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Gente que soube envelhecer e saborear cada momento da vida

Por Maya Santana

Lúcia Torres Vaz de Mello, de 81 anos, é levantadora de vôlei, adora viajar e já conheceu diversos países (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press )

Lúcia Torres Vaz de Mello, de 81 anos, é levantadora de vôlei, adora viajar e já conheceu diversos países (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press )

Maya Santana, 50emais

Cada uma das histórias destas pessoas mais velhas, nesta longa reportagem de Valéria Mendes, do jornal Estado de Minas, serve como inspiração, como estímulo, porque são exemplos de que é possível haver envelhecimento com prazer de viver. O que há em comum entre as pessoas ouvidas na reportagem é que todas elas levam uma vida ativa. Têm o que fazer, não ficam ociosamente vendo a vida passar. Já está provado que quem se ocupa, sobretudo fazendo o que quer fazer, o que gosta de fazer, tem uma velhice mais tranquila, apesar das inconveniências que vão chegando com o passar do tempo. Estas são histórias de pessoas que gostam de viver e enfrentam a vida de frente.

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“A minha casa tem cheiro de pão de queijo quentinho saindo do forno. É igual casa de vó mesmo. Mas não tenho nada a ver com as avós de 1920 que passavam o dia fazendo crochê.” E foi assim que Maria de Lourdes, de 74 anos, recebeu a equipe do Estado de Minas em seu apartamento na região Leste de Belo Horizonte. Mesa posta com suco natural de manga, café fresquinho – sem deixar faltar a iguaria mineira mais celebrada – e boa conversa. “Peito no céu” é a frase que ela tem gravada em seu corpo de dançarina avançada de flamenco, de tanto ouvir a recomendação da professora. Postura de dar inveja, o grande orgulho dessa mulher é a sua família, seus cinco filhos – três mulheres e dois homens – e seus netos Nathalia, de 22, Yuri, de 11, e Andrei, de 7.

Ela, que antes de se aposentar aos 62 anos, foi professora de educação física e auxiliar de biblioteca, acumulando dois cargos públicos no Estado, olha para trás e se sente grata de ter conseguido com o marido, o auxiliar administrativo Antônio de Castro Lamego, falecido em 2002, dar o suporte necessário para que cada um dos filhos do casal “fosse bem-sucedido e reconhecido em suas profissões”, palavras da mulher que riscou muito salão com seu salto alto ao lado do companheiro de décadas.

Quando Antônio se foi, Maria de Lourdes precisou de um tempo para achar graça novamente na vida. Apesar de se sentir disposta e bem fisicamente, inclusive para regressar ao ambiente profissional, ela acha “injusto com a juventude ocupar um posto de trabalho em época de desemprego”. Por isso, está matriculada, desde 2009, em uma Faculdade de Terceira Idade, com aulas às segundas, quartas e sextas-feiras. Mas ainda sente falta do que fazer. “Tenho muita disposição”, diz enquanto enumera algumas das 30 disciplinas em que está matriculada: cinema, história da arte, tai chi chuan, aerodance, dança livre, espanhol e inglês, direito do consumidor, culinária…

Com cinco filhos e dois netos, Maria de Lourdes, de 74 anos, é dançarina de flamenco e faz faculdade da terceira idade (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Com cinco filhos e dois netos, Maria de Lourdes, de 74 anos, é dançarina de flamenco e faz faculdade da terceira idade (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Maria de Lourdes se diz agitada e conta que faz o almoço com computador e televisão ligados, “para não perder nenhuma notícia importante” e acompanhar os posts no Instagram enquanto responde às mensagens que não param de chegar no grupo ‘Friends’, do WhatsApp. São as companheiras de flamenco que compõem o Bell’Art Grupo de Dança: 20 dançarinas, “a mais nova de 61 anos e a mais velha de 78”, conta. Essas mulheres têm mostrado seu talento em espetáculos em locais de Belo Horizonte e, também, em cidades perto, como Lagoa Santa.

ESTILO SAUDÁVEL A mãe de Juliana, Cristiano, Maria Cristina, Luciano e Daniela diz que a primeira vez que pensou sobre envelhecimento tinha 40 anos. “Lembro da sensação, de me assustar com o passar do tempo”, relata. Mas a tal da terceira idade chegou e ela diz que não tem nada do quê reclamar. “Tenho um estilo de vida saudável, sempre pratiquei atividade física, me alimentei bem, não fumei e nem socialmente eu bebo. Só tenho a agradecer de chegar a essa idade com a disposição que eu sinto.”

Animação grande. Generosidade idem. Ela também faz artesanato, toca teclado, dirige pra todo lado e cuida dos netos “com todo o amor do mundo” sempre que é preciso, inclusive quando a caçula, Daniela, precisa que a mãe fique com Andrei para que ela vá ao estádio ver o Galo jogar. Maria de Lourdes é apaixonada pelo Cruzeiro. Mas ela já entendeu que paixão por um time de futebol não é coisa que se discuta. A gente aceita e pronto.

Maria de Lourdes não tem namorado e “casar está fora de cogitação”. “Até já apareceram candidatos, mas nenhum que valesse a pena”. Ao seu lado nos salões, ela teve um amigo que foi seu parceiro por muito tempo. Alfredo de Paula Neves que, segundo ela, decidiu, aos 98, que iria para uma casa de repouso porque já não estava gostando mais de viver sozinho. Os dois não dividem mais os “palcos” porque ele já faleceu. Esse talvez seja um aspecto difícil dessa fase da vida: se despedir de tanta gente querida.
O segredo da senhora de 74 anos para uma terceira idade de alegrias? Ela resume assim: “Sou mais feliz hoje, com meus filhos criados, do que antes. Meu conselho para viver bem é conviver com pessoas da mesma idade e não ficar em casa sozinho”, diz.

Coragem de mudar

O representante comercial Jorge Antonio da Silva, de 80 anos, é exemplo de como é possível mudar o rumo da vida em qualquer idade. Por 30 anos trabalhando em uma mesma empresa, ele já não se sentia mais feliz. Quando conversou com a filha, Jane Rocha, que é gerente de recursos humanos, sobre a vontade de mudar de empresa, ela confessa que ficou um pouco apreensiva. “Embora eu o tivesse incentivado, fiquei receosa em razão de o mercado não estar aberto às pessoas mais velhas. Meu pai trabalhou em poucos lugares na vida e trocar de emprego não é algo comum nessa idade”, revela.

Pai e filha começaram então pelo currículo, com referências de clientes de Jorge, que sempre trabalhou no segmento de autopeças, e ele foi selecionado. “Sempre fui vendedor, desde criança. Com 5 anos já ajudava meu pai a vender café”, recorda-se.
Jorge diz que construiu sua trajetória profissional em cima de sacrifícios e aprendizado. “Eu achava que o quê iria me tirar da praça seria a idade, mas hoje acredito que é a comunicação”, diz. Clique aqui/strong> para ler mais.

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1 Comentários

Gente que soube envelhecer e saborear cada momento da vida | JETSS – SITES & BLOGS 11 de janeiro de 2017 - 12:34

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