fbpx

Isolamento é tão ruim para a longevidade quanto certas doenças

Por Maya Santana

Raimunda Leal criou há 28 anos, na Candangolândia, um espaço para os idosos se encontrarem: "Se ficassem em casa, entrariam em depressão e morreriam mais cedo"

Raimunda Leal criou há 28 anos, na Candangolândia, um espaço para os idosos se encontrarem: “Se ficassem em casa, entrariam em depressão e morreriam mais cedo”

Correio Braziliense

Filha de libaneses que vieram tentar a sorte no Brasil, Rafa Daher Ceva chegou à cidade goiana de Ipameri com a estrada de ferro, em 1912. Lá, formou a família e realizou o sonho de ser professora. A senhora de 102 anos ensinou o português a gerações de adolescentes do interior goiano. Hoje, recebe o carinho por onde passa. “Eu não falo de dor, não me queixo da velhice. Deus me deu coisas que nem mereço. Existem adversidades, mas é importante ver que cada fase da vida tem a sua beleza, e o que me motiva a estar viva é fazer o melhor para mim e para os outros. Ter muitas pessoas boas ao meu redor ajuda a me manter viva e em atividade”, diz.

A afirmativa de dona Rafa é constatada em um estudo científico feito com 3 milhões de pessoas e publicado recentemente na revista Perspectives on Psychological Science. Segundo os pesquisadores da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, a longevidade está ligada a fatores que vão além de cuidados com a saúde física, como a prevenção de doenças crônicas. Para se ter vida longa, também é necessário construir laços familiares e de amizade fortes. Por isso, a solidão e o isolamento social são uma ameaça tão grande quanto a obesidade.

Expedita Ricardo mora sozinha há 19 anos e usa a internet para conversar com os amigos

Expedita Ricardo mora sozinha há 19 anos e usa a internet para conversar com os amigos

Dona Rafa conta que sempre teve a casa cheia. O marido da ex-professora de português, o engenheiro civil Cesar Augusto Ceva, começou a praticar radioamadorismo ainda no início da década de 1940. “Antes mesmo de ele ter criado a rádio Xavantes (a segunda do estado de Goiás), sempre combinávamos horários para conversar com outros radioamadores. Muitas vezes, nunca tínhamos nos visto pessoalmente. Hoje, as pessoas também conversam sem se conhecer pessoalmente, né?”, compara.

Em 1947, com o surgimento da rádio comercial, a casa do casal se encheu de artistas que vinham até a cidade para se apresentar. Estrelas como os cantores Emilinha Borda, Ivon Curi e Ruy Rei, além do presidente Juscelino Kubitschek e do escritor Malba Tahan, foram recepcionadas, conta ela. Quando o marido de dona Rafa morreu, há 25 anos, o movimento foi reduzido. “Sempre gostei de gente na minha casa, gente em volta da minha mesa, gosto de conversar, de brincar. Sempre foi assim e tive muitos almoços, jantares, mas acabou”, conta.

A centenária, porém, não se abateu. Descobriu novas formas de estar em contato com amigos e familiares. “A viuvez foi difícil, mas o tempo vai formando uma nova pessoa. Fui enfrentando coisas que acharia que não daria conta e vencendo. O importante é nunca estar sozinha”, diz a centenária, que não perde a oportunidade de visitar os parentes e de festejar, sempre acompanhada dos filhos, primos, sobrinhos e netos. Clique aqui para ler mais.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

três + 11 =