Flores e Fuzil

Por Maya Santana
 O abominável Abubakar Shekau, sequestrador de estudantes, na Nigéria

O abominável Abubakar Shekau, sequestrador de estudantes adolescentes

A solidariedade da jornalista Maria Cristina Bahia com as mães das 200 jovens estudantes sequestradas na Nigéria pelo grupo Boko Haram, liderado pelo inominável Abubakar Shekau, inspirou este belo poema, visceral, com o qual a autora homenageia todas as aflitas mães nigerianas. “E outras milhares de mães (no Brasil e pelo mundo afora) que urram por seus filhos mortos”:

Não quero flores
Quero um fuzil AK-47 e 10 pentes de balas
Flores são belas, mas o mundo não 
Não posso ganhar flores
Enquanto outras milhares de mães
Urram por seus filhos mortos 
Não quero flores
Neste país manchado pelo sangue
Úteros rasgados pela dor
Não posso admirar as flores
Enquanto os assassinos bailam a macabra dança da morte
E mães desatinadas procuram filhos para beijar 
E amar. 
Não quero flores.
Quero um fuzil AK-47 e 10 pentes de bala
Para esvaziar  esse vazio de fúria – ferro enferrujando. 
Se flores ganhar,
Eu as levarei para as meninas da Nigéria
Se o fuzil ganhar,
Eu o doarei para as mães das meninas da Nigéria 
E dançaremos, felizes, sobre o cadáver de Abubakar Shekau.
 (Para meus filhos, aos quais agradeço o privilégio de amá-los)


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4 Comentários

ana maria 11 de maio de 2014 - 23:01

Concordo com DJ: os versos caíram como uma bomba neste “Dia das Mães”.

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M.Juscelina 11 de maio de 2014 - 22:07

Lindo poema de uma antiga colega de Estadual Central! Abraço, Cristina.

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Maria Cristina Bahia 11 de maio de 2014 - 15:35

Ei Maya, só uma correção – o texto é um desabafo não só pelas mães da Nigéria, mas também pelas mães dos milhares de brasileiros e brasileiras assassinados no Brasil, este país insano.
Grande beijo – Cristina

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Déa Januzzi 11 de maio de 2014 - 12:49

O dom de escrever e tocar a emoção das pessoas. O texto da jornalista Maria Cristina Bahia caiu neste Dia das Mães como uma bomba, digno de ser publiciado como manchete em todas as primeiras páginas dos jornais brasileiros, para fugir da mesmice..

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