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Eu Voltarei – Cora Coralina

Por Maya Santana

Além de poeta de primeira grandeza, Cora Coralina era doceira de mão cheia

Além de poeta de primeira grandeza, Cora Coralina era doceira de mão cheia

“Meu companheiro de vida será um homem corajoso de trabalho, servidor do próximo, honesto e simples, de pensamentos limpos.

Seremos padeiros e teremos padarias.

Muitos filhos à nossa volta.

Cada nascer de um filho será marcado com o plantio de uma árvore simbólica.

A árvore de Paulo, a árvore de Manoel, a árvore de Ruth, a árvore de Roseta. Seremos alegres e estaremos sempre a cantar.

Nossas panificadoras terão feixes de trigo enfeitando suas portas, teremos uma fazenda e um Horto Florestal.

Plantaremos o mogno, o jacarandá, o pau-ferro, o pau-brasil, a aroeira, o cedro.

Plantarei árvores para as gerações futuras.

Meus filhos plantarão o trigo e o milho, e serão padeiros.

Terão moinhos e serrarias e panificadoras.

Deixarei no mundo uma vasta descendência de homens e mulheres, ligados profundamente ao trabalho e à terra que os ensinarei a amar.

E eu morrerei tranqüilamente dentro de um campo de trigo ou milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros.

Eu voltarei…

A pedra do meu túmulo será enfeitada de espigas de trigo e cereais quebrados, minha oferta póstuma às formigas que têm suas casinhas subterra e aos pássaros cantores que têm seus ninhos nas altas e floridas frondes.

Eu voltarei…”

Poeta goiana, Cora Coralina que viveu até 95 anos. Morreu em abril de 1985.

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2 Comentários

Márcio 22 de novembro de 2015 - 12:58

Belo e pungente, o que escreve esta grande poeta. Simples e profundo.

Responder
Déa Januzzi 21 de novembro de 2015 - 11:31

Neste momento, estamos precisando de milhares de Coras Coralinas

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