Incomoda a importância que se vem dando à idade

Por Maya Santana
Para dirigir: 18 anos. Para votar: 16.  Para ter cabelos longos: até 40...

Para dirigir: 18 anos. Para votar: 16. Para ter cabelos longos: até 40…

Este artigo, de Barbara Semereme, foi publicado no Brasil Post com o título “A Idade Certa”. Chama a atenção para a “ditadura da idade” em que vivemos.

Leia:

Para dirigir: 18 anos. Para votar: 16. Para entrar no ensino fundamental: mínimo 6. Para ter cabelos longos: até 40. Para se casar: 30. Para ter o direito de morar sozinha e tomar decisões por conta própria: até os 75.

Ando incomodada com a importância atribuída à idade para definir as capacidades de uma pessoa, independentemente de quem seja ela e desconsiderando todas as suas outras características. A faixa etária é determinante tanto em legislações quanto no comportamento que cada um adota ou considera adequado que o outro tenha.

Apesar de idade ser, sim, referência essencial, será que deveria preponderar em relação a todas as outras que definem alguém? Me parece um critério frágil e opressor.

No caso das leis, se não for o número de anos de uma pessoa o critério de corte para definir a maturidade e o preparo dela para realizar certas tarefas – como dirigir ou entrar para um determinado nível de ensino -, o que seria?

Há pouco tempo eu estava pesquisando a melhor escola para meu filho começar a estudar e me deparei com um método pedagógico chamado Waldorf, bastante diferenciado dos demais. Enquanto o STF há pouco tempo definiu 6 anos como a idade de corte para que uma criança entre no ensino fundamental em qualquer lugar do país, a pedagogia Waldorf considera que uma criança está preparada para aprender a ler e escrever quando ocorre o fim da troca da primeira dentição. Acreditam que o desenvolvimento físico é o fator mais apropriado para indicar o ritmo de desenvolvimento afetivo e cognitivo de uma criança.

Ok, normalmente todos os dentes de leite já caíram por volta dos 7 anos. Mas, neste País tão grande, com tamanhas diferenças socioeconômicas e culturais, será que uma criança no interior do Nordeste troca os dentes na mesma idade de uma que mora na capital paulista?

Em termos comportamentais, a visão do que é adequado para cada idade tem sido flexibilizada, principalmente com o avanço da ciência. Há mulheres tendo filhos aos 45 e se casando aos 50 e… tudo bem. Tudo bem mesmo? Os estereótipos ainda são grandes inimigos da gente.

Me lembrei da minha avó. Ela tem 91 anos e, todas as manhãs, sai a pé de casa para cumprir sua rotina. Vai à feira, escolher legumes e frutas frescas para o almoço, passa na banca para comprar o seu jornal preferido, que lê de cabo a rabo, das manchetes às notas de falecimento. Três vezes por semana, freqüenta a academia, e volta cheia de energia para terminar sua jornada. Tem dias que vai ao banco conversar com seu gerente e pagar as contas. Noutros, pega um táxi para ir ao médico fazer exames de rotina. Ela se sente bem, saudável, cheia de vida. Porém, em cada lugar que chega, algo lhe incomoda profundamente: sempre ouve a mesma pergunta em tom de espanto “Mas a senhora veio sozinha?!!!”. É quando se lembra que tem 91 anos. Clique aqui para ler mais.


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7 Comentários

Francisca 6 de janeiro de 2018 - 15:19

Eu tô com 54e as vezes me incomoda o fato de alguns me acharem velha… Tenho saúde, trabalho, tô muito bem obrigada, acho q a gente tem que romper com o estereótipo do velho incapaz, doente, que nao tem voz ativa. A gente tem q mostrar que continuamos sendo gente e principalmente, somos Indivíduos singulares, com característica muito particulares e que a velhice não nos torna um ser sem plenos direitos de viver.

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Yeda MS machado 25 de maio de 2017 - 22:18

Idade não é fator que leva opressão social ou depressao…pelo contrário atualmente a uma conscientização de que o avanço de idade é dádiva divina e que é necessário e possível se viver por muitos anos dependendo da qualidade de vida saudável.
Também acho preconceituosa a idéia de quê quem mora aqui ou ali vive mais anos e, com maior lucidez ou vivacidade.
Minha avó paterna era nordestlna, maranhense morreu aos 100 anos e foi ativa até o final da vida …aos 99 anos viajou de avião de Sao Luis a Teresina sem precisar de ajuda ao descer na escada do Boeing e nem andar de cadeira de roda na pista do aeroporto…quando foi indagada ao que se devia tamanha vivacidade respondeu:
-trabalhar muito
-comer pouco
-não levar desaforo para casa.

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Márcia de Paula 22 de maio de 2017 - 23:19

Não acho que seja um incômodo ou opressão isto de marcar a idade. Para mim são momentos simbólicos e necessários, até porque são divisores. No mais, cabe a cada um decidir como quer se sentir.

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Sandra Maria Duarte 28 de maio de 2015 - 22:32

Quem ja estudou um pouco de antropologia, lembrar-se-a dos Ritos de Passagem.
Ritos de Passagem sao rituais feitos a fim de sinalizar uma nova etapa na vida de uma pessoa.
Os ritos geralmente estao ligados a fatores biologicos que queiramos ou nao, estao profundamente relacionados a determinada idade daquela pessoa.
A festa de 15 anos de idade das adolescents representa a idade official onde ela deixa de ser crianca e passa a ser mulher pois eh por volta desta idade que as meninas costuman mesntruar e seus hormonios femininos entram em acao desenvolvendo curvas, seios e pelos.
Nao ha nada de errado em se marcar datas especiais para eventos significativos na vida das pessoas.

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Luciane 25 de maio de 2015 - 20:52

Está errada a parte referente aos dentes. Geralmente, é aos 12 anos de idade que caem os últimos dentes de leite e não aos 7.

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Maria José 6 de janeiro de 2018 - 18:33

Exatamente. Começam a ser trocados por volta dos 5 ou 6 anos de idade e geralmente terminam por volta dos doze anos.

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Otacilia 24 de maio de 2015 - 14:36

Perfeito esse texto.

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