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Sebastião Salgado passa da depressão ao otimismo

Por Maya Santana

O fotógrafo, 69 anos,  percorreu os quatrro cantos do mundo

O fotógrafo, 69 anos, percorreu os quatrro cantos do mundo

Andrei Netto, correspondente do Estadão em Paris

 

Sebastião Salgado construiu sua carreira como um dos mais aclamados fotógrafos da história registrando o homem, as questões sociais, a industrialização, a economia, a imigração, a vida e a morte das guerras. Um desses projetos, Êxodos, lançado em 2000, é o best-seller que encarna seu fascínio pelo humano ordinário em fuga – o trânsito dos refugiados. Ao término desse projeto, que marcou sua biografia, o fotógrafo brasileiro radicado em Paris estava morrendo.

Como as populações que viu agonizarem em Ruanda, como os milhares de cadáveres que viu serem empilhados por retroescavadeiras, seu corpo também se deteriorava. Mergulhado na depressão e na descrença profunda na humanidade, Salgado decidiu parar de fotografar.

 *Mulheres das aldeias de Mursi e Surma, no Parque Nacional de Mago, na Etiópia (2007). O uso de alargadores em formato de prato nos lábios é restrito às castas superiores


*Mulheres das aldeias de Mursi e Surma, no Parque Nacional de Mago, na Etiópia (2007). O uso de alargadores em formato de prato nos lábios é restrito às castas superiores

Para curar sua alma, refugiou-se no Brasil. Lá, junto do pai e da mulher, a designer Lélia Wanick Salgado, descobriu que a degradação não era apenas do ser humano, mas também do ambiente. O paraíso no qual tinha passado a infância estava sendo arrasado. Diante do desafio de reconstruir o ecossistema que trazia na memória, lançou-se a um projeto de reflorestamento e preservação ambiental.

O contato com a terra, então, lhe devolveu o contato com a Terra. E daí nasceu Genesis, um projeto fotográfico ambicioso e milionário (de € 8 milhões), dividido em oito anos e em 32 reportagens, verdadeiras expedições a ecossistemas, paisagens e povos intocados pelo progresso.

Lançada em Londres em 9 de abril, a primeira edição de Genesis, de 50 mil exemplares escritos em seis línguas, esgotou-se em 20 dias. Outra edição já foi encomendada e vai ficar pronta até .o final deste mês. A previsão de seu editor, a alemã Taschen, é de que entre 500 mil e um milhão de livros sejam vendidos – de duas vezes e meia a oito vezes mais do que Êxodos. A exposição fotográfica chega a São Paulo em 11 de setembro. Leia a entrevista de Sebastião Salgado em estadao.com.br

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