Janete Clair: 30 anos sem a "Nossa Senhora das 8"

Por Maya Santana

Mineira da cidade de Conquista, ela morreu em 16 de novembro de 1983

Mineira da cidade de Conquista, ela morreu em 16 de novembro de 1983


A mineira Janete Clair é uma figura tão importante quando se fala de novela no Brasil que ganhou o apelido de “Nossa Senhora das 8”, o horário em que a TV Globo apresentava as suas hoje lendárias novelas – Pecado Capital, O Astro, Irmãos Coragem, Pai Herói e tantas outras -, uma verdadeira mina em termos da audiência que trazia para a emissora. Casada com o também extraordinário dramaturgo baiano Alfredo de Freitas Dias Gomes, Janete foi vítima de um câncer de intestino que levou-lhe a vida aos 58 anos de idade, em novembro de 1983. Ela já era uma celebridade.
Leia o artigo que Cristina Padiglione escreveu para o Estadão:
Muito antes que a gente se perguntasse “Quem matou Odete Roitman (Beatriz Segall), em 1989, quando Gilberto Braga escrevia Vale Tudo, um certo Salomão Hayala (Dionízio Azevedo) já havia testemunhado o efeito que o suspense em torno do “quem matou?” pode alcançar num país de proporções como o Brasil. Não foi Janete Clair quem descobriu a eficiência desse recurso nos enredos de ficção. Àquela altura, quando O Astro (1977) alcançou seu pico de comoção nacional, a literatura e a própria radionovela já haviam se beneficiado à exaustão de estratégias do gênero. Mas foi dona Janete quem primeiro provou que a receita, bem executada dramaturgicamente, pode mobilizar uma plateia gigantesca, sem contar com esse negócio de redes sociais, convém lembrar.
No último dia 16 de novembro, fez 30 anos que a chamada Nossa Senhora das 8 (que hoje seria das 9, vá lá) nos deixou. Seria mais preciso, no entanto, dizer que dona Janete tem 30 anos de sobrevida, visto que seus ensinamentos, estratégias, sutilezas e artimanhas sobrevivem em praticamente toda a produção da telenovela brasileira, mesmo depois que sua ausência física se fez presente.
Cláudio Cavalcanti, Tarcísio Meira e Cláudio Marzo em Irmãos Coragem, 1970

Cláudio Cavalcanti, Tarcísio Meira e Cláudio Marzo em Irmãos Coragem, 1970


Em maior ou menor grau, Janete se faz notar nas linhas de Gilberto Braga, de Manoel Carlos, de Benedito Ruy Barbosa, de Walther Negrão, de Silvio de Abreu, de Aguinaldo Silva, de Carlos Lombardi, de Lauro César Muniz, de Glória Perez – a quem foi dada a missão de terminar a novela Eu Prometo, iniciada por Janete – e pontua o enredo de todos os profissionais que tenham a pretensão de escrever folhetins para a TV. Mesmo os autores mais recentes, como João Emanuel Carneiro, Filipe Miguez, Izabel de Oliveira, Cláudia Lage e João Ximenez Braga guardam dela alguma inspiração para os seus scripts.
Invenções e modernizações à parte, Janete Clair criava dentro da essência do folhetim, e desse DNA não há como escapar. Cercava a fórmula do melodrama de elementos capazes de despertar a identidade do telespectador, individualmente, a ponto de multiplicá-lo em proporções de comunicação de massa. Coisa de gênio.
O hoje octagenário Francisco Cuoco com Regina Duarte em Selva de Pedra, 1972

O hoje octagenário Francisco Cuoco com Regina Duarte em Selva de Pedra, 1972


Não é exagero dizer que a telenovela brasileira se divide entre antes e depois de Janete Clair. Alinhado a esse raciocínio está Irmãos Coragem, um divisor de águas na história da hegemonia conquistada pela Rede Globo e, por consequência, da própria história das comunicações no Brasil. Foram os irmãos coragem, em busca de um diamante, no interior de Goiás, que protagonizaram a primeira produção de uma Globo em busca de uma embalagem requintada em suas novelas. E novela, como se sabe, foi produto fundamental na conquista da liderança de audiência exercida há décadas pela emissora. Clique aqui para ler mais.
Para você que quer recordar, aqui está um dos capítulos de “Selva de Pedra”, uma das telenovelas mais importantes brasileiras. Estreou na TV Globo em 10/04/72 e, ao longo dos seus 243 capítulos, conquistou o público com a história de amor de Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco) e Simone Marques (Regina Duarte), a ponto de ser considerada a maior audiência da história da nossa TV. (Fonte: Youtube):


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