Lembrando Taiguara, artista que resistiu à ditadura

Por Maya Santana
Brasileiro nascido no Uruguai, o artista morreu antes de completar 51 anos

Brasileiro nascido no Uruguai, o artista morreu antes de completar 51 anos

Dia desses, me deu uma grande saudade de Taiguara, um dos artistas que embalaram a nossa juventude no Brasil, nos anos 60 e 70, símbolo de resistência à ditadura instalada pelos militares no país. Cantor e compositor, Taiguara Chalar da Silva nasceu no Uruguai durante uma temporada de espetáculos de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva. Teve tantos de seus trabalhos censurados pelos militares que decidiu ir embora do Brasil. Foi e voltou duas vezes. Morreu em consequência de um câncer na bexiga, quando não havia completado 51 anos.

Leia um pequeno perfil do artista transcrito da Wikipédia:

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e, depois, para São Paulo, em 1960. Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Participou de vários festivais e programas da TV. Fez bastante sucesso nas décadas de 60 e 70. Autor de vários clássicos da MPB, como Hoje, Universo do teu corpo, Piano e viola, Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu sonho não acabou, Geração 70 e “Que as Crianças Cantem Livres”; entre outros.

Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira, Taiguara foi um dos compositores mais censurados na historia da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas. Os problemas com a censura eventualmente levaram Taiguara a se auto-exilar na Inglaterra em meados de 1973. Em Londres, estudou no Guildhall School of Music and Drama e gravou o Let the Children Hear the Music, que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil.

Em 1975, voltou ao Brasil e gravou o Imyra, Tayra, Ipy – Taiguara com Hermeto Paschoal, participação de músicos como Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Jacques Morelenbaum, Novelli, Zé Eduardo Nazário, Ubirajara Silva e uma orquestra sinfônica de 80 músicos. O espetáculo de lançamento do disco foi cancelado e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar em poucos dias. Em seguida, Taiguara partiu para um segundo auto-exílio que o levaria à África e à Europa por vários anos.

Quando finalmente voltou a cantar no Brasil, em meados dos anos 80, não obteve mais o grande sucesso de outros tempos, muito embora suas músicas de maior êxito tenham continuado a serem relembradas pelas rádios.


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