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Há 60 anos, o presidente Getúlio Vargas se matava

Por Maya Santana

Getúlio se matou com um tiro no peito em 23 de agosto de 1954

Ele foi quem governou o Brasil por mais tempo

O suicídio mais famoso do Brasil aconteceu o dia 24 de agosto de 1954, quando o presidente da República, Getúlio Vargas, então com 72 anos, vestido de pijama, depois de uma noite na qual não havia pregado os olhos, muniu-se de um velho revólver e deu um tiro certeiro no peito. Passava pouco das 8h30m da manhã. Getúlio foi quem governou o Brasil por mais tempo: – 3 de novembro de 1930 – 29 de outubro de 1945 e 31 de janeiro de 1951 – 24 de agosto de 1954 .

Leia mais detalhes da tragédia que abalou o Brasil nesse artigo de Leandro Melito para o portal EBC:

“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. A frase, uma das mais célebres passagens da história política brasileira, encerra a carta-testamento deixada por Getúlio Vargas. Há 60 anos, no dia 24 de agosto de 1954, o então presidente tirou a própria vida em meio à pior crise enfrentada em seus anos de atuação política.

Uma reunião com os ministros no Palácio do Catete varou a madrugada e decidiu que Getúlio se afastaria do governo por três meses para dar lugar ao vice, Café Filho. Após o fim da discussão, já com o dia claro, o político se recolheu ao seu aposento. Por volta das 8h35, o barulho de um tiro ecoou pelo palácio. Seu filho Lutero correu para o quarto, seguido pela esposa de Vargas, Darcy, e a filha Alzira.

Getúlio Vargas de bombacha, em 1938

Getúlio Vargas de bombacha, em 1938

“Getúlio estava deitado, com meio corpo para fora da cama. No pijama listrado, em um buraco chamuscado de pólvora um pouco abaixo e à direita do monograma GV, bem à altura do coração, borbulhava uma mancha vermelha de sangue. O revólver Colt calibre 32, com cabo de madrepérola estava caído próximo à sua mão direita”. É assim que Lira Neto descreve o cenário da morte de Vargas no terceiro volume da série biográfica Getúlio.

A carta-testamento de Getúlio Vargas, que seria transmitida durante aquele dia pelas rádios em todo o território nacional, foi encontrada em um envelope, encostada ao abajur da mesinha da cabeceira da cama do então presidente. Nos apontamentos do biógrafo, o texto, originalmente esboçado por Getúlio, teve sua versão final passada na máquina de escrever pelas mãos de um amigo, José Soares Maciel Filho, já que o ex-presidente não sabia datilografar. O rascunho da carta havia sido encontrado no dia 13 de agosto pelo major-aviador Hernani Fittipaldi, um dos ajudantes de ordem de Getúlio, enquanto arrumava a mesa do presidente.

Assustado com o conteúdo do manuscrito, ele entregou o papel à Alzira, que questionou o pai. “Não é o que estás pensando, minha filha. Não te preocupes, foi um desabafo”, se esquivou Vargas. Essa porém não foi a primeira vez que Getúlio fez menção ao suicídio. Em suas anotações pessoais ele já havia cogitado tirar a vida em outros momentos de sua jornada política.

A primeira delas foi quando chegou ao poder em 1930. Naquela data, enquanto se encaminhava para a sede do governo, se disse disposto a não retornar com vida ao Rio Grande caso não obtivesse sucesso na empreitada. Era a primeira anotação pessoal que fazia no diário que carregou para o resto da vida. Lira Neto considera que a diferença em 1954 é que Getúlio se viu encurralado e não conseguiu contornar a crise como das outras vezes. Confira em vídeo trecho da entrevista com Lira Neto:

Depois de chegar ao poder na liderança do movimento que ficou conhecido como Revolução de 1930, o político gaúcho Getúlio Dornelles Vargas exerceu o governo no país de forma ininterrupta até 1945. De 1930 a 1934 ele foi chefe do Governo Provisório. Em 1934 foi eleito presidente da república pela Assembleia Nacional Constituinte e exerceu o Governo Constitucional até 1937, quando por meio de um golpe instaurou a ditadura do Estado Novo, que durou até 1945. Retirado do comando do país por um golpe militar, se recolheu à sua cidade natal, São Borja (RS), de onde articulou sua volta ao poder pela via democrática nas eleições presidenciais de 1950.

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2 Comentários

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everailde silva 24 de agosto de 2014 - 23:30

Lembro-me perfeitamente. Neste dia em que se anunciava a morte do Sr.Getulio Vargas, eu, com meus 8 anos de idade, me encontrava na Escola, que se chamava ASILO NOSSA SENHORA DE LOURDES, e me vejo sentada na escada que dava acesso ao Asilo, eu, com a mão no queixo, esperando que meu pai fosse me buscar ! Jamais esquecerei esta cena e este momento!

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Antonio f reis 24 de agosto de 2014 - 01:26

Boa Maya … bjs

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