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O cinema brasileiro já tem seu representante na corrida pelo Oscar 2027. “Feito Pipa”, dirigido pelo cearense Allan Deberton, foi escolhido nesta quarta-feira (16) pela Academia Brasileira de Cinema para disputar o Oscar 2027, na categoria de Melhor Filme Internacional. O anúncio foi recebido com emoção pelo ator Lázaro Ramos, que integra o elenco.
“Que emoção”, comemorou Ramos ao comentar a escolha. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ator agradeceu o reconhecimento e destacou a qualidade dos filmes brasileiros que estavam na disputa. Ele também parabenizou os outros cinco finalistas.
Dirigido por Allan Deberton, conhecido também por “Pacarrete”, “Feito Pipa” acompanha a relação entre Gugu, um menino de quase 12 anos, e sua avó Dilma, uma professora aposentada que o criou com liberdade e afeto. Os dois vivem juntos nas proximidades de uma barragem, no interior do Ceará.
História de envelhecimento
A história ganha contornos mais dramáticos quando a saúde de Dilma começa a se deteriorar. O filme aborda o avanço do Alzheimer, a perda da memória e o medo de Gugu de ser afastado da avó e obrigado a viver com o pai, Batista, personagem interpretado por Lázaro Ramos.
Há, portanto, uma história de envelhecimento no centro da narrativa. Mas “Feito Pipa” não trata apenas da doença. A relação entre avó e neto permite falar de afeto, cuidado, memória, infância, preconceito, família e finitude.

O filme também apresenta Gugu como uma criança sensível, apaixonada por futebol e que enfrenta o preconceito por sua maneira de ser. A avó é sua principal referência afetiva e representa para ele um espaço de acolhimento e liberdade.
Dois prêmios internacionais
Um dos elementos simbólicos da história é a paisagem onde os dois vivem. Depois de anos de seca, o recuo das águas da barragem revela as ruínas de uma antiga cidade submersa. O passado volta à superfície justamente quando Dilma começa a apresentar sinais de perda de memória.
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Essa combinação entre memória individual e memória de um lugar dá ao filme uma dimensão particularmente delicada. O que desaparece da lembrança de Dilma reaparece na paisagem, criando um diálogo entre aquilo que uma pessoa esquece e aquilo que permanece marcado no mundo.
“Feito Pipa” já chega à disputa pelo Oscar com uma trajetória internacional importante. O longa recebeu o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra Generation Kplus do Festival de Berlim, além de reconhecimento em outros festivais, incluindo o Festival de Gramado.
Veja o trailer:
Cerimônia do Oscar será em março
A produção é assinada pela Deberton Filmes e pela Biônica Filmes, com participação da Warner Bros. Discovery. No elenco estão Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, entre outros.
A escolha pela Academia Brasileira de Cinema não significa ainda uma indicação ao Oscar, que será entregue em 14 de março de 2027. “Feito Pipa” passa agora a representar o Brasil no processo de seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que definirá os filmes que avançarão na categoria de Melhor Filme Internacional.
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A estreia comercial brasileira está prevista para 5 de novembro de 2026. Antes disso, o filme terá exibição no Festival do Rio. Para o público brasileiro,
“Feito Pipa” chega à corrida internacional levando uma história profundamente brasileira, ambientada no sertão cearense, mas construída em torno de sentimentos que ultrapassam fronteiras: o amor entre uma avó e um neto, o medo de perder quem amamos e a luta para preservar a memória e a própria identidade diante das mudanças da vida.
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