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A jornalista Fátima Bernardes volta ao noticiário com um movimento que diz muito sobre o tempo em que vivemos. Aos 63 anos, ela estreia o videocast Cá Entre Nós, ao lado da filha, Beatriz Bonemer, 28 anos, no YouTube. A proposta é simples, conversas sobre relação entre mãe e filha, diferenças de geração, experiências da vida adulta. E tem sempre uma convidada.
Fátima, que construiu uma carreira sólida na televisão aberta – trabalhou 37 anos na TV Globo, de onde saiu em 2023 -, escolhe agora um formato mais direto, íntimo e sem a mediação tradicional. E divide a cena com a filha em pé de igualdade. Beatriz é formada em design e essa é sua primeira experiência como apresentadora.
Experiência e reinvenção
A trajetória de Fátima ajuda a entender por que esse trabalho com a filha chama a atenção. Durante anos, foi um dos rostos mais reconhecidos do jornalismo brasileiro. Depois, migrou para o entretenimento, testou formatos, mudou o ritmo de trabalho. Agora, ao entrar no ambiente digital, ela não começa do zero. Leva consigo repertório, escuta e experiência.
Essa transição, cada vez mais comum, reflete uma mudança importante. A maturidade deixou de ser vista como um ponto de chegada e passou a ser uma etapa de escolhas. Para muitas mulheres acima dos 50, o momento coincide com filhos adultos, mais autonomia e uma pergunta inevitável: O que faço daqui para frente?
Diálogo entre mãe e filha
O projeto também toca em um tema delicado e pouco explorado, a relação entre mães e filhos, quando ambos já são adultos. Sai de cena a hierarquia tradicional e entra um espaço de troca. Nem sempre simples.
Dividir um projeto profissional exige negociação, escuta e limites. Exige também reconhecer que a relação mudou. Para quem acompanha de fora, há identificação. Muitas mulheres nessa fase vivem exatamente isso, filhos que cresceram, relações que precisam ser redesenhadas.

Maior liberdade
O caso de Fátima Bernardes não é isolado. Ele apenas torna visível um movimento maior. Cada vez mais, profissionais com trajetória consolidada experimentam novos formatos, seja no digital, em projetos autorais ou em parcerias inesperadas.
A diferença está menos na ferramenta e mais na disposição. Fazer algo novo depois dos 60 pode causar insegurança. Mas também abre espaço para uma liberdade que antes não existia. Sem a pressão de provar valor o tempo todo, muitas escolhas passam a ser mais alinhadas com o que faz sentido.
Exposição e a autenticidade
Há ainda outro ponto relevante. O ambiente digital exige presença, frequência e, muitas vezes, exposição pessoal. Nem todas querem. Nem todas precisam.
No caso de Fátima, a escolha parece consciente. O formato do videocast permite controle do ritmo, do conteúdo e da narrativa. Não se trata de acompanhar uma tendência, mas de adaptar a própria voz a um novo espaço.
Experimentar algo novo
Talvez o mais interessante dessa estreia não seja o programa em si, mas o que ele provoca. Em algum momento, quase todas nós chegamos a essa encruzilhada, continuar no caminho conhecido ou experimentar algo novo?
Fátima Bernardes escolheu experimentar. Sem alarde, sem ruptura, apenas seguindo adiante. E isso, para quem vive a maturidade com atenção, já diz bastante.
Veja o segundo podcast das duas, com a atriz Ingrid Guimarães como convidada:
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