Famosa lá fora, escultora é pouco falada no Brasil

Por Maya Santana
Maria Martins na capa da revista Vogue, em 1944

Maria Martins na capa da revista Vogue, em 1944

Ela é pouco conhecida no Brasil, mas fez um sucesso tremendo no exterior. Maria Martins(1894-1973) teve seu talento como escultora reconhecido nos anos 1940 inclusive pelo crítico francês André Breton, que a integrou ao surrealismo, movimento que ele criou. Maria, como assinava suas obras, ficou conhecida também pela intensa vida amorosa: mulher do embaixador do Brasil em Washington, ela teria mantido diversos “affairs” em Nova York. Lá, namorou o pintor holandês Piet Mondrian e manteve longa relação com o francês Marcel Duchamp. Maria tem trabalho no MoMa, de Nova York, e teve sala especial na última Documenta de Kassel (Alemanha, 2012), principal mostra de artes visuais do mundo.

Conheça um pouco mais dessa artista fabulosa:

Foi numa galeria em Washington, nos Estados Unidos, onde morava com o marido embaixador, que a escultora mineira Maria Martins (1894-1973) organizou sua primeira mostra individual. À época com 47 anos, ela foi considerada uma artista previsível. Com o passar dos anos, porém, sua obra mudou significativamente e se afastou da representação mais tradicional.

Uma de suas esculturas mais famosas: O Impossível, de 1946

Uma de suas esculturas mais famosas: O Impossível, de 1946

Com contornos sinuosos, primitivos, suas peças chamaram a atenção de ícones do período, como os franceses André Breton, autor do Manifesto Surrealista de 1924, e Marcel Duchamp, o precursor da arte conceitual. Do primeiro, Maria recebeu elogios contundentes; do segundo, foi amante e modelo para a obra Étant donnés. Ela voltou ao Brasil em 1950 e fez sua primeira exposição nacional no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

Foi recebida com frieza tanto pelos críticos quanto pelo meio artístico. Até hoje, a produção dela é mais conhecida no exterior – em 2012, Maria ganhou destaque na mais celebradas mostra de arte contemporânea, a Documenta de Kassel, na Alemanha.

A artista nasceu na cidade da Campanha, em Minas Gerais, em 1894

A artista nasceu na cidade da Campanha, em Minas Gerais, em 1894

Maria de Lourdes Martins Pereira de Souza nasceu na cidade da Campanha (MG) em 1894. Ainda menina, mudou-se com a família para Petrópolis (RJ), onde estudou no Colégio SION (Congregação Nossa Senhora de Sion). Casou-se com o embaixador Carlos Martins Pereira de Souza, com quem viveu longos anos no exterior.

Em 1926, no Japão, veio a se dedicar à escultura, trabalhando inicialmente em madeira, terracota e cerâmica, dominando, com o tempo, outros materiais como o mármore e o bronze. Em Bruxelas, na Bélgica, no ano de 1039, aperfeiçoou-se no atelier de Oscar Jesper. Foi a única artista plástica brasileira a se envolver no surrealismo parisiense, tendo sido incluída no livro Lê surréalisme et la peinture de André Breton, fundador deste movimento, como um dos nomes entre os grandes da arte da primeira metade do século XX. Começou a apresentar seus trabalhos em 1940 na Filadélfia (EUA), e sua primeira exposição individual foi no ano seguinte na Galeria Corcoran em Washignton.

Outra de suas obras famosas: Uirapuru, de 1945, em bronze

Outra de suas obras famosas: Uirapuru, de 1945, em bronze

Nos anos 1950, participou da I, II e III bienais de São Paulo e integrou o Conselho Deliberativo do grupo de fundadores do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Maria Martins recebeu diversos prêmios nas inúmeras exposições coletivas e individuais que fez.

Além da escultura, Maria Martins assinou durante vários anos uma coluna no Jornal carioca Correio da Manhã, onde entrevistava personalidades de expressão. Publicou, ainda, A Índia e o Mundo Novo, A Ásia Maior – o Planeta China, Ásia Maior – Brama, Gandhi e Nehru, e escreveu sobre a vida dos poetas Rimbaud e Paul Verlaine, com os quais se identidicava.

O título dessa obra é Sans écho (Sem eco),  de 1945, também em bronze

“A mulher que perdeu a sombra”, de 1945

Suas obras alcançaram o reconhecimento internacional e suas esculturas encontram-se nos mais importantes museus e coleções particulares. Maria Martins faleceu no Rio de Janeiro, em 27 de março de 1973. (Fontes: Revista Época, Vogue e Isto É Campanha)

Leia também:
Maria Martins, uma artista adiante de seu tempo

Veja no vídeo: a jornalista Mônica Teixeira conversa com Verônica Stigger, curadora da exposição Metamorfoses, de Maria Martins, em cartaz no Museu de Arte Moderna, no Rio. A curadora fala principalmente da influência dos mitos amazônicos em sua obra:


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