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Histórias de amor que já duram décadas e permanecem vivas

Por Maya Santana

Magui e Orestes compartilham a vida um do outro há 38 anos

Magui e Orestes compartilham suas vidas há 38 anos

Esta reportagem de Zulmira Furbino para o Estado de Minas – com o título de “Casais celebram o romantismo e mostram que é possível manter um relacionamento duradouro”- conta histórias fascinantes de pessoas que, acredite você ou não no amor, parecem ter nascido umas para as outras: vivem juntas há anos e se dão muito bem.

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Há 22 anos, quando a escultora Vânia Braga, hoje com 50 anos, e o neurocirurgião Gustavo Valadão, de 70, resolveram se casar, havia algo de inusitado no ar. No lugar do nome dos pais de cada um chamando para a cerimônia, havia a seguinte inscrição no convite para as bodas: “Mariana Braga Valadão convida para o casamento dos seus pais, Vânia Braga e Gustavo Valadão”, dizia o texto impresso no tradicional retângulo recortado, confeccionado em papel de linho e enviado a 500 convidados, que hoje está emoldurado e ocupa uma parede de destaque no escritório do casal. A filha tinha apenas 1 ano e 9 meses quando isso ocorreu. Outra quebra de protocolo: no lugar do pai da noiva, foi ela quem entrou no local da cerimônia, de mãos dadas com a mãe. Aos presentes na cerimônia, só restou chorar e aplaudir.

A celebração já seria linda o suficiente para marcar uma união amorosa, mas os lances que ocorreram até esse desfecho feliz a tornam ainda mais inacreditável. É praticamente impossível escutar a história do casal sem imaginar que existe destino e que, sim, esse amor tinha de acontecer, porque estava escrito nas estrelas. Às vésperas do Dia dos Namorados e da celebração do amor romântico, tão fora de moda nos dias atuais, o Estado de Minas apresenta ao leitor enredos incríveis de amores reais, que parecem saídos direto de um conto de fadas ou ser coisa de outro mundo. “A gente tinha de se encontrar nesta existência. Sinto isso”, sustenta Vânia, que, depois de sofrer um acidente gravíssimo, teve a vida salva pelas hábeis mãos do neurocirurgião, que, mais tarde, se tornaria seu namorado e marido.

Assim como Vânia e Gustavo, outros casais têm a sorte de viver intensas e longevas histórias de amor, experimentando desencontros e encontros, palpitação no coração, tremor nas mãos e suores frios até chegar a um final feliz, onde o fim nada mais é do que um belo jeito de começar. É o caso da artista plástica e estudante de design de interiores Ana Luisa Gonçalves Prado, de 49, e do arquiteto Alex Levy Ferreira, de 49; da herborista Magdala Guedes, de 64, e de Orestes Ferreira Lúcio, de 77, proprietários do Sítio Sertãozinho; e dos empresários Rosaura Zica da Costa, de 58, e Paulo Carneiro Costa, de 62. “Ana e eu demoramos 16 anos para conseguirmos ficar juntos de verdade. Mas, em todo esse tempo, sentia que ela tinha sido a primeira e quase única pessoa com quem eu havia sido eu mesmo”, diz Alex Levy sobre sua mulher.

ENERGIA
“O amor é uma coisa intensa, maravilhosa, transformadora, energizante. Há estudos que mostram casais com mais de 20 anos de vida em comum que se relacionam como se hoje fosse o primeiro dia. E isso é provado em testes de ressonância magnética, que medem como essas pessoas reagem ao se deparar com fotos do ser amado”, explica o escritor, professor aposentado do Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em relacionamentos amorosos Ailton Amélio da Silva. Para ele, porém, esse é um privilégio de minorias. A boa notícia é que aquilo que aumenta as chances de uma pessoa viver uma experiência como as descritas acima pode ser aprendido em parte. “No geral, não fomos educados para esses grandes encontros amorosos. Dá trabalho manter, mas o resultado é maravilhoso”, observa Silva. De acordo com ele, a felicidade desse tipo de relacionamento equivale a pegar o salário de alguém e aumentar quatro vezes. “A diferença é que, com o aumento de rendimentos, a gente se acostuma, mas com o amor é diferente. Existe o companheirismo, o sexo, a cumplicidade, o romance e o prazer. Nenhuma experiência na vida pode ser comparada a isso.”

Sólido como uma rocha
Fruto do acaso, coincidência feliz ou construção tijolo a tijolo. O fato é que um encontro amoroso requer tolerância e o mesmo desejo de prosseguir juntos

Na maior parte das vezes, um amor do tipo escrito nas estrelas tem que ser tecido com muita paciência e, principalmente, estar repleto de coincidências felizes. Mas um encontro amoroso, alertam os especialistas, não é somente fruto do destino ou do acaso. Trata-se, ao contrário, de uma construção que deve ser feita tijolo a tijolo, usando como argamassa a tolerância, a compreensão do outro e de si mesmo e o desejo de prosseguir juntos depois de um encontro que parece ter sido mágico. É o que vêm fazendo Ana Luisa Gonçalves Prado e Alex Levy Ferreira, a herborista Magdala Guedes (Magui) e Orestes Ferreira Lúcio, e os empresários Rosaura Zica e Paulo Carneiro Costa.

Com um casamento que já dura 38 anos, marcado pela parceria e pela compreensão mútuas, Magui conta que foi professora da filha do marido antes de conhecê-lo. “Ela tinha 10 anos e começou a levar retratos dele para que eu pudesse ver. Um dia, me disse que seu pai havia me convidado para ir ao rancho da família, em Três Marias. Fiquei assustada, porque tinha namorado, mas resolvi telefonar para agradecer. Só que ele não estava sabendo de nada. A menina havia criado a situação”, lembra a herborista. No feriado seguinte veio um novo convite, dessa vez de verdade. “Já o havia visto na escola e o olhar dele me chamava. Resolvi aceitar e terminei o namoro. Era um sábado. Na quarta-feira seguinte, Orestes me pediu em casamento e aceitei”, revela.

Apesar de protagonizar uma história tão rara quanto mágica e engraçada, Magui acredita que o amor é, de fato, uma construção, é querer fazer de um relacionamento um encontro. “É preciso investir juntos, ter projetos em comum e paciência com as próprias limitações para ter tolerância com o outro”, observa. Para ela, seu relacionamento com Orestes é exatamente isso. “Sinto que era como se a gente já se conhecesse, mas ao longo desse tempo fomos nos reescolhendo, casando novamente, já que aquele homem que conheci há 37 anos e aquela mulher que Orestes conheceu, não existem mais. Hoje, fico triste com a falta de disponibilidade dos jovens para amar”, explica. Clique aqui para ler mais.

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