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Exposição em Viena mostra Brasil do século 19

Por Maya Santana

Foto deste índio da tribo Ianomami está na mostra

Cristina Mueller

O anedotário brasileiro conta que a imperatriz Leopoldina, primeira mulher de dom Pedro I, gostava de cavalgar pela floresta da Tijuca e coletar plantas – que depois seriam dispostas nos aposentos reais na Quinta da Boa Vista. Nascida e educada em Viena, na corte de seu pai, o imperador Habsburgo Francisco I, a princesa estava predisposta às ciências naturais e botânica.

A exposição “Jenseits von Brasilien” (Caminhos do Brasil), em cartaz no Museu Etnográfico de Viena, revela muito mais que uma mera curiosidade. Trata-se de um vasto conjunto de história natural do Brasil do século XIX, coletado minuciosamente e enviado pouco a pouco à Viena durante 18 anos de expedições do naturalista e taxidermista Johann Natterer (1787-1843) pelo Brasil.

Peças foram enviadas a Viena durante 18 anos por Johann Natterer

Com cerca de 350 peças expostas – entre gravuras, animais empalhados e aquarelas, representando 70 grupos indígenas-, a exposição, com curadoria da alemã Claudia Augustat, revela o interesse da família imperial austro-húngara pelas “terras incógnitas” do Brasil. Natterer integrou a comitiva científica trazida ao Brasil por Leopoldina em 1817, junto aos famosos Carl Von Martius e Johann von Spix. Mas, ao contrário dos colegas, Natterer foi ficando no Brasil, traçando caminhos pelo interior, desde a foz do rio Iguaçu até o alto Amazonas.

São 350 peças expostas entre gravuras, animais empalhados e aquarelas

A viagem ao Brasil oitocentista começa já na entrada da mostra, quando o visitante passa por um gigantesco cortinado com uma reprodução de aquarela da entrada do porto do Rio de Janeiro em 1818 feita pelo austríaco Thomas Bender. A exposição relembra o casamento de Leopoldina com dom Pedro I (além das reticências do imperador Francisco I em casar a filha com “um reconhecido mulherengo”). Interessava à casa Habsburgo travar um relacionamento mais estreito com Portugal, que ocupava uma terra já famosa pelos recursos naturais: o Brasil.

A imperatriz Leopoldina, austríaca, com Dom Pedro I

A menção a Leopoldina faz antessala para o cotidiano da expedição em si e a reunião de objetos indígenas do século XIX. Eventualmente, viaja-se ao debate contemporâneo sobre o processo de aculturação e “extinção” do mundo e imaginário indígena. Leia mais em www.valor.com.br

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