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Filme mostra a ressaca após maio de 1968 na França

Por Maya Santana

A ação do filme se passa na região de Paris, no início da década de 1970

A ação do filme se passa na região de Paris, no início da década de 1970

Nada foi como antes depois de maio de 1968. Ou talvez seja o contrário: tudo  continuou quase igual. Ainda é difícil, 45 anos depois, estabelecer com precisão  o saldo dos eventos que levaram às ruas uma juventude que, embalada pela luta  por melhoras no sistema educacional francês, acabou achando que poderia mudar o  mundo.

Talvez por isso, a ideia de recompor um retrato daquele tempo (e os anos  imediatamente seguintes) tem sido tão sedutora à arte. Especialmente ao cinema,  que em geral tem abordado o tema em tom saudosista – como “Os Sonhadores”, de  Bernardo Bertolucci -, às vezes beirando a idealização – como “Amantes  Constantes”, de Philippe Garrel. O mais recente filme sobre a época, “Depois de  Maio”, que estreia neste fim de semana no Brasil, parece, no entanto, feito com  a preocupação de evitar cair em uma coisa ou na outra.

Dirigido pelo francês Olivier Assayas (da celebrada série “Carlos”), o filme  se passa já no início dos anos 1970. Na ressaca pós-68, quando a juventude  francesa começava a se dar conta de que a “revolução” talvez não tivesse tido os  resultados esperados, o jovem desenhista Gilles se vê pressionado a decidir  entre o engajamento político, diante de patrulhas ideológicas de todos os lados,  e as realizações pessoais – dilema, aliás, comum entre a juventude da época.  Inclusive o próprio Assayas, que tem no seu protagonista uma espécie de alter  ego.

“Não é exatamente um filme autobiográfico. Mas é um filme de geração,  que mostra que um indivíduo, por mais particular que seja, não pode se tornar  ele mesmo se não passar pelo movimento coletivo da história, que não é apenas a  sua”, diz Assayas, em entrevista ao Valor.

Assayas tinha só 13 anos em 1968, mas viveu com intensidade os anos que se  seguiram. Já havia sentido por duas vezes necessidade de abordar essa época em  suas obras. A primeira foi em 1994, quando dirigiu o ótimo “Água Fria” (primo  não muito distante de “Depois de Maio”), sobre dois adolescentes em crise. A  outra foi sob forma de ensaio (publicado como livro em 2005), “Une Adolescence  dans l’Après-Mai”, que foi como uma matriz do longa. Leia mais em valor.com.br

 

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