Jonilda, a mestra do sertão que forma talentos

Por Maya Santana
A paraibana Jonilda Ferreira Alves, 44 anos: exemplo de mestre

A paraibana Jonilda Ferreira Alves, 44 anos: exemplo de mestre

“Na semana que antecedeu o Natal, eu e o fotógrafo Manoel Marques Neto enveredamos rumo ao alto sertão da Paraíba. Tínhamos como destino a pequena Paulista, uma cidade com 11.783 habitantes, a 397 quilômetros de João Pessoa, a capital do estado. Nossa missão era entender um fenômeno. Os estudantes do município paraibano, encravado no coração do semiárido nordestino, haviam se destacado em uma olimpíada de matemática, que mobilizou no ano passado 19,1 milhões de alunos da rede pública em todo o país. Os paulistenses conquistaram 22 prêmios. Foram cinco medalhas de ouro (um recorde para cidades desse porte), duas de prata, três de bronze e 12 menções honrosas. Tal resultado foi surpreendente. Superou, em termos proporcionais, o desempenho obtido pelos jovens entre 9 e 17 anos das principais cidades do Brasil.

À medida que seguíamos em direção ao interior, o cenário destoava cada vez mais de um ambiente que supúnhamos propício a um bom desempenho escolar. Principalmente, em se tratando de uma disciplina como a matemática – o bicho-papão da estudantada. Em longos trechos do percurso até Paulista, o que se via era o efeito da maior seca registrada na região nas últimas quatro décadas. A paisagem parecia ter sido destruída por um imenso incêndio. E foi. E ainda é. O Sol queima a região com temperaturas que vão além dos 40 graus nessa época do ano. Não chove, ali, desde outubro de 2011. Então, qual a explicação para tantas medalhas? Todas as respostas convergiam para um nome: Jonilda – ou melhor, professora Jonilda. Qual o seu segredo?

Wanderson Ferreira Dias: duas medalhas de ouro

Wanderson Dias: duas medalhas de ouro

Maria Salete Laurentino gritou, riu e chorou. Fez tudo isso junto e misturado, repetidas vezes. Enquanto se dedicava a tais manifestações, ligou para todos os números que constavam da sua lista de contatos, no celular. Se eram muitos? “Só de irmãos tenho 13”, diz. Tamanha animação era justificável. Salete acabara de saber que a filha Miriam, de 12 anos, havia sido premiada com uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a Obmep, cujos resultados foram divulgados em dezembro.

A vitória de Miriam não se resumia ao prêmio. Ela, na verdade, havia superado um trauma. Poucos meses antes da disputa, a garota nutria pavor por matemática. De repente, transformou-se. Começou a se dedicar à matéria em três períodos ao dia. Pela manhã frequentava a escola, à tarde estudava em casa e, à noite, fazia aulas de reforço. Dormia sobre os livros. Preocupada, a mãe até lhe recomendava repouso. Qual o motivo da mudança? Miriam diz, em tom de brincadeira: “Foi a Jonilda que passou a mão na minha cabeça.”

Jonilda com os alunos que ganharam medalhas nas olimpíadas de matemática

Jonilda com os alunos que ganharam medalhas nas olimpíadas de matemática

Jonilda Alves Ferreira, de 44 anos, não tem poderes sobrenaturais, mas faz lá as suas mágicas. Natural de Paulista, leciona matemática desde 2002. Atualmente, dá aulas para seis turmas do 6° ao 9° ano, na Escola Municipal Cândido de Assis Queiroga. Na cidade, é identificada como a hospedeira de um vírus insólito – que disseminou uma febre por números. Os estudantes do município paraibano transformaram a matemática em uma brincadeira. “O melhor é que ela pode ser levada para qualquer lugar e nunca quebra”, diz Wanderson Ferreira, de 11 anos. O garoto já conquistou três medalhas na Obmep: dois ouros, em 2010 e 2011, e uma prata no ano passado. Adivinha de quem ele é filho? Da Jonilda.

Não é simples decifrar o dom de Jonilda. Ela fala em um ritmo pausado, quase sem variações no tom, como quem manifesta um certo fastio. A verborragia, definitivamente, não a brindou. Seu comportamento está a anos-luz dos professores-espetáculo dos cursinhos pré-vestibular. Jonilda é calma – ao extremo. Tanta serenidade, no entanto, é interpretada de forma peculiar pelas crianças. “Ela transmite uma afetividade muito grande e isso é importante na educação”, diz Salete, a mãe de Miriam, também educadora (leciona história). “As crianças não têm medo ou vergonha de conversar e tirar dúvidas com ela.” Leia mais em época.com.br


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1 Comentários

roberto matheus muniz 2 de agosto de 2013 - 15:34

Um grande exemplo….parabéns!!

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