Honras de heroi para Gabriel Garcia Marquez

Por Maya Santana
O  escritor de língua espanhola mais importante do século XX

Talvez o escritor de língua espanhola mais importante do século XX

Quatro dias depois de sua morte, em consequência de um câncer, na capital mexicana, aos 87 anos, milhares de pessoas, inclusive os presidentes do México e da Colômbia, se despediram, finalmente, do escritor Gabriel Garcia Marquez, nesta segunda-feira, 21 de abril. Neste artigo, o jornal El País dá todos os detalhes da despedida do mestre das letras espanholas, cujo corpo foi cremado um dia antes.

Leia o artigo:

Prepararam a despedida de Gabriel García Márquez para que o homem que já se foi, talvez o escritor de língua espanhola mais importante do século XX, se sentisse um chefe de Estado ou um herói antigo. Sua mulher, Mercedes Barcha, chegou com suas cinzas depois das quatro da tarde ao Palácio de Belas Artes, o centro da cultura tradicional mexicana. Os familiares e amigos ali presentes, com flores amarelas na lapela, aplaudiram por mais de quatro minutos. Um grupo de vallenato, ritmo folclórico da Colômbia, cantou depois a música que fazia Gabo vibrar e seus filhos a seguiram batendo palmas e dançando em suas cadeiras. Na porta, onde mais de 10.000 devotos e leitores levavam horas na fila para dizer-lhe adeus, escutava-se um grito: “Viva Gabo!”.

A viúva, Mercedes Barcha, ladeada pelos dois filhos do casal

A viúva Mercedes Barcha com os dois filhos do casal diante da urna

Este colombiano universal que jamais quis adquirir outra nacionalidade, também quebrou tradições depois de morto, e deixou uma marca na história do protocolo mexicano. Despediu-se como um dos grandes, à maneira de Cantinflas ou Diego Rivera. As cinzas do colombiano, guardadas em uma urna de madeira de cerejeira, foram o elemento central e solene da cerimônia laica.

Gabo também fez, depois de morto, algo que havia tentado na terra: colocar no mesmo lugar mandatários de países distintos e, às vezes distantes, para que chegassem a um acordo. Neste caso, não há diferenças entre a Colômbia, seu país natal, e o México, onde viveu meio século e escreveu o romance mais colombiano de todos seus romances colombianos, Cem Anos de Solidão. Em sua homenagem, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, viajou ao México para presidir a parte mais solene da cerimônia de adeus, junto ao seu colega Enrique Peña Nieto. Ambos tiveram que enfrentar mais de uma hora de atraso que seguramente Gabo, em vida, não teria tolerado.

Borboletas e flores amarelas, a cor preferida do escritor

Borboletas e flores amarelas, a cor preferida do escritor

Nenhum homem foi de guayabera ou todo de branco, como ele o fez quando recebeu o Nobel de Literatura em 1982.  As primeiras guardas de honra diante das cinzas foram protagonizadas pelos filhos, a viúva, os netos, o irmão Jaime, o motorista Genovevo Quiróz, a assistente Mónica Alonso, e assim sucessivamente o círculo foi crescendo até que passassem amigos como Ángeles Mastretta, Héctor Aguilar Camín, Jorge F. Hérnandez, e Jacobo Zabludovsky, entre outros. Ao fundo, tocava um quarteto de cordas de Mozart. O preto prevaleceu entre os presentes. Mercedes Barcha, que pela manhã esteve conversando com o ex-presidente espanhol Felipe González, também foi com a cor do luto, embora Gabo a houvesse expressamente proibido. Uma amiga perguntou-lhe horas antes como ia e ela respondeu sem duvidar: “De preto”.

Nenhum homem foi com as típicas camisas guayabera ou todo de branco, como ele fez quando recebeu o Nobel em 1982. Só usava essa cor, e acredita-se que, por profissionalismo, o enfermeiro que acompanhava o político mexicano Porfirio Muñoz Ledo. O presidente Santos sentou-se à direita de Barcha, a viúva, e Peña Nieto, à esquerda. Santos, em seu discurso, classificou Gabo como o “maior colombiano de todos os tempos” e lhe elogiou por incluir em sua obra “a essência do ser latino-americano”. “Que privilégio chamar-lhe compatriota”, disse Santos. E destacou que se trata “do mais colombiano dos colombianos”. “Glória eterna a quem nos deu tanta glória”, arrematou.

O escritor colombiano, morador do México, morreu na quinta, 17 de abril

O escritor colombiano, morador do México, morreu em 17 de abril

Havia muita expectativa sobre o que o presidente mexicano iria dizer sobre o escritor. Em outras ocasiões, havia tropeçado falando de literatura, como quando na Feira Internacional do Livro de Guadalajara não pode citar com fluidez três livros que teria lido. Peña Nieto não se meteu em apuros. Seu discurso esteve recheado de anedotas que são conhecidas de sobra pelo público. Classificou o colombiano como “o maior romancista latino-americano de todos os tempos”. Lembrou que o começo de Cem Anos de Solidão foi escrito em uma viagem à praia e destacou sua profunda admiração por Juan Rulfo. E acrescentou que Gabo morreu no mesmo dia em que a Sóror mexicana Juana Inés de la Cruz, em 17 de abril.

Gabriel García Márquez morreu aos 87 anos na quinta-feira passada, às 12h08 hora local, em sua casa de sempre, na rua Fuego 144, cercado por Mercedes Barcha e seus filhos Gonzalo e Rodrigo, assim como seus cinco netos. Seus últimos dias foram calmos, submetido a cuidados paliativos que haviam sido aconselhados pelos médicos quando foi comprovado que uma medicação mais invasiva não ia resolver os graves problemas que deterioraram a saúde do escritor. A preparação da cerimônia de segunda à tarde foi tão sigilosa (e tão rápida) como a própria discrição com a qual a família de Gabo manteve as circunstâncias que em se encontrava o doente. Clique aqui para ler mais.


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1 Comentários

lisa santana 24 de abril de 2014 - 00:56

Glória eterna a um dos maiores escritores desta nossa América! Quem tiver a oportunidade, leia uma das apresentações do livro CEM ANOS DE SOLIDÃO das edições posteriores as publicações de 82, que é a carta que ele leu quando recebeu o prêmio Nobel de literatura. É de emocionar. Como toda a sua obra. Bravos Garcia! Bravos!

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