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Faço parte dos que gostam e se encantam com o Natal

Por Maya Santana

Poucos são os que realmente gostam do Natal

Poucas são os que se sentem tranquilos no Natal

Elisa Santana

No começo do mês de dezembro, me deparei com o seguinte comentário no facebook: “ Ai, ai, ai…Gsuis, já começaram a tocar Simone!” Morri de rir, pois achei muito engraçada a frase e a impaciência da minha amiga com o lugar comum de todo fim de ano. Conheço muita gente que não gosta ou não tem a mínima paciência com o Natal. Algumas alegam que a data se tornou materialista demais; outras acreditam que está muito ligada a uma determinada religião, com valores que não fazem sentido – ou porque o veem como época de se defrontarem consigo mesmos e se sentem oprimidos, ou porque acham o momento muito família… e por aí vai. O certo é que essa época quase sempre incomoda. Poucos são os que, de fato, gostam ou se sentem tranquilos no Natal.

Pois vou contar um segredinho: faço parte dos que gostam. Desde menina o Natal cresceu bonito dentro de mim. Sempre achei que tem cara de criança, pois menino se encanta com o ritual de prepará-lo. Adorava buscar galho de árvore no quintal para pintar de prateado e encher de bolas. Era fascinada com o presépio de uma vizinha chamada Dodô. Batia na porta da casa. Uma senhora bonachona e educada me deixava entrar. Passava horas admirando o presépio montado num canto da sala. Eram vales e montes feitos de sacos de aniagem sobre pedras e esmeril, uma areia fininha e brilhante. E eles eram povoados com reis magos, carneiros, vacas, cachorros, pássaros, borboletas, além, é claro, das imagens de São José, Maria e do menino Jesus Cristinho, quietinho, de braços abertos na manjedoura. Bem no alto, uma estrela-guia dourada. Amava aquilo. E, apesar da casa cheirar a mofo, por ser antiga e viver fechada, devido às chuvas da época, eu saia de lá enlevada, achando que aquilo tudo representado ali era verdade. Essa é uma das belezas da infância, acreditar.

Não via a hora de chegar a noite de 24 de dezembro, para ficar com meus irmãos mais novos atrás da casa. Queríamos ver Papai Noel chegar, já bem tarde, trazendo presentes. Claro que íamos dormir sem ver nada. Adorava ainda correr atrás do carro que passava na manhã seguinte tocando música de Natal, com um Papai Noel que jogava balas para a meninada pegar. Era festa ouvir na televisão as músicas natalinas de propaganda da Varig – “Estrelas brasileiras, no céu azul, iluminando de norte à sul. Mensagem de amor e Paz, nasceu Jesus, chegou o Natal. Papai Noel voando a jato pelo céu, trazendo um natal de felicidades e um ano novo cheio de prosperidades” – Quem se Lembra? Ou a música da Perfumaria Lourdes – “Sorriso, alegria, uma flor, paz e amor, Natal. Presentes da Perfumaria Lourdes”. Já era comércio? Claro! Mas ainda incipiente. E nossas alegrias eram maiores. Nossos presentes foram sempre simples, mas o almoço era especial e farto. Um espírito bom nos envolvia.

Os tempos hoje não andam com espírito nem cara de nada e cada um deve saber o que fazer com o seu Natal. Amigos meus já falam no carnaval, outros não falam nada. Mas outro dia, inspirada pela árvore que minha irmã fez, catei também alguns galhos secos no terreiro dela, trouxe para casa. Levei três dias num ritual de pendurar bolas, laços, fitas, pregadores, panos e tudo que achei colorido pela casa. Fui fazendo com gosto. Enfim, ficou pronta minha árvore. Eu mesma achei que ficou linda, parecendo uma nega maluca. Mas o que eu achei melhor, foi que o ritual de fazê-la me deu muita alegria, recuperou em mim certo espírito infantil, um encantamento, uma vontade de ser um ser bom. Fiquei acreditando. E pensei que, em mim, o Natal é isso.

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7 Comentários

Claudia 23 de dezembro de 2017 - 12:31

Eu gostava quando os filhos e sobrinhos eram pequenos, todos moravam na mesma cidade, a família grande se reunia e fazia amigo secreto, brincadeiras, era uma noite alegre. Mas com o passar dos anos, todos adultos, pais falecidos, alguns parentes mudaram de cidade, o Natal ficou sem graça para mim e hoje passo por ele sem nenhuma comemoração especial. Já a noite de ano novo também não me seduz pois no dia 01 a gente acorda e está tudo absolutamente igual.

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Lúcia Soares 23 de dezembro de 2017 - 10:18

Queria ter visto a árvore!
Feliz Natal!

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Gonçalo E. Vale 24 de dezembro de 2016 - 15:10

Obrigado querida por partilhar suas experiencias, estava procurando vê se achava a gravação de natal da perfumaria Lourdes, acabei por descobrir seu Blog. Lembra da propaganda da casa das nações. As noites e dias chuvosos de dezembro com as propagandas de natal no radio e tv, foram inesquecíveis.

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nenez rick 23 de dezembro de 2015 - 15:50

Muito bom!!!

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Sandra nogueira 23 de dezembro de 2015 - 11:01

Parabéns ! Feliz Natal a todos Parabéns pelos textos ! A cada leitura, uma viagem 🙂

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Déa Januzzi 23 de dezembro de 2015 - 10:02

Este é o verdadeiro Natal, Lisa, que todas da nossa geração conheceram, o da simplicidade, onde a estrela guia nascia em nossos corações e apontavam o verdadeiro caminho. Parabéns. Desde que minha mãe morreu, não faço mais árvores nem como Panetoni nem vejo a iluminação na Praça da Liberdade, coisas que ela amava. Mas você fez renascer o Natal dentro de mim. Obrigada.

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lisa santana 23 de dezembro de 2015 - 19:04

Déa, querida, bom que um pouco do meu Natal tenha vivificado o seu. Bjs.

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