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Guardem no ventre a esperança!

Por Maya Santana

Guardem no ventre a esperança

Tenham calma as que querem ser mães~, mas não tiveram tempo ainda

Déa Januzzi

Em nome de todas as mulheres de 37, 38, 39 e até de 40 anos ou mais, que, neste momento, não param de consultar o relógio biológico da maternidade. Em nome de todas as mulheres que estão sofrendo porque ainda não são mães nem têm um parceiro para abraçar um projeto de vida mais duradouro e estável, que inclui um filho.

Em nome de todas as mulheres contemporâneas que tiveram que fazer outras opções antes de ser mães, que se preocuparam em estudar, pensar na profissão. Em nome dessas mulheres valentes que conquistaram o mercado de trabalho antes de gerar um filho.

Em nome de todas as mulheres que são pressionadas pela família e pela sociedade de que precisam ter um filho, que vivem o desencanto afetivo, neste momento tão urgente de suas vidas, eu digo: tenham calma, advogadas, médicas, jornalistas, empresárias que desejam ser mães, mas não tiveram tempo ainda. Se vocês vivessem no século 18, teriam um filho atrás do outro e estaria tudo certo, mas vocês, mulheres contemporâneas, estão fazendo a história do século 21. Portanto, não se culpem, nem deixem que as pressões externas tirem a alegria de ser mulher, de viver em plenitude mesmo sem a maternidade.

Não se culpem mulheres de 37, 38, 39 e até de 40 anos ou mais que ainda não são mães. Lembrem-se de que a maternidade no mundo contemporâneo pode ser um desejo, uma opção, mas uma recusa também.

Ouçam as palavras da diretora da Clínica do Feminino, Marisa Sanabria, sobre a maternidade. Ela diz que a pressão social pela mulher fecunda, que gera cidadãos, é um conceito muito recente na história. “A mulher pode se recusar a ser mãe sem se sentir culpada.” Libertem-se, mulheres contemporâneas, de mais essa carga. Não se culpem, porque no momento atual, as relações estão mesmo desencontradas. Está difícil mesmo achar uma parceria para a vida afetiva. Acalmem-se, porque filho é para a vida toda! Então, não tenham pressa.

Em nome das mulheres que estão sofrendo diante do relógio biológico, eu peço: não tragam para as suas vidas mais um peso, uma tortura, porque nós já expiamos muitos pecados. A maternidade não pode ser mais uma cruz pesando nos nossos ombros. Em nome das mulheres que estão clamando pela maternidade, preciso lembrar a cada uma delas. Filho precisa de pai e de mãe. Filho dá trabalho mesmo, educar no mundo de hoje não é fácil, principalmente depois de uma separação. Criar filho sozinha no mundo contemporâneo é tarefa árdua. Trabalhar e ser mãe, então, nem se fala.

Em nome das mulheres que têm urgência, repito: não se coloquem no banco dos réus, não se excluam em nome de uma maternidade que tem hora para acontecer. Por enquanto, vocês estão gerando um novo mundo, para que os seus filhos tenham chance de nascer para fazer a diferença. Os filhos do novo mundo necessitam de mães especiais, vencedoras, mas que sabem que o sagrado feminino não desiste nunca, mas não guerreia.

Em nome das mulheres que, a todo momento, consultam o relógio biológico, eu digo: tenham paciência. Enquanto a maternidade não vem, gerem um mundo melhor, que necessita urgentemente também de mães no sentido da intuição, da criatividade, da compaixão, da ética e da generosidade. Sejam mães de projetos de vida, adotem propostas de transformação, mostrem a luz de todas vocês, que pode não ser a da maternidade, mas que ilumine tudo que vocês tocarem como um farol. Mães no sentido verdadeiro da palavra.

Ninguém precisa gerar um filho no próprio ventre para dar a luz a novas ideias e formas de viver. O mundo está precisando muito de mães, mulheres como vocês que têm a beleza, a liberdade, a independência, que são donas do próprio nariz, que conseguiram chegar até aqui, depois de toda a exclusão da história. Há um chamado universal para expulsar a violência, a intolerância, a injustiça. Guardem no ventre a esperança!

Esta crônica de Déa Januzzi foi publicada originalmente no Estado de Minas com o título “Grávida de Idéias”.

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1 Comentários

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Déa Januzzi 19 de abril de 2014 - 15:39

Esta crônica é uma homenagem a todas as mulheres que não tiveram filhos ainda, mas que estão férteis de projetos e ideias.

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