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Fertilização in vitro cria bebê com 2 mães e 1 pai

Por Maya Santana

Ilustração explica o novo procedimento de fertilização in vitro - Lygia V. Pereira / Reproduç

Ilustração explica o novo procedimento de fertilização in vitro

Neste esclarecedor artigo publicado pelo site de O Globo, a professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP, Lygia V. Pereira, explica a pioneira técnica aprovada nesta terça-feira pelo Parlamento britânico, em Londres, e suas polêmicas.

Leia:

Após anos de pesquisas e de muita discussão, o Parlamento britânico aprovou hoje um novo procedimento de fertilização in vitro que cria um bebê a partir de duas mães e um pai! Assisti emocionada ao debate e à votação ao vivo pela Internet.

Talvez no imaginário da população isso signifique Frankensteins, batalhões de clones, enfim, o começo do fim do mundo. Calma, antes de condenar mais um avanço da medicina como tantos outros que nos livram de sofrimentos, vamos entender direito essa história. Desta vez o objetivo é eliminar doenças genéticas terríveis que envolvem as nossas mitocôndrias, que são basicamente as fábricas de energia das nossas células.

Pensem numa célula como um ovo: o núcleo é a gema e o citoplasma é a clara. No núcleo ficam 99,998% dos nossos genes, que vem metade do pai (no espermatozóide) e metade da mãe (no óvulo). Já as mitocôndrias ficam na clara, no citoplasma das células – e elas contêm os outros 0,002% dos nossos genes, um pedacinho bem pequeno, mas importantíssimo do nosso genoma – o funcionamento correto destes poucos genes é fundamental para que nossas células produzam energia. Acontece que nós recebemos as nossas mitocôndrias exclusivamente da mãe – elas estavam no óvulo que nos gerou.

Pois bem, mutações em genes das mitocôndrias causam doenças terríveis, que afetam os sistemas nervoso e muscular da criança (os que mais precisam de energia), levando a cegueira, epilepsia, retardo mental, fraqueza muscular, problemas cardíacos, entre outros. E mulheres portadoras dessas mutações estão fadadas a terem filhos doentes, pois as mitocôndrias de seus óvulos, e logo de seus futuros filhos, são defeituosas.

O que os cientistas ingleses aprovaram agora é que essas mulheres façam um “transplante de mitocôndrias” para terem filhos saudáveis – ou seja, substituam as mitocôndrias mutantes em seus óvulos por mitocôndrias saudáveis de óvulos doados. Para isso, o mais fácil é transplantar o núcleo do óvulo da mãe (a gema, contendo 99,998% do genoma da mãe) para dentro do óvulo de uma doadora saudável, contendo mitocôndrias normais. Só que antes disso, o núcleo do óvulo da doadora é eliminado, abrindo espaço para o núcleo do óvulo da mãe. Ou seja, trocamos as gemas e assim fazemos um óvulo com o núcleo da mãe e o citoplasma, com as mitocôndrias normais, da doadora.

Esse óvulo corrigido é fertilizado pelo espermatozoide do marido, e assim dará origem a um bebê sem as mutações nas mitocôndrias. Geneticamente, ele será 99,998% filho biológico de seus pais e 0,002% da mulher doadora de mitocôndrias. Daí dizermos que essas crianças terão um pai e duas mães (e aqui, muito cuidado: filho BIOLÓGICO, porque do ponto de vista social, pai e mãe são os que criam a criança).

Mas se estamos livrando aquelas famílias de uma saga de gerações de filhos doentes, por que a controvérsia? Porque estaremos, pela primeira vez na história da humanidade, fazendo intencionalmente alterações genéticas em embriões humanos, e apesar de ser uma alteração mínima e por um motivo muito nobre, qual será o limite disso? Poderemos um dia inserir genes de QI alto, olhos azuis ou cabelo liso? As modificações genéticas tornarão possível desenharmos bebês segundo nossos desejos? O que fazer com essas novidades científicas? Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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BRUNO AMELIO TAVARES 13 de julho de 2016 - 01:03

Como Faço para participar como voluntário? Eu e minha esposa em 2014 tivemos um bebê que foi diagnosticado com a síndrome de leprecheaunismo e por fim desse mesmo ano ele veio a falecer, no dia 07/07/2016 minha esposa deu a luz dessa vez a uma menina que de acordo com as características físicas também possui essa terrível doença que não tem cura, sei que daqui algum tempo nós a perderemos peço encarecidamente por ajuda pois é o nosso sonho ter filhos e cuidar deles, acho que essa tecnologia é a unica saida pra nós termos filhos saudáveis…Se puderem nos ajuda entre em contato por favor!!!

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