isabel Dias: Quando é que uma mulher perde o interesse sexual, o desejo, o tesão? Aos 60? Aos 70?

Este é um depoimento forte de uma mulher corajosa que, depois de 32 anos de casada, descobriu que não era a única na vida do marido. Ao contrário de milhares de outras esposas, que preferem fingir não saber de nada do que está acontecendo e levar o casamento adiante, Isabel Dias reuniu todas as suas forças, deu uma guinada na vida e partiu para viver sozinha numa cidade grande. Foi aí que começou a redescobrir o sexo.

Leia o relato, publicado no site fasdapsicanalise.com.br:

Quando é que uma mulher fica velha? Aos 40? Aos 50?

Quando é que uma mulher perde o interesse sexual, o desejo, o tesão? Aos 60? Aos 70? Quando ela deixa de causá-lo?

Como uma mulher faz para preservar sua autoestima feminina, de fêmea? Hormônios? Novas relações? Namorado (ou namorada) mais novos? Ou mais velhos?

Às vezes parece que toda mulher madura é filha de um tubo de ensaio. Um ser que se despegou de si mesmo e da imagem que tinha de si. Uma pessoa que não nutre mais afetos carnais. Nem tem mais direito a eles – porque não é mais jovem. Só lhe resta virar uma esposa assexuada. Ou a filha que assume a guarda dos pais. Ou a mãe beatificada que vive para o ninho, trancafiada nele.

Muitas de nós sentem, com uma ponta de desespero, que envelheceram, enrugaram e não chegaram a lugar algum. Ou ao menos não chegaram onde queriam. Não podemos mais ser meninas. O viço ficou para trás. E, no entanto, direcionamos nossa vida para sermos meninas, eternamente viçosas. A velhice para muitas mulheres é uma espécie de morte em vida.

Fui casada por 32 anos. Um belo dia, me descobri traída. Então aquele companheiro não apenas tinha perdido a forma e a graça e o interesse. Ele tinha também perdido o respeito por mim. A vida que eu sonhava talvez já fosse, ali, uma ilusão. Meu príncipe não existia. E já fazia muito que, de verdade, eu não era a sua princesa. Mas ali, com a descoberta da sua deslealdade, era como se ele tivesse jogado a nossa vida de vez no ralo, unilateralmente. Ele se suicidava à minha frente. E matava uma parte de mim. Sem apelação.

Curiosamente, renasci naquele momento.

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Sim, uma porção importante de quem eu era havia morrido. Mas eu ainda respirava. E, se topasse me levantar, ainda haveria vida à minha frente. Uma vida nova. Em que eu precisaria ser outra pessoa. Tinham sido 32 anos de tutela masculina – eu não precisava pensar muito sobre onde ir e o que fazer. Era hora de eu retomar o leme da minha vida. Três décadas a reboque, à deriva… (Ah, se arrependimento matasse.)

De supetão, me vi tendo que decidir o que fazer comigo dali para a frente. Senti muito medo, muita insegurança. Aos poucos, no entanto, fui reaprendendo o gosto único de tomar decisões sozinhas, correndo riscos, escolhendo por um caminho ou por outro.

Eu poderia continuar vivendo na cidade do interior paulista em que morava, imersa numa sociedade mais fechada, onde ainda existem aqueles tipos que adoram tomar conta da vida dos outros e definir o que é bom e o que é ruim, sempre querendo te encaixar num modelo.

Eu tinha três filhos, todos adultos. Podia me escudar neles. Me pendurar neles. Podia me trancar em casa, no ir-e-vir do sofá para a cama, e engordar, e chorar, e sentir pena de mim, e me deprimir. E, quem sabe, me matar.

Em vez disso, resolvi abrir uma nova porta em minha vida, deixando para trás tudo aquilo que eu pensava que era, tudo o que sustentava aquele mundo – que era o único que eu conhecia. Decidi operar em mim mesma um parto reverso.

Vim para São Paulo, morar sozinha na cidade grande, quase aos 60 anos. Sem saber ao certo como seria. A dor, quando não nos paralisa, nos movimenta. Eu tinha vivido mais da metade da minha vida atrelada às vontades alheias – de um homem, de um marido, de um provedor. Meus filhos já estavam em São Paulo, crescidos, já não me impunham as suas vontades e necessidades como antes. Era hora de eu começar a pensar no que queria de fato para mim, para o tempo de vida que tivesse pela frente. Teria que decidir tudo por minha conta. Teria que voltar a aprender, depois de tanto ensinar. Em alguns momentos, tudo isso parecia impossível. A autoestima não ajudava. Mas fui pegando coragem. E gosto por mim mesma. Dava, sim, para encarar. Tinha que dar. Clique aqui para ler mais.

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9 Comentários

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Olinda Martins 10 de junho de 2020 - 22:40

Adorei sua visão de vida, um aprendizado. Autoestima é fundamental para elevar nossa essência de vida.

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Vera Lucia 2 de agosto de 2018 - 21:55

Adorei. Sua postura mostrou a você é a sociedade o verdadeiro valor da mulher. Parabéns.

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Gilza Silva 27 de janeiro de 2018 - 12:18

Parabéns pela coragem de redescobrir-se!!!
E que vai par a além do sexo, pois morar sozinha é voltar-se para si e tentar gostar de sua própria companhia; é ser livre!!! Grata por compartilhar sua experiência ❤❤❤❤

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Felipe Santana 28 de outubro de 2017 - 02:40

Legal. Meu nome é Felipe Santana.
Sou um cara interessante gosto muito de música eletrônica de modo geral.
Muita simpatia com música clássica.
Iniciei carreira como Dj independente.
E ainda tenho muito a viver e gostaria de compartilhar um pouco do meu sonho.
Gostaria de conhecer uma mulher madura e realizada.

Atenciosamente,

Phill

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Iracema Pinheiro 22 de outubro de 2017 - 13:06

Vivi 35 anos com um companheiro. Nos separamos há 3 anos. Fui procurar trabalhar coisa que nunca tinha feito. Hoje moro sozinha e me sustento. Foi muito difícil porém estou superando as dificuldades. Aprendendo tudo. O mais importante sinto-me capaz, e forte.

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Rosana 12 de junho de 2020 - 01:37

romasam2@hotmail.com

Em que você começou a trabalhar? Estou nessa situação e nunca trabalhei. Nem sei o que fazer e nem por onde começar. Queria fazer algo por mim.

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Sonia Regina Sannazzaro 19 de outubro de 2017 - 08:03

Adorei, me sinto tambem , na porta da gaiola sem conseguir voar…Parabens.bjs

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MARILDA NERES 30 de março de 2016 - 21:28

EM ALGUNS MINUTOS ACHEI QUE ESTAVA LENDO MINHA VIDA.
ISABEL FIQUEI CASADA 31 ANOS,TEM DOIS DE SEPARAÇAO,ESTOU NO SEU MOMENTO VIRTUAL MAS CHEGO LÁ.
AGORA COM MAIS CERTEZA LENDO SUA EXPERIENCIA DE VIDA.

PARABÉNS,VC ME AJUDOU MUITO…

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Eliana Guimarães 22 de março de 2016 - 22:56

Parabéns Isabel Dias lí seu artigo e admiro sua postura e sua coragem de dividir sua experiência

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