Gays idosos sofrem duplamente com preconceito

Por Maya Santana
O antropólogo Luiz Mott, 68, diz encarar bem o envelhecimento

O antropólogo Luiz Mott, 68, diz encarar bem o envelhecimento

Este é um problema que afeta mais e mais pessoas à medida em que a população vai envelhecendo. O preconceito transtorna a vida dos homossexuais. Estudos mostram que, “enquanto a estimativa de depressão entre idosos heterossexuais – homens e mulheres – é de 13,5%, entre as lésbicas esse número sobre para 24% e, entre os gays, chega a 30%.”

Leia a reportagem de Suzel Tunes e Thaís Macena para o Uol:

Quando Luiz Mott era adolescente, nos anos 1960, ouviu de um professor de história que o Império Romano tinha caído por causa da homossexualidade de imperadores cruéis e devassos. Na mesma época, disseram-lhe, também, que todo homossexual estaria condenado à solidão na velhice, “vegetando sozinho e abandonado, em um quartinho sombrio de uma pensão de quinta categoria”.

Hoje, após 30 anos de homossexualidade assumida e aos 68 de idade, o antropólogo Luiz Mott acredita que esses antigos ensinamentos tinham por propósito apenas assustar os jovens tentados a “sair do armário” (assumir a homossexualidade). “Posso garantir que nada é mais falso do que aquela visão negativista do triste futuro das bichas velhas”, diz ele, com a mesma contundência que marcou sua trajetória como uma das principais lideranças do movimento LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Ricardo Rocha Aguieiras, de 68 anos, não fala com a família

Escritor Ricardo Rocha Aguieiras, 68, não se relaciona com a família

Mestre pela Universidade de Paris-Sorbonne e professor aposentado da Universidade Federal da Bahia, Mott vive uma união homoafetiva há dez anos e garante que está lidando muito bem com o envelhecimento: “O corpo está cada vez mais flácido, enferrujado, a memória faltando, o tesão diminuiu sem causar sofrimentos ou carências, mas continuo um menino sempre curioso, alegre, jovial. Passo três meses do ano viajando, curto a natureza, sem depressão ou tristeza. Fui suficientemente responsável para garantir uma aposentadoria que me permite viver de maneira confortável e independente”, afirma.

Contudo, algumas pesquisas indicam que Mott pode se sentir privilegiado em meio a uma população duplamente atingida pelo preconceito. No último Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, realizado entre 29 de abril e 3 de maio de 2014, no Pará, a psiquiatra Carmita Abdo, professora da USP (Universidade de São Paulo), divulgou dados de uma pesquisa mostrando que o preconceito e o descaso que atingem os idosos brasileiros se tornam ainda mais graves no caso dos homossexuais.

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Gays idosos são mais propensos à depressão

Isso implicaria, segundo a especialista, em índices mais elevados de depressão nesse grupo: enquanto a estimativa de depressão entre idosos heterossexuais (homens e mulheres) é de 13,5%, entre as lésbicas esse número sobre para 24% e, entre os gays, chega a 30%. Clique aqui para ler mais.


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