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Hebe aproveitou cada dia como se fosse o último

Por Maya Santana

Uma mulher que exalava o bem, segundo a amiga, atriz Miriam Simone

Ana Maria Cavalcanti

“Conheci a Hebe quando ela começou a cantar na Radio Tupi, ainda adolescente. Eu estava começando também, era atriz e ela cantora – éramos uma família na radio. Ela só cantava música brasileira, lembrava muito a Isaurinha Garcia: “ Quando o carteiro chegou…” Depois, aperfeiçoou seu estilo.

Com o primeiro marido, Décio Capuano. Ele tinha 20 anos. Ela, 30

Hebe foi a pessoa mais extrovertida que conheci até hoje. Ria muito, dava gargalhadas, corpo muito bonito, namoradeira, cabelo preto compridos – herança da avó índia. Conheci o pai dela também que era o violinista da orquestra da Tupi, “seu” Fego Camargo.

Com o primeiro e único filho, Marcelo, do casamento com Décio Capuano

Foi na Tupi que ela teve o primeiro de seus muitos programa de auditório, às quintas-feiras, chamado ” A noite de Hebe”. Chovia anunciantes. Daí pra frente, ela não parou mais. Quando foi para a TV Excelsior, conheceu o primeiro marido, Décio Capuano, 10 anos mais novo que ela. Achamos esquisito, porque naquela época isso não era comum como agora. Ele tinha 20 e ela 30. O casamento durou 5 anos e tiveram um filho, o Marcelo. Hebe passou ainda pela Bandeirantes, Record, SBT e, no final Rede TV. Ela adorava o que fazia e nunca quis parar de trabalhar.

A última vez que vi Hebe foi na festa de comemoração dos 60 anos da televisão brasileira, em 2010. Lá estava ela, a dama da televisão brasileira, sorridente, simpática. Rica, famosa e badalada, nunca deixou de ser simples “ Eu sou de Taubaté, e continuo falando como caipira’, dizia ela.

Miriam Simone, amiga de Hebe desde o início. Foto: Marinez Maravalhas

É muito triste ver seus amigos de longa data indo embora. Mas para além da tristeza e da saudade, tento guardar as lições que aprendi com cada pessoa. Hebe era uma pessoa que sabia viver o agora, viver no presente – aproveitar cada dia como se fosse o último, com alegria, piadas, risos. Isso é uma lição que ela me deixou e é assim que eu tento viver: fazendo apenas o que tenho vontade, para aproveitar minha vida plenamente. Fazer coisas novas, vestir roupas novas, conhecer gente jovem, gente diferente, isso nos deixa vivas, nos deixa atuais. Vivendo assim é quase como se não envelhecêssemos. Ao invés da dor, tento guardar essa lição e a alegria de viver que ela me deu.”

Leia também Aos 80 anos, voltei a trabalhar como atriz

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1 Comentários

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Daniel Taques Bittencourt 5 de outubro de 2012 - 01:46

Essa reportagem é uma verdadeira lição de vida! Carpe Diem! É possível viver bem em qualquer idade!!!

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