
50emais
Enquanto as mulheres se preocupam e fazem tudo para combater rugas e outras marcas trazidas pelo tempo, a indústria da beleza (cremes, loções, cirurgia plástica, etc.) lucra mais e mais. O envelhecer da mulher é altamente lucrativo para essa indústria.
É essa denúncia que a advogada e escritora americana Karen Walrondes faz em seu livro “Rebelião radiante: reivindique o envelhecimento, pratique a alegria e cause um pouco de confusão.” A autora sustenta que, “alimentar o preconceito contra os mais velhos dá lucro.”
Somente nos Estados Unidos, segundo ela, o mercado antienvelhecimento movimenta 37 bilhões de dólares (quase 200 bilhões de reais).
O problema não se restringe aos Estados Unidos. No Brasil, de acordo com o Euromonitor International, a indústria da beleza no Brasil movimentou em 2024 quase a mesma cifra americana: pouco mais de 173 bilhões de reais.
Leia o artigo completo de Mariza Tavares, do blog Longevidade: Modo de Usar, publicado por O Globo:
“Alimentar o preconceito contra os mais velhos dá lucro! Somente nos Estados Unidos, o mercado antienvelhecimento movimenta 37 bilhões de dólares (quase 200 bilhões de reais). O marketing funciona tão bem que, aos 28 anos, as mulheres já usam produtos contra rugas. Quando as empresas vendem a ideia do antiaging, têm clientes para a vida toda: dos cremes à cirurgia plástica”, afirma a advogada Karen Walrond, que propõe uma revolução liderada pelos maduros.
Esse é o tema do seu penúltimo livro, Radiant rebellion: reclaim aging, practice joy & raise a little hell, que pode ser traduzido para o português como Rebelião radiante: reivindique o envelhecimento, pratique a alegria e cause um pouco de confusão. “O que compartilho com as pessoas é o roteiro que elaborei para mim, de rejeitar as normas que alimentam o idadismo e criar uma visão do que desejamos, onde prevaleça nossa evolução como seres humanos, e não nosso declínio”.
Entenda rebelião como resistência a todos os estereótipos. “O etarismo é uma violação dos direitos humanos e, ao contrário das mensagens com as quais somos bombardeados incessantemente, conheço cada vez mais gente vivendo sua velhice com vitalidade. Você sabe que vai encontrar um caminho para enfrentar os desafios que virão, porque já superou outros antes”, explica.
Aos 55 anos quando escreveu o livro (hoje tem 58), Walrond decidiu investigar todas as áreas da sua vida – “inclusive, quis avaliar de que forma o idadismo tinha se instalado sorrateiramente dentro de mim” – e imaginar seu futuro com alegria e propósito. “Não quero ser uma superager, do tipo que resolve escalar montanhas aos 60 anos. Nunca fiz isso antes, por que faria agora?”.
Ela destaca que o caminho é apreciar a vida, mesmo diante de limitações físicas, e praticar o autocuidado e a autocompaixão: “o envelhecimento deve ser celebrado, não temido. Quando investimos em nós mesmos, em nossa saúde física e mental, estamos empoderando nossa jornada. O declínio não é inevitável”.
A autora acaba de lançar In defense of dabbling: the brilliance of being a total amateur, algo como Em defesa da experimentação: a genialidade de ser um completo amador, onde faz uma defesa apaixonada dos hobbies. Argumenta que, no mundo atual, até os passatempos se transformaram em negócios para gerar renda extra – “parece que somos obrigados a nos tornar experts e, no fim, nem sabemos do que gostamos”.
Walrond se aventurou em inúmeras atividades, apenas por prazer e diversão, e sem qualquer intenção de atingir um nível de excelência. Passou por cerâmica, surfe, aulas de piano e fotografar a Via Láctea – alternando descobertas emocionantes com fracassos retumbantes – e criou os sete atributos do amadorismo intencional: curiosidade, atenção plena, gentileza consigo mesmo, leveza, expansão da zona de conforto, conexão e encantamento.





