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Gente que busca – e acha – novo sentido para a vida

Por Maya Santana
Ana Maria e José Luiz Ribeiro optaram por morar perto do trabalho. Só atravessam a rua

Ana Maria e José Luiz Ribeiro optaram por morar perto do trabalho

Zulmira Furbino, Portal Uai

Eles querem simplificar a vida e ficar cada vez mais conscientes dos hábitos do dia a dia, entre eles, locomoção e transporte, consumo, alimentação e cuidados com o meio ambiente. Com isso, ganham tranquilidade, livram-se do automatismo, têm tempo para se dedicar às relações com a família, amigos e conhecidos, realizam sonhos e conquistam tempo para a leitura. Seu jeito de viver é cada vez mais despojado e sua necessidade de consumo, cada dia menor. Quem são eles? Pessoas que deixaram de se arrebentar de trabalhar e passaram a atentar para outras necessidades, além das materiais. Gente que busca – e encontra – novo sentido para a vida.

É o caso de José Luiz Ribeiro, psicólogo e educador ambiental, e de sua mulher, Ana Maria Vidigal Ribeiro, que também atua como educadora ambiental. Juntos, em 2001, eles fundaram o Centro de Ecologia Integral, organização não governamental (ONG) que trabalha por uma cultura de paz e pela ecologia integral. Há algum tempo, a ONG criou um grupo que hoje discute a simplicidade consciente, conceito que ultrapassa o limiar da simplicidade voluntária. “Percebemos que o conceito de simplicidade varia muito de pessoa para pessoa. Hoje, sinto que o importante é cada um identificar o que é viver com simplicidade. Essa discussão fica mais rica num grupo”, acredita.

Na vida do casal, a simplicidade começa no trajeto de casa para o trabalho. Para chegar ao escritório, os dois precisam apenas atravessar a rua. “Minha esposa e eu sempre demos um jeito de morar perto do trabalho. Hoje, a nossa única condução é o elevador do prédio”, brinca. Falando sério, ele diz que uma das coisas que gosta bastante e que abriu mão foi comprar muitos CDs. “Reduzi muito a quantidade. Hoje, quando compro um CD, faço com consciência, e não de forma compulsiva. Meus filhos sempre estudaram perto de casa. Quando ia buscá-los, me deparava com aquela quantidade de pessoas correndo, deixando o carro em fila dupla, e percebia o sofrimento que havia ali”, observa.

Para Ana Maria, pensar em simplicidade consciente é um passo além. Ela explica que põe o conceito em prática na sua vida, principalmente refletindo antes de agir e prestando atenção “no aqui e no agora para sorver o que é mais precioso”. O primeiro movimento nesse sentido, segundo ela, foi a mudança da alimentação. “E foi um passo enorme”, define. Outro avanço foi com relação à leitura. “Era uma devoradora de livros. Foi aí que pensei que estava infestando a minha mente e que não estava tendo tempo para reflexão entre uma leitura e outra. Por isso, reduzi o ritmo”, afirma. Além disso, ela se recusa a embarcar na “loucura” da internet. “Conscientemente, não entrei nessa”, sustenta. Clique aqui para ler mais.

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