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Ginástica para a garganta promete solucionar o ronco

Por Maya Santana

Os exercícios duram em média 8 minutos e devem ser feitos 3 vezes por dia

Os exercícios duram em média 8 minutos e devem ser feitos 3 vezes por dia

Mais da metade da população adulta ronca de vez em quando ou todos os dias. Esse é um dado que nos dá a medida do problema. Convenhamos, poucas coisas são mais desagradáveis do que ter uma pessoa que ronca ao seu lado. Já há aparelhos e técnicas que ajudam a conter o enervante barulho. Agora, pesquisadores do Instituto do Coração, em São Paulo, desenvolveram um tratamento que consiste de um conjunto de exercícios, realizados três vezes por dia. Os médicos garantem que o processo põe um fim ao ronco.

Leia o artigo de Carolina Cotta para o Estado de Minas:

Estudos estimam que 54% da população adulta ronque, às vezes ou frequentemente. O barulho causado pela vibração dos tecidos da faringe com a passagem do ar é fonte de piadas e até de crises conjugais, mas é principalmente um alerta para algo que vai muito além do incômodo. O ronco pode ser um dos sinais de um problema ainda mais grave: a apneia obstrutiva do sono, fator de risco importante para as doenças cardiovasculares. Para cuidar da apneia grave, havia um tratamento bem estabelecido, com uso do CPAP, um aparelho que promove uma pressão positiva contínua na via aérea. Os pacientes com apneia intermediária e leve, contudo, e aqueles que incomodam com o ronco, não dispunham de um tratamento estabelecido até o desenvolvimento dessa espécie de “ginástica da garganta”.

A técnica pioneira foi desenvolvida pelo Laboratório do Sono do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/Fmusp). O tratamento é uma série de seis exercícios para fortalecer os músculos envolvidos, direta ou indiretamente, na produção do ronco e na apneia obstrutiva do sono. Com duração de oito minutos, eles devem ser realizados três vezes ao dia e, para facilitar ainda mais a adesão do paciente ao tratamento, sempre incorporados às atividades rotineiras, como se alimentar, escovar os dentes ou no percurso para o trabalho, por exemplo. Sua efetividade, contudo, depende da orientação de um fonoaudiólogo especializado em motricidade orofacial, área da fonoaudiologia de onde os exercícios se originaram.

“Embora seja de fácil execução e não tenha qualquer contraindicação, os exercícios devem ser prescritos, orientados e acompanhados por profissionais especializados”, reforça a fonoaudióloga especialista em motricidade orofacial Vanessa Ieto, autora do estudo que resultou na nova técnica. Essa medida é necessária para que os desvios na execução dos exercícios sejam diagnosticados e corrigidos ao longo do tratamento. “Ao fazer o movimento errado, seja por um milímetro, serão trabalhados músculos que nada têm a ver com a cessação do ronco”, explica a doutora em ciências e pesquisadora do Incor. Se as pessoas tentarem reproduzir o exercício em casa, sem a orientação do especialista, não serão capazes de fazer a carga e a força necessárias e, se não fizerem direito, não vão chegar aos resultados.

Segundo Vanessa, para manter os benefícios, o paciente não pode parar com os exercícios, mas depois de um período, o tratamento entra em fase de manutenção. Em média, a fase inicial dura três meses. Nesse período, o fonoaudiólogo deve ver o paciente pelo menos uma vez por semana para mudar a carga dos exercícios. A série leva cerca de oito minutos para ser realizada e deve ser feita três vezes ao dia. “O número de repetições, se o exercício será fraco ou forte, vai depender da frequência do treino em casa”, explica. Clique aqui para ler mais.

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